A SULANCA DE LIVROS

Por O Santo Ofício | 7 agosto, 2009

Por Franklin Jorge

Mossoró – Caruaru, em Pernambuco, tem a famosíssima “feira da sulanca” comércio popular de vestuários produzidos “de carregação”, às pressas, sem cuidados de qualidade, que abastece as classes mais desfavorecidas. Mossoró tem a “Feira do Livro”, um evento caça-niquel  que se caracteriza por seu baixo nível cultural.

Financiado com recursos de leis de incentivo à cultura, tem como carro-chefe o “cheque livro” que o governo do estado distribui com as escolas para a aquisições que têm como objetivo enriquecer o acervo das escolas da rede pública. A idéia é boa, mas faltam critérios para a seleção dos títulos adquiridos.

Aí está o grande problema. O “cheque livro” é mal utilizado por representantes de escolas sem discernimento do que é realmente literatura, a literatura autentica que por suas qualidades colabora para a formação de leitores críticos, ou seja, um tipo de literatura que nunca se transforma em best-sellers, é ignorada pelas editorias de cultura, mas está sempre presente nas melhores bibliotecas.

Livros que não estão no topo das listas, mas vendem sempre, em doses homeopáticas e que foram escritos ou publicados, em sua maioria, há pelo menos uns oitenta anos.

Refiro-me a livros escritos por autores como Melville, Defoe, Stevenson, Hawthorne, Machado de Assis, as irmãs Bronte, Poe etc, autores que nada têm em comum com Paulo Coelho e outros subprodutos da chamada “indústria cultural” que mantém linhas de montagem para atender a uma demanda de leitores pouco exigentes ou de gosto mediano, que não deseja ser estimulado a pensar sobre as suas leituras.

Ao contrário de outras feiras realizadas no País, as nossas têm em comum a baixa qualidade e uma única preocupação, desovar livros que encalharam e que passam a contaminar as bibliotecas escolares, pois a impressão que fica é a de que o “cheque livro” foi criado para rechear a conta bancária de livreiros espertos.

 Tanto a feira de livros de Natal quanto a de Mossoró são apenas eventos caça níquel bancados com recursos públicos. Vejam o nível da programação cultural e me digam se estou enganado ou não. E, como agravo suplementar, ainda servem para afagar o ego das mesmas pessoas.

 Para completar, este ano, a chuva atrapalhou a realização da feira. Na quarta-feira, por causa de problemas na estrutura dos estandes, as atividades foram suspensas.


2 Comentários

Carlos Antiero on 7 de agosto de 2009 at 12:36.

É por isso que muita gente se aborrece com Franklin Jorge: é que ele tem a coragem de dizer o que muitos pensam mas calam. Realmente, por essa falta de pessoas do ramo em cargos chaves, a cultura potiguar não acontece nunca. Um estado que tem como presidentes de fundações culturais rebotalhos como Cezinmha Revoredo e Crispim Neto não podem prestar.

Reply

João A. Lamas on 9 de agosto de 2009 at 16:48.

Esses eventos são a maneira como pessoas espertas se locupletam sem chamar a atenção. Tem razão o articulista de Mossoró: não tem nivel nem respeito pela inteligencia das pessoas.João Arruda Lamas

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