FRANKLIN JORGE.COM
Por O Santo Ofício | 5 agosto, 2008
Franklin Jorge. Foto by Paulo Oliveira [2004]. Arquivo
Texto transcrito de Substantivo Plural
Por Laurence Bittencourt Leite
É minha opinião que, mesmo não estando mais tão presente no jornalismo diário em nosso estado, Franklin Jorge parece, na verdade, nunca ter saído de moda. Mas por que digo isso? Para quem tem acima de trinta anos e é leitor (mesmo que um leitor eventual) de jornal, sabe que o jornalista Franklin Jorge é bastante conhecido no RN. Para as gerações mais novas – usuária da internet, por exemplo — talvez não, e essa entrevista tem o objetivo de apresentá-lo a esse segmento que tem crescido em proporção geométrica. Sem querer cair no senso comum – termo que ele próprio talvez evitasse ao escrever –, Franklin Jorge é aquilo que no jargão jornalístico chamamos de “franco atirador”. Incomodou a muitos, e ainda incomoda, em especial aos políticos, algo que fica claro nesta entrevista. E é com esse objetivo em vista que o leitor deste “Substantivo Plural”, pode (e terá) a oportunidade de conhecer e entrar em contato com o Franklin Jorge jornalista, em diversos momentos crítico do próprio jornalismo, o escritor e o agitador cultural, além do analista e crítico da política e da cultura local e nacional. No momento, radicado em Mossoró, ele se prepara para colocar em circulação ainda no mês de agosto o seu próprio site, depois de ter sido, no ano 2000, um dos pioneiros do jornalismo virtual em terras potiguares com a revista “Navegos”, que reuniu um elenco de colaboradores de primeira grandeza e se tornou em seu gênero um modelo nunca superado. Nos últimos anos,voltado para o jornalismo virtual, tem colaborado em vários sites de jornalismo e cultura, como “Conexão Maringá”, “Cronópios”,”Speculum”, “Letras e Livros”, “Carlos Santos” e “Observatório da Imprensa”. Vamos à entrevista.
Laurence Bittencourt Leite – Talvez muitos jornalistas das novas gerações não saibam que você foi e é, dentro do jornalismo potiguar e do país, uma referência para muita gente, pelo seu estilo franco e direto. No entanto, você está ausente do jornalismo diário faz um bom tempo. Quais os motivos dessa ausência?
Franklin Jorge – Com o tempo o jornalismo, produzido numa perspectiva de serviço ao leitor e à cultura, fatalmente decepciona. Porém, no meu caso, tive que enfrentar durante mais de vinte anos a pressão de oficialescos e de políticos mal satisfeitos com a franqueza de minhas opiniões. Por último, depois de perder o tesão pelo jornalismo, escolhi coisas mais interessantes para fazer, como voltar a viajar regularmente por minha terra, colocando-me assim em contato direto e permanente com os meus conterrâneos – pois o meu texto surge desses encontros –; cuidar dos meus arquivos e da reelaboração dos meus escritos, por uma questão de exigência de qualidade e por prazer, pois o trabalho intelectual é o que me diverte. E, depois da Internet, posso me entregar a isso sem outra preocupação a não ser a de fazer bem o que me proponho fazer – que é reescrever uma mesma página dez, quinze, vinte vezes… Afinal, se a vida é curta, por que desperdiçá-la com coisas que aborrecem, como o “jornalismo de cabresto”, não é mesmo?
LBL – Qual a tua opinião sobre o jornalismo potiguar feito hoje? É de bom nível ou já foi melhor?
