GOVERNOS CENSURAM INTERNET
Por O Santo Ofício | 12 março, 2009
Transcrito de El País
Por Patrícia Fernández de Lis
Mais de 1 bilhão de pessoas usam diariamente a Internet para comunicar-se e buscar informações, enquanto dezenas de governos buscam uma maneira de controlar a rede.
A prestigiosa organização OpenNet, integrada pelas universidades de Oxford, Cambridge, Harvard e Toronto publicou um estudo a respeito. Nele se conclui que 25 países – entre os quais o Irã, China y Coréia do Sul - exercem a censura de webs com conteúdos políticos ou sociais considerados perigosos, e impedem o acesso a canais como YouTube ou Google Maps. Além do mais, seus métodos de censura estão sofisticando-se em muitos casos graças à colaboração de empresas do Ocidente.
“A censura a Internet está aumentando em escala, alcance e sofisticação em todo o mundo”, disse John Palfrey, professor de Direito na a Universidade de Harvard. É a primeira vez que OpenNet realiza este estudo que analisa a situação de liberdade de expressão na Internet desde 2003. Neste informe foram analisados 200.000 acessos em 120 provedores de Internet (ISP).
Os 25 países que, segundo o estudo, exercem censura na Rede não o fazem da mesma maneira, nem na mesma proporção. Coréia do Sul, por exemplo, só impede o acesso às informações relacionadas com a Coréia do Norte. Há os que preferem exercer uma censura pontual, como a Turquia, que impediu o acesso de seus cidadãos a YouTube por um vídeo que “ofendia” a memória do primeiro presidente da República, Mustafá Kemal Ataturk.
O informe não inclui a Coréia do Norte nem Cuba, não porque não se exerça a censura senão porque os investigadores asseguram que não poderiam garantir a segurança de suas fontes no país.
Os autores do informe detectaram tipos de censura. A mais comum é a política, exercida para evitar a difusão de idéias por parte de partidos da oposição, defensores dos direitos humanos ou dissidentes.
O pior país para a censura política é Myanmar (antiga Birmania), seguido de China e Irã. O segundo tipo de censura é a social, que impede acessar conteúdos vinculados com direitos de grupos como mulheres e homossexuais. Irã, Oman e Arábia Saudita encabeçam esta lista negra.
Um terceiro tipo de censura se relaciona com a “segurança nacional”, isto é, impede o acesso a webs e sitios de noticias de grupos insurgentes ou terroristas. Myanmar, China e Irã ocupam os tres primeiros lugares.
Ainda segundo os autores do estudo, o país de que mais exerce a cibercensura, debido é o Irã. Segundo Repórteres sem Fronteiras (RsF), bloggers têm sido extintos no país desde 2006 e há impedido o acesso a cerca de 10 milhões de webs “imorais”. China, por sua vez, ostenta o triste recorde de ter maior número de pessoas presas por ciberdissidência: 52, de um total de 68 em todo o mundo, segundo RsF.
“Internet é o maior aliado da liberdade de expressão”, explica Rafael Jiménez Claudín, secretário geral de RsF. “Por isso, quem não está interessados em respeitar o direito à livre expressão, utiliza uma grande variedade de métodos para controlá-la”.
A técnica mais comum de censura é a imposição de leis que proíbem o uso de determinados termos (na China, por exemplo, “democracia” ou “direitos humanos”). Também se utilizam filtros nos servidores dos ISP. O mais conhecido é o SmartFilter, fabricado por uma empresa norte-americana, a Secure Computing. Tanto OpenNet como RsF denunciam a colaboração das empresas ocidentais nestas formas de censura, ainda que, como disse Jiménez Claudín, “o bom da Internet é que, quando se fecha uma porta, sempre há alguém disposto a abrir outra“.




2 Comentários
Delma Moura on 12 de março de 2009 at 14:19.
É uma medida previsivel. Os governos não têm interesse que os seus podres se tornem públicos. Deles só podemos esperar medidas restritivas e espoliadoras.
Luis Gonçalves on 14 de março de 2009 at 12:06.
Não se pode esperar nada melhor dos governos. Concordo com Delma.