BABÉLIA: ENSAIO EVOCA NÚBIA LAFAYETTE
Por O Santo Ofício | 25 fevereiro, 2009
Da Redação
O professor e ensaista Márcio de Lima Dantas publica em “Babélia” ensaio enfocando sob um viés antropológico a complexa personalidade da cantora norte-rio-grandense Núbia Lafayette, falecida o ano passado.
Escrito ainda em vida da artista, cuja performance ficou associada à “fossa” e à melancolia, “Núbia Lafayette: o canto como imanência” chama a atenção dos leitores para aspectos jamais entrevistos em tudo o que se produziu em termos de reflexão e análise sobre a cantora cuja trajetória está indelevelmente gravada no contexto da música popular brasileira, ao lado de outras divas do canto.
Reproduzimos a seguir fragmentos do texto original, que pode ser lido em sua íntegra no canal “Babélia”:
“[...] Aquela que o povo consagrou como “voz de veludo” tem o pejo de um it encontrado na cantora egípcia Oum Kalsoum, na grega Maria Callas, nas brasileiras Nora Ney, Elizete Cardoso, Clementina de Jesus, Elis Regina, na caboverdiana Cesária Évora, na espanhola Niña de Los Peines ou na portuguesa Amália Rodrigues. Todas elas detentoras de um não sei quê capaz de sintetizar, na sua carreira de artista, as inquietudes de uma geração ou o espírito do tempo de um dado momento histórico, e até mesmo certos traços acentuados por uma etnia. Quero falar dos artistas que infundem respeito e um certo hieratismo de quem impõe a presença por meio de um discurso corporal, de uma fala ou de uma personalidade demandadores de reverência, obrigando o expectador a remexer suas áreas atávicas, numa busca de situar o personagem numa tradição da história da arte, fazendo crer que o encenado no palco é matéria para ser levada a sério, pois é o que o humano alcança de melhor, ao simbolizar o caráter trágico da existência através da arte, transubstanciando o factual, com suas arestas, em cristais duráveis e permanentemente dotados de capacidade para resplender em qualquer espaço ou tempo, pois certas estruturas antropológicas nos acompanham, vigilantes, desde sempre”.
Queremos ainda pedir desculpas aos leitores pela irregularidade das postagens, especialmente em canais que integram este site, como “Babélia”, “Galeria”, “Retrato Falado”, “Grande Angular” e “Séries”, estas muito atrasadas, apesar dos nossos esforços de manter a regularidade das publicações. Apenas este blog “O Santo Oficio” se mantém relativamente atualizado, apesar da baixa conectividade do sistema que não tem nos permitido atuar com mais agilidade.
Esperamos, depois do carnaval, retornar à cobertura da sucessão do reitor da UERN, que sofreu um grande lapso justamente por causa dos motivos acima expostos. A todos, nossas desculpas.




3 Comentários
Salomão de Andrade Nunes on 25 de fevereiro de 2009 at 20:50.
Meu caro Flanklin,
Você não é um simples jornalista, é um mágico. Seus artigos são ótimos, deviam usá-los nos cursos de jornalismo para ensinar nossos jornalistas escreverem melhor. Ninguém aguenta a forma como se escreve nos jornais locais, principalmente da parte dos colunistas, como escrevem mal, deus me livre, saravá três vezes.
Um abraço,
Salomão
Seu admirador
Fernando Câncio on 26 de fevereiro de 2009 at 10:01.
Salomão tem razão e fala por muitos leitores destae Blog “O Santo Ofício”: com as suas lentes de jornalista, você está escrevendo uma nova história da UERN: antes e depois desta cobertura jornalistica que está fazendo vazar a lama ordinária dos seus bastidores.
Zuleide Caldas on 2 de março de 2009 at 10:28.
Coisa boa este Blog que acesso todos os dias para ler o que escreve FJ. É uma beleza ficar sabendo das coisas por alguém que sabe escrever e toca fundo na ferida, como jornalista independente que é.