FJ – Nosso jornalismo é praticado como uma forma de rotina e, como tal, não apetece nem satisfaz à minha curiosidade de leitor em busca da essência dos fatos. Por ser “de cabresto”, carece ainda de opinião, de investigação e interpretação dos fatos. Decididamente, não é instigante, não provoca nem desafia a inteligência do leitor, como seria de esperar de um jornalismo ágil, moderno, prospectivo. Como todo o resto, creio que já foi melhor, na forma e no conteúdo, pois já tivemos grandes jornalistas, entre os quais alguns mestres como Lucas da Costa, Cascudo, Edgar Barbosa, Américo de Oliveira Costa, Sebastião Carvalho, Myriam Coeli, Francisco Amorim, e mais recentemente, João Gualberto Aguiar, Adriano de Souza, Aderbal de França, Emanoel Barreto, Dorian Jorge Freire, Jayme Hipólito Dantas, Carlos Morais,Paulo Araújo, Carlos Peixoto, Carlos Magno Fernandes, Paulo Augusto, Michelle Ferret, Rodrigo Levino, Rafael Duarte, Eliade Pimentel, Alexis Peixoto etc, nomes de que eu me lembro agora, quando a memória já começa a sofrer curtos-circuitos.
LBL - Eu queria tocar num tema sobre o jornalista polêmico. Mesmo no livro do pesquisador Tarcisio Gurgel “Informação da literatura Potiguar”, está lá escrito sobre você: “mudando-se para Natal, enveredou definitivamente pelo jornalismo, onde tornou-se polêmico, em razão da sua irreverência e destemor”. Essa marca de polemista dentro do jornalismo é fidedigna, ou as pessoas esqueceram um outro Franklin?
FJ – Creio que, como todo estereótipo, é falso e resulta algumas vezes duma mal disfarçada discriminação que atende especialmente à malicia e à inveja, típicas do provincianismo e das culturas enquistadas. E é lamentável que assim seja, não por mim que sei me defender e tirar partido da ação dos mal-intencionados, mas porque revela o baixo nível da nossa cultura e a má índole de alguns opinadores. De fato esqueceram o outro Franklin Jorge. Ora, a polêmica é contingente. E, embora esteja na essência mesma do jornalismo e de toda dialética, não pudemos fazer dela profissão. Porém, acima de tudo, há a obra que nos justifica e por ela é que seremos julgados – não pelas polêmicas. Apesar dos muitos tarcísios que há por aí, espreitando-nos, para nos pespegar rótulos.
LBL - Ainda sobre esse tema. Numa entrevista que fiz num passado recente com o jornalista e escritor Diogo Mainardi, o mesmo disse que falar mal no Brasil não dá Ibope. Em um Estado como o nosso, ser polêmico é um empecilho?
FJ – Empecilho é pouco. Aqui, na província onde todos são reis e carregam o rei na barriga, ser polêmico é se deixar enterrar vivo. É ser lapidado todos os dias, geralmente através dos expedientes mais mesquinhos e reprováveis, como o anonimato, que contraria a própria ética jornalística e põe em dúvida o caráter de que produz ou divulga. Recentemente fui vitima de uma canalhice atroz, mas felizmente, como tenho uma obra que me defende dos invejosos e recalcados, o tiro acabou saindo pela culatra do ofensor anônimo e covarde.
LBL - Há uma polêmica famosa travada por você, com o escritor Ney Leandro de Castro, que depois de um longo período morando no Rio de Janeiro, voltou a nossa terra. Para quem não acompanhou na época, o que foi essa polêmica? Você gostaria de falar sobre esse assuntou? E até acrescentaria: você tem ressentimentos dentro do jornalismo?
FJ – Sempre as polêmicas… Foi algo extremamente gratuito, mas didático, pois me colocou em contato direto com o invejoso e maligno espírito provinciano; e, por outro lado, foi gratificante, pois me proporcionou o surgimento de novas amizades e o apoio de pessoas decentes que perceberam a má fé do contendor. Não, absolutamente não sou de guardar mágoas nem ressentimentos. Não costumo perder tempo com o mal nem com indivíduos perversos… A propósito, eu pensava que ele já tivesse morrido…
LBL - Vamos falar um pouco sobre teu inicio no jornalismo. Você, nascido numa terra de grandes jornalistas, o Ceará-Mirim, por que optou pelo jornalismo? Quais os teus ídolos, as tuas referências primeiras?
