A PAISAGEM HUMANA DE MACAU

Por O Santo Ofício | 1 setembro, 2009

UMA TARDE NO MARÉ MANSA

Por Franklin Jorge

Macau – Ir à ilha de Macau e não pousar no Maré Mansa - uma instituição local – seria o mesmo que ir à Roma e não visitar a basílica de São Pedro. Assim, na terra do grande escritor Aurélio Pinheiro, fui almoçar e jantar algumas vezes no Maré Mansa que há 40 anos é o endereço gastronomico mais importante da região.

Comida honesta e saborosa, o restaurante fundado por Sebastião Amâncio oferece-nos tambem, como impagável cortesia, uma belissima paisagem e, dependendo do horário, um inesquecivel por do sol com direito a barcos ancorados sobre o plácido rio Assu emoldurado de mangues verdissimos.

Seu Sebastião é o anfitrião discreto e amável com quem converso sobre a cronica da cidade que me pareceu bem outra após a calamitosa ingerencia do ex-prefeito José Antonio Menezes, aliás condenado por corrupção, que nada fez pela cidade que fedia, tamanha era a sujeira – a que se expunha aparatosamente aos olhos de todos e a secreta, desvelada por ações do Ministério Público Estadual e Tribunal de Contas do Estado. – O Valadão, bairro construido sobre mangues e lamaçais, era a prova cabal dessa penúria gerencial do dr. Menezes…Hoje o Valadão está saneado e se tornou irreconhecivel. Espelha outra realidade.

Mas voltempos a Seu Sebastião, um patrimônio humano e imaterial vivo, decano em seu oficio de restauranteur, um dos homens bons de Macau. Entrevistei-o, há pouco, para a edição da “Folha de Macau”, comemorativa do aniversário da cidade que transcorre no próximo dia 9, mensário que há mais de uma década registra os fastos e a história do Vale do Assu, sendo am publicação de maior credibilidade e circulação nessa área geográfica do estado.

Já octogenário, embora lucido e em plena atividade, administa Seu Sebastião o seu próprio negócio, ajudado pela filha Fátima Marcolino, que renunciou a uma carreira universitária para estar ao lado do pai, enfrentando e vivenciando desafios, como sobreviver em plena crise que, apesar do otimismo um tanto patológico do presidente Lula, contamina a atividade economica em todo o país.

Enquanto conversamos, no terraço do Maré Mansa, os pássaros meliantes vêm pousar a pouca distancia da nossa mesa, antes de encherem o papo e de se recolherem aos seus ninhos. Por fim, entre cafezinhos, o crepúsculo cinematográfico, súbito e pontual, ensaiado e apresentado por aquele que o poeta mineiro Murilo Mendes definiu como o melhor diretor de cena – Deus.

Ao povo de Macau.


7 Comentários

Geraldo Aquiles on 1 de setembro de 2009 at 20:35.

Macau te agradece. Só vc, Franklin, para escrever uma cronica dessas sobre Seu Sebastião que como vc disse é um patrimonio vivo da cidade.

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Ricardo de Castro on 1 de setembro de 2009 at 22:06.

É um Blog que tem o que se lê! Parabéns, Franklin. Sou seu leitor. -Ricardo

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Gemma Fialho - Maceió on 2 de setembro de 2009 at 10:15.

Espero que tenha outras histórias desse velho de Carnaubinha.

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Avanir Fransuello on 2 de setembro de 2009 at 10:20.

Sozinho você tem feito mais pela nossa cultura do que todas as instituições “culturais” reunidas. Até ao escrever um necrológio, como fez com o de D. Martha, aprendemos. Formidável o que conta sobre a Baronesa de Serra Branca.

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Romualdo Vinagre on 2 de setembro de 2009 at 10:41.

Parabéns pelos acessos. Sucesso!!!

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José Antonio on 2 de setembro de 2009 at 20:34.

oi, Franklin

Que coisa boa sua vinda a Macau depois de tanto tempo. A cidade e seus leitores só teveram a ganhar com a “paisagem humana” que você descreve com beleza e sensibilidade.
Você escreveu uma parte da história de Macau com Seu sebastião, D. Chiquinha e Dedé.
Macau agradece!

um abs

Zé Antonio

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Alzanira Moura on 2 de setembro de 2009 at 23:29.

Quem sabe, faz!

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