LEITORA PROTESTA CONTRA FLÁVIO VERAS

Por O Santo Ofício | 23 agosto, 2009

Por Franklin Jorge

Macau – Uma leitora que se identifica como Fernanda Maria Gonçalves, macauense de origem radicada na cidade do Assu, protesta veementemente contra as referencias que fiz aqui ao prefeito Flávio Veras.

Por índole e formação, tenho por norma respeitar a opinião alheia e o tenho feito, como é do conhecimento de todos que eventualmente têm lido o que escrevo, em todas as circunstancias, mesmo quando de alguma forma a opinião é contrária aos meus interesses.

No presente caso, não tenho interesse algum, pois sequer conheço pessoalmente o prefeito Flávio Veras e apesar de já estar aqui em Macau desde a última sexta-feira, não me dei ao trabalho de procura-lo; e ignoro até se ele mora mesmo aqui ou faz como muitos outros prefeitos que só comparecem aos seus municipios para botar a mão no dinheiro público. Apenas externei minhas impressões da cidade que de fato me pareceu muito diferente daquela Macau suja e fedorenta do tempo do prefeito José Antonio Menezes, que, no exercicio do mandato, ocupou-se apenas de se locupletar sem nenhum respeito aos macauenses.

Flávio Veras, como está à vista de todos, mudou a cidade para melhor. Hoje, em seu aspecto mais evidente, faz gosto caminhar pelas ruas de Macau, limpas e bem cuidadas, ao contrário do que se via no tempo de Menezes, aliás condenado pela Justiça a devolver aos cofres públicos o dinheiro de que se apossou ilegalmente.

Leitor de Voltaire desde criancinha, abro espaço para o e-mail desapontado, tendo em mente o que disse o autor de “Cândido”, o liberal precursor dos Iluministas franceses: “não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo”…

Leiamo-la:

Acabo de retirar seu blog dos meus favoritos. Como moradora do Assu e filha de Macau me senti agredida com os elogios do senhor ao prefeito que destroi nossa cidade e que lamentavelmente o senhor elogia.
Adeus.

Fernanda Maria Gonçalves


1 Comentário

Paulo Sérgio Martins on 24 de agosto de 2009 at 13:48.

Apesar de entender que, no Brasil particularmente, a atividade política apodrece sempre o caráter de seus protagonistas, pondero num ponto: há exceções, raras e honrosas, do Oiapoque ao Chuí. Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, Flávio Arns, Marina Silva, Cristóvam Buarque, para citar alguns, têm a honra de se excluírem deliberadamente da cloaca em que se transformou o Senado Federal. Nos poleiros da outra casa de horrores, a não menos clivosa Câmara Baixa (muitas vezes da “baixaria” mesmo), ainda gorgeiam escassíssimas “avis rara” – como um Fernando Gabeira, por exemplo. Até nosso pequeno e pobre Rio Grande do Norte pontua nessa seara, embora com apenas uma exceção, como a confirmar a regra de sua tradicional vida parlamentar: o deputado José Dias de Souza Martins, de quem não sou parente, aderente e nem tampouco pretendente. Mas não custa admirar a sua postura de político abnegado e desinteressado das benesses e caminhos-de-rato proporcionados pelo poder macunaímico que muitos sonham alcançar. Franklin Jorge diz acima que não conhece pessoalmente Flávio Veras, o controvertido prefeito de Macau. Conheci-o ainda adolescente, no Assu, exatamente no momento em que chegava à cidade, de armas e bagagens, para morar e trabalhar na pequena empresa capitaneada por Rui Vieira Veras, seu pai. Família espartana oriunda de Alexandria, em Assu ainda fixaria residência Júnior, Jean, Késia e Vieirinha, todos posteriormente transformados pequenos e médios empreendedores. Dentre eles o mais comunicativo, caberia naturalmente a Flávio a façanha de expandir os negócios para além-fronteiras. E não é à toa que ele escolheu para viver uma eterna ilha de controvérsias: Macau lhe deu acolhida, família, prosperidade, mas por outro lado, também inveja, ranger de dentes e o destempero de algumas manjadas e isoladas vozes. É tudo um enredo muito simples de se explicar, Franklin. Ainda há muita gente não contaminada pela vergonhosa pandemia política que historicamente assola a pátria de Monsenhor Honório. Procure ouvir imparcial e atentamente as pessoas lúcidas e sensatas de Macau, sejam de que “lado” for (triste palavra entre aspas), depois o seu prefeito, e então tire as suas conclusões. Vai, explique didaticamente pra gente por que Macau é essa nossa querida “terra do nunca”.

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