FJ – Eu não diria ídolos, mas mestres. Todos sem exceção, grandes no âmbito das letras, como Thomas Mann, que li e reli desde a adolescência; Baudelaire; Proust; Montaigne; Shakespeare; Nietzsche….paremos nesses. Não me lembro de ter tido ídolos alguma vez. No jornalismo, minha primeira referência foi Edgar Barbosa, meu parente; depois, o pernambucano Mauro Mota, Nilo Pereira, Adalgisa Nery, Tarso de Castro, Walmir Ayala, Ascendino Leite, e os expoentes da contracultura, atuantes em “O Pasquim” [em sua primeira fase] e em “Flor do Mal”. Como vê, sempre busquei a qualidade.
LBL - Faça um resumo sobre onde você atuou, em que jornais, isso aqui no Rio Grande do Norte.
FJ – Atuei, praticamente em todos os jornais daqui; fundei dois ou três de vida curta e, por último, participei, como editor, da implantação do “O Jornal de Hoje”. Dirigi a sucursal dos Diários Associados em Mossoró e, no Acre, o Complexo de Comunicação O Rio Branco [jornal diário e emissora de tevê]. Atualmente escrevo uma vez por mês no jornal de Nadja Lira, “Mensageiro Potiguar” e, por último, semanalmente na “Folha Potiguar”, recém-fundado em Mossoró por Judas Tadeu. Não tenho mais vontade de escrever em jornais, e, se o faço é porque meia dúzia de leitores me cobram, por e-mails, pessoalmente ou telefonemas que o faça, pois sentem empatia pelo que escrevo e como escrevo. Faço-o sobretudo porque, afinal, não perdi ainda a capacidade de indignar-me com o mal, que é todo-poderoso e nos espreita de toda parte. Mas não pretendo mais voltar a uma redação e ao jornalismo impresso, a não ser, eventualmente, como agora, no caso da “Folha Potiguar”, que se tornou meu parceiro no meu blogue. No momento, estou trabalhando para botar no ar o meu blogue, www.franklinjorge.com, que está sendo confeccionado pela Grospin, uma empresa daqui.
LBL - Houve um momento na tua vida que você foi morar no Rio de Janeiro. Quando foi isso e o que te levou a sair de Natal? Você trabalhou como jornalista por lá? Como foi essa experiência?
FJ – Foi há muito tempo, num outro século, sem dúvida. Escrevi na “Tribuna da Imprensa” e na revista “Vogue Brasil”. Na verdade, nessa época o meu interesse maior era pela literatura e as artes plásticas – pois também sou artista plástico –, não pelo jornalismo. O jornalismo tem sido em minha vida uma mera contingência. E, embora tenham me ensinado a disciplina, não o aconselho a ninguém. Meu negócio, realmente, é a literatura. É o que me instiga e deleita. Além disso, para produzi-la, não preciso da ajuda de ninguém…
LBL - E sobre tua passagem de três anos pela Amazônia? Você é um andarilho? O que te motivou a ir para a Amazônia?
FJ – Ah, sim, isso me interessa: a Amazônia e as viagens. Desde menino, vivendo no Estevão, atraía-me a mitologia amazônica, presente na memória dos antigos, pois em 1877 uma leva muito grande de norte-rio-grandenses, fugindo da seca, foi parar no Norte do país, na época, uma região inóspita. Esse episódio, já um tanto remoto, deixou marcas profundas em muitas famílias dos vales do Açu e do Ceará-Mirim – minhas primeiras referências geográficas –, que tiveram parentes entre os que migraram. Meu bisavô e um tio maternos fizeram parte desse contingente. A Amazônia fazia parte do imaginário dessa gente que me contava histórias fabulosas que alimentaram a minha imaginação; a imaginação de um menino que já pensava em se tornar escritor, mesmo sem saber o significado profundo do ato de escrever. Além disso, minha avó deu-me para ler o livro de Gastão Cruls, que em sua época foi um desses grandes escritores de terceira categoria – do mesmo tipo de um Paulo Coelho atualmente, embora escrevendo sobre uma temática muito diversa da que inspira o “mago” –, mas, apesar de autor medíocre, Cruls aguçou em mim o interesse pelas peculiaridades da geografia e da cultura amazônicas. Já homem feito, tive uma relação de amizade com o grande compositor paraense Waldemar Henrique que desentranhou, para mim, outras Amazônias, especialmente no âmbito da música, da etnografia e da estética em geral. Porém, da mesma forma que agora passo a dedicar-me a uma blogue na Internet, em dado momento de minha vida fui para a Amazônia porque aqui não conseguia trabalho, por causa da pressão de meus desafetos.
