UMA MANHÃ NA UERN
Por O Santo Ofício | 10 julho, 2009
Por Franklin Jorge
Mossoró – Atendendo a gentil convite do professor Giovanni Rodrigues, diretor pro tempore do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual (UERN), estive ontem pela manhã no Campus Central conversando com alunos de Jornalismo, Radialismo e Publicidade sobre minha experiência profissional.
Foi um momento de grande satisfação intima, pela curiosidade e atenção que me foram dispensadas por um significativo número de jovens que, ao final de minha explanação, crivaram-me de perguntas sobre aspectos da atividade jornalística; no meu caso, marcada pro fracassos bem sucedidos, pois decorrentes duma atividade instruída desde o primeiro momento pela análise critica da realidade e dos fatos cuja essência jaz muitas vezes submersa sob distorções e interesses que desqualificam a transmissão do conhecimento.
Enfatizei a contribuição do exercício da critica para a eficácia do texto jornalístico que aspira transformar-se em conhecimento, o que vai muito além da mera informação ou transmissão dos fatos, como tais, geralmente passiveis de infinitas versões.
E, ao fazê-lo para uma platéia interessada no que eu dizia, creio que chamei a atenção de todos para as propensões sediciosas do jornalismo; do jornalismo entendido como uma espécie de advocacia popular, segundo a definição do pensador Ortega Y Gasset; do jornalismo, enfim, que não se compraz numa mera manipulação retórica a serviço de interesses que contrariam o leitor e os princípios da plena cidadania.
Ora, para além da excelência formal, o bom jornalismo – aquele que é cultura e alcança o interior dos fatos, como diria Antonio Carlos Villaça – há de exprimir a maldição de pensar ou, em outras palavras, o chamado do abismo que se traduz em investigação dos fenômenos sociais que, independentemente de época e contexto, são sempre intensos e múltiplos.
Na ocasião, fiz distribuir com os presentes cópia de textos que publiquei recentemente sobre Jornalismo Cultural e a morte dos jornais impressos. Os interessados podem ser consultá-los acessando os arquivos desta página.




12 Comentários
William Leite Gueiros on 10 de julho de 2009 at 14:36.
Sou estudante Jornalismo e li o que escreveu com muita atenção. Estou de acordo quanto a importancia da critica, mas infelizmente todos a vêem como uma forma de frustração ou revolta (não penso assim). É muito dificil praticá-la, o que o sr. faz com tanta persistencia e como disse com resultados negativos. Quero dizer, no entato, que acato o que escreve e publica como verdadeiras lições. Fico lisonjeado de tê-lo como um mestre, mesmo sem conhecê-lo pesoalmente, esperando que isto venha a acontecer algum dia. Saiba que sou seu fã, acesso todos os dias e divulgo esta página.
Luis L. Bezerra -Brasilia on 10 de julho de 2009 at 15:06.
Uma vez eu estudava Letras em João Pessoa e assisti a uma palestra sua no Curso de Jornalismo. Gostei tanto que ao chegar a Brasilia resolvi fazer Jornalismo. Antes de ouvi-lo naquela noite de 1996, quando lhe dei uma carona até Intermares (lembra-se?), eu fazia uma idéia completamente equivocada dessa profissão tão valorizada por mauricinhos e patricinhas (a giria da época) fúteis… Voltei a ter contato com o seu trabalho anos depois através do livro “Jornalismo e Literatura” que ao ser lançado (se não me engano em 2002) foi recomendado por um dos nossos professores que nos chamou a atenção para o seu ensaio, “Jornalismo e Literatura” (Editora Escrituras-São Paulo) que ele considerava o “filé” do livro. Também concordei ao ler o texto que nasceu de uma conferencia sua para alunos de jornalismo de uma universidade de Natal (UnP???). Mais recentemente descobri este blog e me tornei seu leitor regular. Acesso-o todos os dias, leio e releio o que escreve com tanto estilo e conhecimento. O senhor é um grande mestre. Um grande jornalista. Uma referencia para todos nós.
Honório de Medeiros on 10 de julho de 2009 at 15:47.
Ao ler o depoimento de Luis L. Bezerra comprovo, mais uma vez, a imensa importância do Professor e da ensaística.
