UERN: PROMOTOR NÃO FALA SOBRE O CASO
Por O Santo Ofício | 26 agosto, 2009
Por Franklin Jorge
Mossoró – Hoje às 11h39, numa conversa que não durou cinco minutos, o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Eduardo Medeiros, quando perguntado sobre o Caso UERN disse que só falaria sobre o assunto depois da assinatura do novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que deverá ser imposto ao professor Milton Marques, reitor da Universidade Estadual.
Sobre o descumprimento do primeiro TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que o atual reitor não respeitou, assinado em fevereiro de 2007, ele disse que “houve problemas” e que o mesmo só foi “cumprido parcialmente”. O novo documento está sendo elaborado e deverá ficar pronto, “possivelmente”, na próxima semana, informou.
Desde 2007 que o Ministério Público havia recomendado a substituição dos servidores contratados irregularmente sob a forma de “contratos provisórios” – que já existem há 18 anos -, mas a falta de um quadro de cargos específico impossibilitou a realização do concurso, segundo disse o próprio reitor ao ser entrevistado por mim, quando da sua reeleição para o cargo, no primeiro semestre deste ano. Em maio, depois de denuncias veiculadas nesta página, a governadora Wilma de Faria anunciou a criação do quadro de servidores da UERN e prometeu realizar concurso pública para o preenchimento dos mesmos.
Em fevereiro de 2007 foi assinado o primeiro termo de ajustamento de conduta entre o MP e a universidade. Pelo documento, a UERN se comprometia a seguir o seguinte calendário de imediato: extinguir seis contratos temporários até 31 de agosto daquele ano; demitir 211 servidores temporários até 31 de setembro do ano passado e substituir o restante (196) até 30 de setembro deste ano.
O acordo não foi cumprido. Nem a Universidade foi penalizada. Segundo o termo, em caso de descumprimento do acordo, a UERN pagaria uma multa superior a R$ 5 mil por cada servidor contratado em caráter provisório e mantido irregular e permanentemente na função. Nada foi feito nem o reitor deu explicações acerca da sua omissão e o caso teria permanecido no limbo se não tivéssemos aberto o debate. Alguns desses contratados já requereram a aposentadoria ou se aposentaram, o que complica ainda mais o caso, sui generis na história das universidades brasileiras.
Perguntado ainda sobre as denúncias relativas ao concurso público que deverá realizar-se em setembro deste ano, o promotor disse ignorar o assunto e que as denúncias relativas ao caso deveriam ser encaminhadas ao MPE, não devendo “as pessoas ficar com conversa” por aí.
Segundo pessoas ligadas à UERN que desejam manter o anonimato para não sofrerem retaliações, apesar da proximidade da sua realização, o Edital do concurso é ainda desconhecido dos possiveis concorrentes, embora os chamados “contratos provisórios” já tenham tido acesso aos conteúdos do programa.
Mais grave ainda, os servidores contratados irregularmente estariam sendo preparados para o concurso em segredo, às expensas da reitoria, o que prefigura um caso de corrupção e a instituição de uma absurdo e escandalosa prática que os coloca em condições privilegiadas em relação aos demais concorrentes que, por não serem “apadrinhados” do reitor e do vice-reitor não contarão com esse curso preparatório que teria o objetivo de oficializar sob uma fachada de legalidade a permanencia dos servidores irregulares nos cargos que atualmente ocupam.
O promotor deixou claro que não considera denuncias feitas através da imprensa e de órgãos de comunicação. Ele conversou de pé e não acrescentou nada ao que já se sabia a respeito do assunto nem deu chance para que eu lhe perguntasse sobre essa benevolencia do MP em relação ao reitor da UERN, que embora tendo desrespeitado o acordo firmado com a Promotoria, há dois anos, agora está se beneficiando de uma segunda chance, apesar do longo tempo que teve de de fevereiro de 2007 até setembro de 2009 para corrigir as irregularidades.




14 Comentários
Joab on 26 de agosto de 2009 at 13:53.
Esse texto e os demais com os respectivos comentários devem ser enviados para O Globo Repórter e Fantástico. Por favor, quem tiver os liks coloque-os aqui. Os leitores deste blog tmabém deve copiar esses textos e enviar para todos os contatos. Se o MP representa o povo, primeiro ele tem que saber se o povo ainda quer um novo prazo para depois assim proceder. O povo não está a serviço do MP, mas o MP deve está a serviço do povo.
joab on 26 de agosto de 2009 at 14:03.