LBL – Além do jornalista, há também em Franklin o artista, o escritor, o poeta… Que tipo de escritor e poeta é Franklin Jorge? Como você se definiria enquanto um e outro?
FJ – Alguém que se delicia e se atormenta com a criação, e, como o próprio autor das “Flores do mal”, sente a vertigem do movimento e o carisma dos números. Confesso que estimo ser um escritor do tipo construtivista, aberto às seduções da linguagem, imbuído do espírito da síntese e do abismo metafísico. Porém não sei se o logro. A crítica que julgue. Porém devo dizer que há vinte anos não escrevo um verso. Embora tenha amealhado boa fortuna critica com o gênero, não creio que minha poesia tenha grande valor, a não ser como parte de um processo, ao delatar a natureza das minhas inquietações espirituais. Meu negócio é a prosa, a entrevista, a critica, especialmente a prosa ensaística, através da qual posso exercitar o meu espírito analítico e interpretativo. Acho a poesia um facilitário tremendo, uma armadilha capaz de acolher o que temos de mais medíocre no âmbito da literatura. Prova-o o excessivo número de poetas militantes e a má qualidade dessa produção epidérmica e inculta que não pára de crescer como uma célula cancerosa. Felizmente já paguei meu tributo à poesia.
LBL - Que tipo de leitor é Franklin Jorge? Você é seletivo em suas escolhas de leituras? Como sei que você é um apaixonado por Jorge Luís Borges, que autores e obras mais te influenciaram como escritor?
FJ – Quis ser apenas um leitor exemplar, hipercrítico e, portanto, seletivo. Afinal, como disse, não gosto de perder tempo, que considero o bem mais precioso e o único que, quando desperdiçado, não pode ser recuperado. Sobre os autores, apontaria naturalmente Borges, entre outros, como Daudet, o mestre de Proust; Baudelaire; Montaigne; Maquiavel; Thomas Mann; Yukio Mishima; Marguerite Yourcenar; Thomas Hardy; Stevenson, o mestre de Borges; Melville; Hawthorne e toda literatura norte-americana clássica; os existencialistas; os metafísicos ingleses; os humanistas em geral; os greco-latinos, além de Shakespeare, Molière, Nietzsche, Machado de Assis, Murilo Mendes, Antonio Carlos Villaça, Ascendino Leite, João Cabral de Melo Neto, Lúcio Cardoso…alguns na forma, outros no conteúdo e no visionarismo literários. Não digo que me influenciaram, mas, ao estudá-los, por uma questão de afinidade estética, percebi as potencialidades da literatura. Considero-os os meus verdadeiros mestres, pois, ao perlustrar sua obra, senti-me desafiado e desde então me empenhei em resistir ao comodismo que caracteriza os autores suscetíveis à auto-satisfação.
LBL - Por falar nisso e mesclando com o fazer jornalístico, qual tua opinião sobre o jornalismo cultural feito em nosso Estado?
FJ – Muito precário, culturalmente, e sem expressão, além de estar à serviço duma leviandade extensa e arraigada, como essa elefantíase de egos inflamados de que adoecem as nossas letras. A propósito, por onde anda mesmo nosso jornalismo cultural? Alguém o viu por aí… ? Temos sim, e em profusão, colunismo mundano e político. E, mais recentemente, como uma charmosa nova onda, o colunismo literário. Já notou que atualmente todos são “jornalistas culturais”?
LBL – Franklin, é sabido que viver de livro num país como o nosso (com raríssimas exceções), ainda é um desafio, para não dizer quase uma impossibilidade. Qual tua explicação para esse fato?
