Crise afeta mulheres de banqueiros
Por O Santo Ofício | 31 janeiro, 2009
Por Elena Moreno
De Yahoo Notícias-EFE
Nova York, 31 janeiro.- A crise de Wall Street não afeta somente poderosos executivos, mas também suas mulheres e namoradas, que cansadas de homens pouco atenciosos e frustrados por seus problemas econômicos, decidiram criar um site para compartilhar desfeitas, segredos, humor e algum truque para enfrentar estes tempos difíceis.
“Estamos aqui para te ajudar nos momentos difíceis”, diz a introdução do site, batizado “Daba Girls – Dating a Banker Anonymous” (Garotas saindo com um banqueiro anônimo, http://dabagirls.wordpress.com) e que, para encorajar suas visitantes, garante que está “livre do escrutínio das feministas”.
O sombrio panorama em que muitos executivos afundaram com o desastre de símbolos do capitalismo, como o banco de investimentos Lehman Brothers, chegou também a suas companheiras, que na página “Daba Girls” se queixam, muitas de forma anônima e recorrendo a velhos clichês, que os tempos mudaram irremediavelmente.
Acabaram os jantares em restaurantes exclusivos, os cartões de crédito ilimitados para comprar modelos em seletas lojas nova-iorquinas como Bergdorf Goodman, Barneys ou Saks, Manolo Blahniks e Jimmy Choos de US$ 800 e os luxuosos fins-de-semana nos Hamptons – áreas chiques de Long Island.
Também chegou para eles a época das economias, e nesses dias no distrito financeiro de Manhattan, é possível ver mais de um executivo, ex-agressivo, comendo um hambúrguer com batatas fritas em restaurantes populares de fast-food.
O site “Daba Girls” foi criado por duas boas amigas “com relacionamentos em meio a brigas, por causa da economia. Sem saber o que fazer, fizemos o que qualquer menina frustrada, mas eloquente fez desde sempre, começar um diário”, dizem suas fundadoras no portal.
“Portanto, se reduziram seu crédito mensal na Bergdorf à metade e o direito a ter uma garrafa em um bar desapareceu de sua vida, relaxe, sorria e conte-nos suas histórias”, dizem no blog.
“Esta terrível experiência antecipou em pelo menos dois anos meu encontro com a toxina botulínica”, escreve na página uma das “vítimas”, insinuando a chegada precoce de rugas.
Com humor frívolo, ela afirma que a crise econômica está “causando estragos” em seu físico e em sua vida social, pois seu “namorado” agente financeiro perdeu o trabalho, “o que acho que tecnicamente o torna um amigo”.
Ela também se queixa do comportamento do já “só amigo”, que em questão de dias “passou de nunca estar disponível a ser pegajoso. Quer que jantemos toda noite, mas por jantar entende que cozinhe para ele, pois o Megu (badalado restaurante japonês) já não está em seu orçamento”.
O comentário de Megan e Laney, por exemplo, lembra com nostalgia os tempos, antes da recessão, “quando sentia que, com meu namorado executivo, poderia conquistar o mundo… Juntos, podíamos subir a escada corporativa, para depois, uma vez feita a ‘caixa’, seguir caminhos mais filantrópicos e artísticos”.
Esse objetivo vital, descrito com frieza e cara-de-pau, é o de algumas mulheres da alta sociedade nova-iorquina que se transformaram em colecionadoras de arte, o que com a chegada dos maus tempos, serviu para ajudar seus arruinados maridos.
É o caso, por exemplo, de Kathleen Fuld, mulher do ex-presidente do Lehman Brothers, que durante anos acumulou uma multimilionária coleção de obras, que já começou a vender para recuperar liquidez e ajudar o ex-banqueiro a enfrentar seus problemas econômicos.
Para “Courtney”, de 24 anos e que se define como “a outra” de um financeiro “ex-bem-sucedido, com uma bonita casa, uma mulher bonita e filhos adoráveis”, a crise financeira significou renunciar a “férias fabulosas durante suas viagens de negócios, presentes, comidas ‘gourmet’ e afeto”.
As exigências de Courtney a seu amante pela falta de atenção e viagens, conta ela no blog, acabaram em briga, “os primeiros gritos em dois anos”, expressando a angústia porque ele tinha “que despedir 20 pessoas antes de sexta-feira” e a desculpa de que “agora, minha mulher notaria qualquer despesa extra”.
Uma dessas frustradas namoradas, após várias advertências ao estressado e desatencioso banqueiro, escreve no blog que “se mandou” de casa e viajou para a América do Sul, onde -confessa- teve uma “aventura” em Buenos Aires.




1 Comentário
Rodrigo Fosneca on 2 de fevereiro de 2009 at 11:59.
Estou gostando demais dessa espécie de “clipping” que vc está fazendo, publicando artigos e informações dispersas na grande rede… Esse toque espirituosofaz a diferença e nos torna aficionados desta página.