FESTIVAL DE MARTINS EM CRISE
Por O Santo Ofício | 30 julho, 2009
Por Franklin Jorge
Já em sua sexta edição consecutiva, o Festival de Gastronomia de Martins começa a dar visiveis sinais de cansaço. Promovido por grupo privado quese beneficia de recursos públicos oriundos das leisde incentivo á cultura, não é a oportundiade negócios que esperava opovo de Martins e da região Oeste.
Considerada pelos martinenses “uma festa do povo de Natal”, este ano o evento sentiu na pele as consequencias do calote aplicado pelo genro da governadora contra trabalhadores humildes do municipio, queficaram sem receber desde o ano passado o que teria atrasado os serviços de montagem das instalações dos boxes e, consequentemente, o inicio do próprio festival. Isto explica a não realziação das oficinas de gastronomia infantil, programadas para a manhã da última quinta-feira, que não puderam se realizar…
Mas este é apenas um detalhe episódico do problema, embora desabonador para a credibilidade odo festival e do próprio governo do estado que afinal não está com toda essa bola toda não. O grande problema, a meu ver, está na concepção do próprio evento que não prestigia Martins nem deixa nada para a cidade, a não ser migalhas. A rigor o povo de Martins e da região não participa a não ser naquilo que o festival tem de alienante e narcótico — os shows musicais em praça pública, programados consideração pela qualidade que, dizia Lênin, há de estar presente em tudo…
É escusado dizer que a programação paralela aos desfrutes gastronomicos é de baixissimo nivel enão contribui para melhorar o nivel de informação da população local, sobretudo por faltar-lhe um nexo didático capaz de produzir resíduos culturais consistentes e duradouros sem os quais não passará de mais um desses engodos forjados por gente esperta para locupletar-se com recursos públicos.
A exposição de pintura não prima por nenhum critério estético; não passou deum amontoado caótico de quadros em sua maioria bastante surrados pela falta de cuidados. A meu ver, essas mostras deviam ter obrigatoriamente cunho informativo e didático ou retrospectivo, em homenagem a um artista de mérito ou a um movimento que tenha efetivamente contribuido para socializar as artes plásticas em nosso estado, como as ações do Grupo Cobra (do qual fizeram parte artistas representastivos como Fernando Guergel, Vicente Vitoriano, Arruda Salles…) , por exemplo, e, mais antigamente, da Galeria Vuila Florque revelou aos natalenses artistas da categoria de um Iaponi Araújo, um Jussier Magalhães, um Thomé Filgueira etc.
Em qualquer circunstancia, essas mostras deviam se completariam com oficinas e workshops ministrados por especialistas, nomes expressivos que pudessem agregar valor a iniciativa que, desde a primeira edição deste festival tem se revelado equivocada. Mesmo assim, as mostras organizadas por Vatenor, apesar de todas as restrições que possam ser feitas ao seu trabalho, eram indiscutivelmente melhores do que esta última, organizada por Isaac Ribeiro, galerista que deixou muita duvida sobre o que ele entende por artes plásticas. Os artistas locais deviam ser estimulados através de oficinas e de atividades capazes de socializar a linguagem das artes, além de coletivas, naturalmente.
Saindo desse ambito, a coordenação do evento devia preocupar-se em realziar atividades preparatórias com meses de antecedencia, para motivar a participação e integração da população local num todo harmonioso e fecundo. A culinária local, que os organizadores do festival ignoram solenemente, precisa ser urgentemente incorporada para que o festival deixe de ser “uma festa do povo de Natal” e passe a ser uma festa de todo o Oeste norte-rio-grandense, que é oque se espera: um acontecimento saboroso e multifuncional.
Merece destaque, nesse conjunto mal pensado, a participação do Sebrae, ao organizar com sensibilidade e senso de oportunidade o inesquecivel café da manhã nmo pátio interno do Mercado Público. Boa comida, boa musica e serviço competente constituiram a meu ver o ponto alto dessa sexta edição do Festival de Gastronomia de Martins. Uma iniciativa que despertou o interesse do público e, ao mesmo tempo, valorizou as tradições culinárias dopovo martinense.




6 Comentários
Anely Pinto on 30 de julho de 2009 at 21:15.
Essas colocações já deviam ter sido feitas há muito tempo. O festival deve começar, em Martins, alguns meses antes, integrando as pessoas ao evento que não pode ficar restrito ao “povo de Natal”. Como sempre, a palavra lúcida de Franklin Jorge.
Natália Ferreira on 31 de julho de 2009 at 0:55.
Seus 102.600 acessos colocam o sr., como jornalista, numa situação privilegiada. Quem pode ostentar tal recorde? É a prova do prestigio do que pensa e escreve, sem tergiversações e sem comerciar a opinião. O tempo tem mostrado que está no caminho certo: que sempre terá leitores entre aqueles que consideram a integridade e a convicção virtudes preciosas e dignas de apreço. Não estive em Martins, mas acredito que suas considerações representam o pensamento de muitos potiguares. Parabéns pelas cronicas sobre essa gente de Martins, como o sr. Sebastião Vicente e sua valiosa experiencia de via. Deus o abençoe.
Benicio on 31 de julho de 2009 at 9:56.
É a primeira vez que leio um artigo destes sobre o festival. sempre é oba oba ou simplesmente registros jornalisticos e reportagens que não informa corretamente ao leitor as questõs de bastidores. Quem não vai a Martins fica desinformado ou sabe apenas a metade dos fatos e não poee saber nunca que os naturais da região são excluidos da “festa do povo de Natal”… É muita manipulação, mas Franklin foi e viu por todos nós coisas que não saberíamosa de jeito nenhum. Nossa imprensa está dominada!
Lydia Albuquerque Hossner - Buenos Ayres on 31 de julho de 2009 at 21:03.
Sua importância como escritor e jornalista é considerável e única. Através dos seus escritos de grande personalidade nos assoberbamos da experiência alheia e saboreamos um acontecimento estético raro: o povo fala, usando como meio a sua arte de dizer o que sabemos ou desejamos saber, mas nos falta o engenho e a forma sintética e carismática adequada que sobeja do que produz sua inteligência de estilista, consorciada à sensibilidade e a uma cultura humanistica notáveis. Sinto-me espiritual e intelectualmente enriquecida ao ler o que vem publicando para a grandeza das belas letras.
Nadja on 1 de agosto de 2009 at 18:42.
Parabéns pelas entrevistas com o velho Sebastião Vicente e por algumas outras, mais antigas, com velhos de Antonio Martins. Você tem um jeito todo especial de conversar com as pessoas humildes e de faze-las falar sobre sua experiencia de vida. Leio sempre com desvanecimento e prazer o que escreve sobre o nosso povo.
Isaac Ribeiro on 10 de agosto de 2009 at 20:34.
Olá Franklin Jorge,
Escrevo para solicitar uma correção em seu texto “Festival de Martins em Crise”. Meu nome é ISAAC RIBEIRO, sou jornalista da Tribuna do Norte há 14 anos e nunca fui galerista de artes plásticas. Há uma informação equivocada no sexto parágrafo, atribuindo ao meu nome a organização da galeria do evento. Por gentileza, poderia retificar a informação para os seus leitores?
Obrigado,
Isaac Ribeiro
Jornalista