FJ – O livro no Brasil tem um preço exorbitante que não coincide com a economia doméstica da média dos brasileiros, cada vez mais escorchados por esse tsunami de impostos. Essa distorção perversa torna o livro inacessível. Creio que é isso, pois a experiência me diz que há muita sede de leitura reprimida. Já fundei nove bibliotecas comunitárias e tenho feito regularmente doações, mas representam gotas num oceano. Também faz-se necessário um esforço coletivo regular e permanente em favor da leitura. Mas isso depende de uma política do livro que não há. Veja o caso do “cheque-livro” – uma boa idéia –, manuseado por professores sem o traquejo da leitura e sem discernimento em relação ao que é o que não é literatura. Está servindo apenas para a aquisição de um rebotalho de autores que encalharam nas livrarias e acabam desovados nas bibliotecas escolares, pois quem os adquire o faz sem critério.
LBL - Você estreou em 1976 com o livro “Proibido para menores de 18 amores”, em parceria com Leila Miccolis, escreveu poesia “Poemas diabólicos” em 1982, “Fantasmas cotidianos” em 1994, uma coletânea de ensaios, reportagens e entrevistas que você denominou “O Spleen de Natal”, e em 1998 “Ficções Fricções Africçoes” que ganhou o Prêmio de Literatura Luís da Câmara Cascudo, da Prefeitura de Natal, com o livro “Ficções, Fricções e Afecções”, entre outros trabalhos. O que podemos esperar ainda mais do Franklin artista para os próximos anos?
FJ – Tenho um grande acervo de manuscritos dos quais poderei extrair ainda muitos outros livros, mas não tenho mais essa vaidade. Minha preocupação atualmente é no sentido de sintetizar e ou fundir em novas obras os 40 livros inéditos que me obsediam. Não tenho pressa em publicar, o que tenho feito com parcimônia, por diversos motivos, embora tenha amealhado uma grande fortuna em títulos inéditos. O momento agora é o do leitor, ou seja, da pessoa que age sobre o texto que lê; quero dizer, do escritor que crê ter o tempo como aliado e se empenha em reescrever o texto, como um palimpsesto.
LBL – Qual a importância de Câmara Cascudo para o nosso Estado e cultura?
FJ – Toda importância. Algo, enfim, que não mais se discute, diante do seu legado cultural. Como todo grande artista da palavra, Cascudo devotou-se à memória e reuniu para o conhecimento e deleite dos pósteros, numa prosa personalíssima, a poeira luminosa dos séculos e aproveitou, numa obra monumental que esclarece e amplia, tudo o que sabíamos sobre o Rio Grande do Norte, esta nossa querência emblematizada sob a forma de um elefante manco e desmemoriado. Cascudo salvou através de tudo o que escreveu em mais de cinquenta anos de vida intelectual, a essência mesma do que somos ou pretendemos ser, como uma comunidade de homens. Foi Cascudo um dos meus mestres e, como tal, continua sendo.
LBL - Recentemente em uma entrevista para a revista “Papangu”, você disse entre outras coisas que Câmara Cascudo seria “o verdadeiro inventor do Rio Grande do Norte”. O que você quis dizer com isso?
FJ – Antes de Cascudo, tínhamos um conhecimento precário e incipiente do Rio Grande do Norte e ele, com talento, trabalho e persistência admiráveis, diria quase que heróicas, legou-nos um passado, livrando-nos da cegueira e da ignorância. Sem a sua obra, que dimensão teria nossa terra, alheada da história, se não a de um elefante manco que não consegue andar nem mesmo dentro dos nossos limites geográficos?
LBL - Quais os grandes nomes da literatura norte-rio-grandense?
