FORTALEZA
Por O Santo Ofício | 7 dezembro, 2008
Por Franklin Jorge
Cidade iluminada por suaves neóns, Fortaleza antecipa algumas das melhores pinturas de Antonio Bandeira, o feérico artista cearense que transpôs para muitas de suas telas o spleen de Paris, onde viveu os últimos anos de sua vida de gênio perdulário.
Eternamente acossada pelo mar bravio, Fortaleza passou de aldeia a metrópole sem perder a sua graça. No Nordeste, rivaliza em prestigio com o Recife, embora das duas capitais tenha suportado melhor a marcha inexorável do progresso. Os natalenses, não sem uma pontinha de inveja, referem-se a Fortaleza como a “capital de Mossoró”, talvez porque a cidade do oeste mantém um movimentado e constante comércio com o Ceará, entreposto comercial por excelência.
Ray, jovem e cheio de esperança, guia os meus passos nesse passeio por uma Fortaleza populosa que não conhece esmorecimentos nem derrotas. Não há em Fortaleza o desemprego e a miséria de outras grandes cidades, como o Recife e Salvador, por exemplo e, se o fortalezense migra – diz-me Ray, oferecendo-me água de côco – é para sentir saudades de sua terra natal. Acho plausível o seu argumento e aplaudo a sua verve.
Em Fortaleza o crepúsculo visto da Ponte Metálica é soberbo, garante-me, levando-me em sua direção. Cada logradouro se reveste de um encanto particular, acrescido da inesgotável cordialidade desse povo com alma de mascate, sempre disposto e atarefado, incapaz dde negar-se a começar uma nova aventura.
Revejo, em sua companhia, lugares meus conhecidos e descubro outros novos para mim, como a Volta da Jurema, onde há uma feira de artesanato concorridíssima. Praia do Futuro, mais que um nome, um símbolo de alguma coisa futura, repleta de barracas que servem peixe frito e cerveja, muito procurada pela moçada bonita e pelos turistas ávidos de curiosidade e prazeres baratos. Barra do Ceará,a predileta de Ray, é uma praia de footing e namoros. Morro branco. Caponga. Lagoinha, de onde se tem à noite uma bela visão dos fogos da plataforma de Paracuru. Ah, a graça telúrica dos nomes com que Fortaleza se embeleza e cativa.
Ray me fala sobre Cascavel, onde nasceu e seus pais ainda residem. Ele os visita, não sem uma certa emoção, em suas folgas e fins de semana. Em Fortaleza, sua terra de eleição, mora no Jardim Iracema, bairro tranqüilo que visito em sua companhia e que ele percorre a pé, todos os dias, ao voltar do trabalho como caixa num restaurante muito freqüentado por turistas, onde o conheço esbanjando carismas. Tem somente 23 anos. Netuniano, a praia é o seu lazer.




Viva voz