O HOMEM NECESSÁRIO

Por O Santo Ofício | 2 abril, 2009

Por Franklin Jorge

Há tempos tenho protelado a entrevista que desejo fazer com o gentil farmer Dr. Albérico Batista da Silva, proprietário rural em Touros onde peleja plantando e criando ovelhas.

Conheci-o em Rio Branco há uns vinte anos ou mais, sempre jovial e cultivando a arte de fazer os outros felizes. Desde então nos ligamos através duma desinteressada amizade que o tempo se encarregou de tornar sólida. Certa vez eu lhe disse, caminhando pelas ruas de Rio Branco, que o tinha como um pai e ele, muito sério: Pai, não; um irmão mais velho… Que seja!

Trata-se de um homem de espírito e de coração, como aquele famoso livreiro stendhaliano que, com um prazer de criança, aprecia na arte da conversa o que deleita a inteligência e a alma. Por isso, em sua companhia o ar triste não é de bom tom e o enfado não convém, como dele diria, se possivel fosse voltar no tempo, o autor de Cartuxa de Parma, que estou relendo para polir o estilo e usufruir de sua extraordinária arte literária.

Tendo começado a vida no Caicó ainda muito jovem, creio que aos 22 anos, como representante da Cia. Anderson Clayton, famosa firma compradora de algodão, aqui se casou, seus filhos nasceram e, depois de uma vida rica de experiencia humana e de amigos, para cá retornou ao aposentar-se como Fiscal do Trabalho no Acre, após ter sido diretor da Eletropaulo onde teve como companheiros de Diretoria o atual governador de São Paulo, José Serra e o ex-Ministro Sérgio Mota. Modesto sem afetar modéstia, outros, em seu lugar, alardariam tudo isto por aí… Em Natal, foi Secretario de Finanças do prefeito Vauban Faria. Pernambucano de Afogados da Ingazeira, tem vivido longos anos no Rio Grande do Norte, em São Paulo, Brasilia, Minas Gerais e Maranhão, sempre deixando um rastro de benignidades por onde passou.

Dr. Albérico está nos devendo um grande depoimento sobre o senador Dinarte Mariz, a quem conheceu de perto sob a luz de Santana. Há anos o tenho ouvido sobre o senador do Seridó cujo perfil, um pouco mundanizado pelo engenho do imortal Diógenes da Cunha Lima, debuxado por suas palavras se enriquece de nuanças desconhecidas que fogem ao convencionalismo e ao oba-oba. São informações privilegiadas e originais sobre o politico talvez de maior prestigio para os ditadores militares.

Não temos curiosidade sobre as figuras que fizeram a nossa história, como Alberto Maranhão, o Capitão José da Penha, Aluizio Alves e José Cortez Pereira, por exemplo, que nunca foram efetivamente biografados. Pedro Velho, Henrique Castriciano e o senador João Câmara ainda mereceram estudos mais aprofundados de Luis da Câmara Cascudo, assim como o ex-governador José Augusto que teve uma pseudobiografia escrita por Nilo Pereira que vale em parte pela finesse estilística do nosso conterrâneo do Ceará-Mirim. Mas biografia, a rigor, não. Até porque dá muito trabalho fazê-las.

O tema, aliás, é controverso entre os políticos que, muito sabidos ou por se sentirem talvez culpados do que sabemos e do que não sabemos, são geralmente uma tribo arredia e desconfiada. Têm r isso mesmo horror a biografias… A maioria, em certos aspectos, prefere o anonimato no que se refere à vida privada. Afinal uma biografia bem investigada é capaz de trazer à superficie incômodos e escabrosidades que não convém suscitar nem revelar à curiosidade do público… Lembro-me que em certa época quis biografar — e creio que teria feito duas grandes biografias, pois me preparara para isto –, Aluizio Alves e Cortez Pereira, mas eles fugiram dessa idéia como o diabo foge da cruz , tanto quanto a prefeita de Natal, jornalista Micarla de Souza, foge dos compromissos.


1 Comentário

Concita Sousa Silva on 4 de abril de 2009 at 11:04.

Não conheço o Dr. Albérico mas já estou começando a gostar dele só pelo que v. escreveu a seu respeito.

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