FJ – No passado, Nísia Floresta, autora de uma prosa cativante que revela e dimensiona a mulher observadora, arguta, sensível e culta, autora de relatos de viagens memoráveis; João Lins Caldas que, menino no Açú, conheci frequentando a casa dos meus avós, à rua Moises Soares 89. Madalena Antunes, autora de “Oiteiro”, memória de uma sinhá moça; Edgar Barbosa; Ferreira Itajubá; Jorge Fernandes; João Lins Caldas; Aurélio Pinheiro; Peregrino Júnior; Homero Homem; José Bezerra Gomes; Milton Pedrosa; Palmira Wanderlei, sobre quem Anna Maria Cascudo Barreto acaba de publicar um livro marcante; Nilo Pereira; Américo de Oliveira Costa; Sanderson Negreiros; Renard Pérez; Myrian Coeli; Zila Mamede; Lucas da Costa; Berilo Wanderlei; Jorge Fernandes; Américo de Oliveira Costa; Augusto Severo Neto; Luiz Rabelo; Jaumir Andrade; Walflan de Queiroz; Adriano de Souza; Márcio de Lima Dantas; Edna Duarte; Heloisa Maranhão; Jacirema Tahim; Jorge Luiz Azevedo; João Gualberto Aguiar; Jarbas Martins; Franci Fernandes; João Batista de Morais Neto; Newton Navarro e, evidentemente, Luís da Câmara Cascudo.
LBL - Acha que fazer literatura no nordeste é mais complicado que no sul e sudeste?
FJ – Faz-se literatura em qualquer parte e sob qualquer circunstância. Por isso, aqueles que criam dificuldades para os artistas, apenas gastam tempo e energia, pois os verdadeiros artistas, aqueles que têm talento, sempre vencem as dificuldades. Sempre escrevi sob condições adversas; sempre tive de trabalhar para financiar meus projetos literários. Como tenho feito ao longo da história, independentemente da geografia, outros também fizeram e continuam fazendo e, assim, desmoralizam os obstáculos e as complicações com que se deparam sempre os homens inteligentes e cultos. Agora, no caso especifico do Rio Grande do Norte, a questão é extraordinariamente mais complexa, pois além de todos os obstáculos rotineiros com os quais se depara o artista em toda parte, há a atuação negativa das instituições culturais que trabalham contra os artistas. Temos tido sempre os piores gestores na área da cultura; uma gente arrogante e despreparada, incapaz de se aperceber que a cultura popular que nos compete é a urbana e não a rural [no caso especifico de Natal, que é, como sabemos, uma cidade-estado]. Aqui, apenas macaqueamos Pernambuco, nada mais. Nossa cultura, a cultura potiguar, natalense, está assoberbada de cartolas que sugam e alijam os talentos verdadeiros e autênticos que, por serem autênticos e verdadeiros, acabam vencendo a pressão da inveja e do marasmo tipicamente provincianos. Pois não há coisa mais terrível que o talento, sobretudo para uma elite de indigentes que se desespera ao perceber que as instituições e os cargos não fazem artistas nem conferem talento a ninguém. Essa constatação acaba redundando em um castigo terrível para os expropriadores da cultura e da cidadania.
LBL - Aqui em Natal nos ressentimos muito da falta de apoio à cultura. Qual a tua opinião sobre as políticas culturais em nosso Estado no momento atual?
FJ – Bem, eu diria que sob os sucessivos governos de Wilma de Faria ficamos culturalmente mais pobres e decepcionados. Em 30 anos de atuação, nunca vimos aqui nenhuma tentativa séria de política cultural. Tudo depende da vontade imperial dos governantes e de gestores que a rigor nada produzem, enquanto os verdadeiros criadores jamais são chamados a atuar, exceto quando se aventuram pelas camarinhas dos poderosos e aceitam desempenhar o papel de áulicos ou de cabos eleitorais; a maioria dos artistas tem quase sempre seus interesses prejudicados por esses gestores sem cultura e sem grandeza. Há muito que a nossa cultura está sujeita à vontade e ao arbítrio de cartolas caninos.
LBL - Este ano deveremos ter a 3º Bienal do Livro de Natal. O que você pensa desse tipo de evento?
