AINDA O VALE DO ASSU

Por O Santo Ofício | 28 agosto, 2009

Por Franklin Jorge

Mossoró – O Vale do Assu está em processo de desenvolvimento, é o que ouvi de diversas pessoas oriundas dos municipios que o compõe e que têm a particularidade de estarem à margem do rio ancestral. É notável o crescimento de Ipanguaçu, Alto do Rodrigues e Pendencias, se as comparo com o que eram há uma década, por exemplo.

Além do petróleo, ou seja, dos beneficios que acarreta através das prestadoras de serviço, têm esses municipios na agricultura, praticada em escala industrial, e no cultivo do camarão em viveiros, o motor do seu progresso.

As duas últimas enchentes, porém, deixaram um rasto de destruição ao longo das margens do rio Assu, o que significa dizer que tanto as grandes empresas quanto e os médios e pequenos proprietarios que praticam uma agricultura familiar baseada em métodos tradicionais, tiveram grandes prejuizos e nenhuma assistencia do governo do estado que tem o mau costume de substituir as ações por palavras. São os que mais perderam com as intempéries e o mau humor da natureza. A médio prazão, terão dificuldades para se recompor, enquanto a governadora investe grandes somas em publicidade para vender a idéia de que aqui, no Rio Grande do Norte, vivemos no melhor dos mundos possiveis.

O caso da Potiporã, no entanto uma grande empressa associada a Queiroz Galvão, dedicada ao cultivo do camarão em cativeiro, tinha antes dessa última enchente 1.500 empregados regulares que foram recentemente reduzidos para 150. No momento a Potiporã está recuperando 250 viveiros destruidos pelas águas, num momento em que devia-se começar a despescagem, pois os camarões já estavam com o peso praticamente na medida para serem comercializados. Seu prejuizo e as consequencias disto para o Vale do Assu são incalculáveis.

Já o municipio do Assu, propriamente dito, perdeu sua condição de maior produtor de bananas do país. Uma verdadeira calamidade que não aparece nos noticiários, como se tudo tivesse voltado á normalidade depois da catástrofe. Não é nada disso… Nossa imprensa é que está alienada da realidade e não acompanha de perto e sistematicamente a vida off Natal…

Apesar disso, surpreende o crescimento (ou a “inchação”) demográfica dessas cidades. A zona rural deixou de ser áreas isoladas e integra-se vivamente à vida urbana através de sistema informais de transporte. Algumas, até, têm clubes e boates. E os jovens têm os mesmos hábitos dos urbanos. Em muitos casos, o uso de drogas tornou-se comum, assim como a prostituição.


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