Taí um grande exemplo de democracia. Por que será que a cada dia o povo brasileiro está se tornando oportunista e individualista? Ora, por causa dos exemplos que seus representantes dão diariamente. Assim como uma epidemia como essa suina que parece ter começado no méxico, se expalha rapidamente e já chegou até aui no RN. O que dizer da corrupçao? Com que rapidez ela se expalha por toda uma nação??
joab on 26 de agosto de 2009 at 14:29.
Também acho que esse artigo deva ficar na primeira página e como manchete principal por alguns dias para que todos os leitores tenham a oportunidade de ler. Geralmente as pessoas lêem só as últimas postagens.
Marizete Barbosa Leite on 26 de agosto de 2009 at 15:52.
Se o mau exemplo vem dos poderosos e a lei acata, estamos perdidos! Já estamos perdidos faz tempo.
Ciro on 26 de agosto de 2009 at 16:25.
Pois devia falar, ainda mais apra um Blog que é lido portodo mundo e que defende cuasas justas, como essa que exige a moralização da UERN. Parabéns, F. Jorge. O RN agradece!
Acidália Coelho on 26 de agosto de 2009 at 19:33.
Que tem o promotor a esconder neste caso?
Vicente Cisne on 26 de agosto de 2009 at 19:48.
Deus do céu! Santa Luzia!
Saulo Barreto on 26 de agosto de 2009 at 21:49.
A Uern não toma jeito mesmo! Tambem com toda essa colher de chá dada pelo promotor, a coisa tende a pior cada vez mais. Esse concurso vai ser uma coisa fajuta, só para justificar a permanencia dos contratos provisórios…
Saulo Barreto on 26 de agosto de 2009 at 21:50.
É muita sorte a de Milton Marques…A Uern não toma jeito mesmo! Tambem com toda essa colher de chá dada pelo promotor, a coisa tende a pior cada vez mais. Esse concurso vai ser uma coisa fajuta, só para justificar a permanencia dos contratos provisórios…
Zuleide Ramalho on 26 de agosto de 2009 at 22:38.
A Uern vai mal…Não sei onde aonde vai parar tudo isto!Num ano eleitoral vai ser pessimo para a governador ter uma instituição tão problemática para administrar.
Marluze Rocha on 27 de agosto de 2009 at 13:52.
Muito bem Moab e parabéns Frankln Jorge, . Recentemente, no Egito. uma comunidade no FACEBOOK, conseguiu formar um grupo com cerca de 75. 000 membros e com estes conseguiu reunir um grande grupo de manifestantes em prol da greve dos trabalhadores em têxtil. Esse manifesto repercutiu em toda imprensa nacional e consequentemente despertou também o interesse da mídia mundial. Acho que o caminho da democracia é, já que a imprensa formal insiste em ajudar os oportunistas manipularem a nação, fazer uso da internet para fazer com que o povo receba informações verdadeiras e se interessem a exigir justiça e punição para os políticos corruptos.
Pedro Pederneiras on 27 de agosto de 2009 at 20:38.
Só em Mossoró! Aí as leis gerais do país não tem força não tem serventia. O estado economizaria abolindo gastos inúteis com instituições que não funcionam. A Uern não vai sofrer nenhuma penalidade e tudo voltará a ser como antes: as mesmas práticas e uma camarilha tirando vantagem de tudo. O que anima é a existencia de jornalistas como Franklin J. que nadam contra a maré.
Maria on 28 de agosto de 2009 at 8:56.
Você está enganado, na UERN existe sim pessoas se preparando para o concurso, mas jamais sabemos de informações privilegiadas sobre o edital.
Pedro Luis P on 28 de agosto de 2009 at 16:37.
É muita arrogância desse promotor. Então, quais são as denúncias que ele considera? As da governadora? As do Reitor? Quais? São as do povo, Sr. promotor, que o senhor deve acatar, logo porque, sua função é proteger aqueles que se sentem injustiçados pelo sistema. Cadê sua consciência ética e social? Se o Sr. não tem, porque está ocupando essa função? Deixe esse lugar para quem tem interesse de combater as injustiças.