A MORTE DOS JORNAIS

Por O Santo Ofício | 11 março, 2009

Por Franklin Jorge

 

A crise do jornalismo impresso agrava-se a cada dia. Não é somente uma crise de credibilidade, mas algo que resulta da alienação do foco e da qualidade do produto que oferece ao leitor – que não procura mais, apenas, a informação, mas o conhecimento, a análise, a critica. A notícia interpretada por quem afinal tem recursos intelectuais para isso.

 

Tenho escrito, repetidas vezes, sobre a agonia do jornalismo impresso. Especialmente do jornalismo acomodado ao mero registro dos fatos e à recepção de colaboradores que, por seu despreparo ou inexpressividade na própria área de atuação profissional, não influem na formulação da opinião pública.

 

Não admira, pois, que a Página de Opinião, antes um espaço nobre do jornal, tenha sido ocupada por uma reca de colaboradores anônimos ou pseudos intelectuais – muito justamente chamados de “intelectuais orgânicos” – que se ocupam em dar vazão à vaidade e a “exercícios literários” canhestros que, por complacência ou comprometimento dos editores, escaparam da lata do lixo…

 

Além disso, prospera a figura do opinador contumaz. É curioso notar que já não se pergunta, nas redações, se o opinador tem ou não credibilidade. Se ele tem ou não fé pública, se é ou parece honesto, se tem ou não respeito — por mais elementar e incipiente — pela ética que em principio deve reger as ações humanas e profissionais, especialmente aquelas, como a jornalística, com repercussão direta na sociedade.

 

A impressão que fica é a de que o importante, para quem escreve, é publicar; e, para quem avalia, “encher o espaço” em branco, pois com ética ou sem ética, com qualidade ou sem qualidade o jornal precisa ser fechado e impresso, pois lá na outra ponta está o leitor esperando para pagar a conta.

 

Por último, o “jornalismo cultural” se transformou em um must. Uma iguaria que deve estar em todas as mesas, ou seja, em todas as páginas, sem nenhuma consideração pela escolha e manejo dos ingredientes. É um gênero ainda incipiente entre nós, por isso mesmo apto a promover tantos equívocos, ainda mais que está beirando perigosamente o colunismo social sob a forma de registros do que há de mundanismo na atividade cultural ou no que, muito pedantemente, costuma ser referido como “mundo artístico” – uma confraria que há em toda parte e latitudes.

 

Não admira que a vida inteligente esteja migrando para a mídia virtual, enquanto os meios convencionais se debatem na mesmice e no tédio.

 


7 Comentários

Marcos Mendonça on 11 de março de 2009 at 15:45.

Verdade verdadeira.

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Bernardo on 11 de março de 2009 at 20:34.

Imagino que professores e alunos de jornalismo devem estar acompanhando a série de artigos que o sr. vem publicando: são verdadeiras aulas que não podem ser ignoradas por todos os que se interessam pelo assunto, pois a sua discussão contempla uma gama de aspectos, como a ética no jornalismo, a cultura, o estilo, a credibilidade do jornalista que transmite a noticia etc. São poucos os jornalistas que podem discorrer sobre estas questões com tanta competência e isto só pode se traduzir em lições e em motivo de orguçlho para nós, seus conterrâneos e leitores. Tenho notado que o seu blog está enfrentando dificuldades, mas espero que não desista e continue a nos brindar com os frutos do seu talento e da apreciavel cultura.

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Martha Fagundes on 11 de março de 2009 at 20:58.

É por isso que se lê cada vez mais menos jornal impresso.

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Pádua Duarte on 11 de março de 2009 at 21:34.

Muito sério tudo isto.

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João Rodrigues da Silva on 12 de março de 2009 at 13:33.

Com estes artigos Franklin está dando uma grande e importante contribuição ao jornalismo e aos jovens que movidos por idealismo estão enveredando por esta árdua profissão. É um trabalho de mérito.

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Luis Gonçalves on 14 de março de 2009 at 12:09.

Comprar jornais para ler um bando de desocupados ou aposentados que não tem mais o que fazer, é jogar dinheiro fora. São os mesmos colaboradores escrevendo em todos os jornais e todos repetindo as mesmas bobagens. Valério Mesquita está em todas requentando escritos alheios.

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Lourenço Marques on 14 de março de 2009 at 14:39.

Não há o que se ler nos jornais impressos. A baboseira é geral. Agora, na Internet, já é possivel ler jornalistas como Noblat, Franklin Jorge, Cláudio Humberto… O jornalismo virtual está cada vez melhor e é gratuito.

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