Ele teve a sorte de ouvi-lo e ler seus ensaios, e isso lhe proporcionou uma experiência a tal ponto fascinante que orientou sua escolha profissional.
É muito forte e muito gratificante, para quem é professor, ter acesso a um depoimento como esse.
E como é importante ter tido a oportunidade de, em um momento único, ser favorecido pelo conhecimento de alguém relevante, pessoal e profissionalmente, em sua vida, que nos possa servir de referência!
Aliás, Franklin, vc nos deve muito nessa área: quantos ensaios não estarão guardados em seus baús, qual tesouros, a serem cobiçados por nós, seus leitores…
Lula - Campina Grande on 10 de julho de 2009 at 16:19.
Estou morrendo de inveja porque não estava presente!
Thiago -UnP on 10 de julho de 2009 at 16:35.
Não sou da área mas me interesso por Letras e Jornalismo… Soube da sua performance ontem no Campus da Uern. Não foi porque pensava que você uma pessoa metida a besta, mas um amigo meu comentou que é muito simples e tem uma boa didática. Da proxima, vou e prometo ser o primeiro a chegar e o último a sair.
Malice Gouveia on 10 de julho de 2009 at 16:49.
Franklin, parabéns pelo blog. É sem dúvida o melhor e o mais lido de todos. Ninguém o supera em estilo e conteúdo. Nota 10!
Daniel on 10 de julho de 2009 at 19:12.
O prof. Giovanni Rodrigues foi muito feliz convidando o jornalista Franklin Jorge para falar de sua experiencia profissional aos universitários.A lamentar somente a falta de divulgação desse grande evento.
Boy Sanguebom on 10 de julho de 2009 at 20:52.
A Uern demorou, mas descobriu Franklin Jorge!
J. Ronaldo on 10 de julho de 2009 at 21:43.
Soube de sua visita à UERN, muito comentada. Gostaria de ter participado, mas fica para a próxima. Os comentários são ótimos, de dar inveja a quem perdeu.
Ilma on 11 de julho de 2009 at 9:15.
É notória a contribuição do jornalista Franklin Jorge à cultura brasileira, principalmente a da nossa terra, seja através da porodução ensaistica, jornalistica e literária de textos e estudos seja através de ações outras, como a doação de livros e formação de bibliotecas comunitárias. Vários bairros de Natal (Redinha, Nazaré, Mãe Luiza… e SESC-Cidade Alta) foram beneficiados com doações de livros, mais de 10.000 titulos da sua biblioteca particular, sem propaganda em jornais e sem retribuição dfe qualquer espécie. Sua influencia sobre a cultura do RN é fato público e notório. Esses depoimentos de Luis L. Bezerra, William Gueiros e Honório de Medeiros corroboram minhas palavras. Há muitos anos, num bar de Areia Preta, ouvi de um rapaz que fazia parte de um grupo que passou a olhar para Franklin insistentemente. Como era no tempo da sua polêmica com Valério Mesquita que o demitiu injustamente das funções que exercia na Fundação José Augusto, temíamos que aquelas pessoas pudessem estar a serviço de Valério para agredi-lo ou fazer coisa pior…Eu me lembro que sugerimos a Franklin que nos retirássemos, pois aquilo podia resultar numa coisa ruim, mas ele se recusou e foi até a mesa dos rapazes e voltou depois de algim tempo acompanhado daquele que mais o havia olhado. Foi aí que o rapaz contou da sua curiosidade em conhecer Franklin por causa dos seus artigos e coluna publicados na Tribuna do Norte. Era seu admirador incondicional e acabou dizendo que sempre ouvia dizerem que “nunca ninguém foi a casa de Franklin sem sair com um livro ou com uma lição de vida”… Foi um dos mais belos e justos depoimentos que ouvi sobre Franklin e até hoje, tantos anos depois (25 anos, acho) ainda me lembro nitidamente dessa noite e das palavras ditas por aquele desconhecido.
Boy Manero on 12 de julho de 2009 at 10:18.
Quem sabe sabe!
Thiago Melo on 12 de julho de 2009 at 22:55.
Franklin, parabéns pelo sucesso! É só no que se fala por aqui.