FJ – São feiras de negócio e de exposição de figuras – sempre as mesmas, notaram? – e, nem sempre, as mais relevantes para a cultura. Sustenta-se exclusivamente no uso do “cheque-livro”, geralmente gerenciado por professores de boa vontade, mas desprovidos de cultura; incapazes, portanto, de estabelecer um cânone ou de orientar a leitura na direção da qualidade que, segundo Lênin, deve estar presente em tudo. Aqui a bienal tem sido uma espécie de vuco-vuco, de escassez de talentos e excesso de mofo, um mero sarau provido de atores chulos, jogados de qualquer jeito num depósito mal cuidado e senegalesco. Clotilde Tavares, por em duas ou três edições a curadora do evento, não podia ser mais inadequada para a função, por sua atuação discriminatória e ineficiente; alguém que trafegava no limite do gueto, excluindo os autores locais a não ser aqueles menos representativos e da panelinha. Quando ao seu idealizador e organizador, bem, talvez seja melhor não dizer nada; a não ser que é a mediocridade em maciez e pessoa. Uma feira de livros deveria ser a oportunidade de encontros, de interação entre autores e público, de troca de idéias e de experiência. Um momento de celebração da cultura e de Natal, a cidade mítica e a real, mas também um meio de colocar em evidência, sem paternalismo e nem discriminação os talentos locais; os emergentes e sobretudo todos aqueles que têm uma obra competitiva. Mas, infelizmente não é o que acontece: uma corja de aproveitadores usa o dinheiro público para promover um mero sarau e discriminar os autores locais que ficam alijados ou participam apenas aquelas figuras carimbadas de sempre, que não implementam sangue novo nem fornecem o combustível necessário ao debate. O Encontro de Escritores, por sua vez, pareceu-me um desses saraus como eram promovidos antigamente pelos colégios de freiras para assinalar a passagem do Dia do Livro. Não é coisa séria nem relevante para a cultura ou para Natal. Não incrementa nada de positivo à cultura local. Creio que é uma forma de jogar no lixo o dinheiro dos nossos impostos. É apenas o combustível necessário à autopromoção de um grupos de apaniguados. Creio que se faz necessária a criação de uma Promotoria da Cultura, para fiscalizar esse dinheiro e impedir o desperdício. Em matéria de inconseqüência já temos o Carnatal. Agora, temos de aturar ainda carnatais literários…
LBL - Curioso que na entrevista para a revista “Papangu”, quando perguntado se há muitos impostores no meio intelectual e artístico local, apesar de não dizer nomes, você disse que se fosse dar nomes “seria apontar um abismo”. Eu te pergunto, quais seriam esses nomes?
FJ – Nesse caso seria mais interessante enumerar apenas os cartolas que se apoderam da nossa cultura, por nomeação e má vontade dos governantes em relação ao mundo das idéias e da cultura. Porém, como são numerosos e estão em toda parte, prefiro não comentar.
LBL - No nível local, o que tem achado do governo Wilma de Faria e do Prefeito Carlos Eduardo? Que nota você daria para eles?
FJ – Aqui no Rio Grande do Norte, o caldo da política também entornou. A governadora Wilma de Faria já foi longe demais e já não consegue remendar nem chulear seus próprios furos administrativos e políticos. Saúde, segurança, cultura, ação social, enfim, tudo que não era sólido está se desmanchando no ar. Estamos chafurdando, pois, na mais rigorosa e voraz mediocridade. Não admira que o prefeito Carlos Eduardo Alves siga pelas mesmas veredas abertas por sua mestra. Seu secretariado cheira a mofo e provincianismo. Mas, apesar disso, Carlos Eduardo tem dado provas de que é um administrador capaz e está contribuindo para mudanças estruturais que serão apreciadas no futuro; não, infelizmente, no âmbito da cultura, que continua provinciana e sem aquele sotaque cosmopolita que me parece ser inerente à vocação de Natal. Quando ao governo do estado, em matéria de cultura realmente chegou ao fundo do poço. A FAPERN, por exemplo, que deveria ser uma instituição de ponta – como as suas congêneres –, faz coisas pontuais que não refletem a complexidade da cultura autêntica; o que não admira, considerando-se o nível intelectual de seus gestores, que podem estar montados em vistosos doutorados, mas não têm cultura nem são positivamente do ramo. No máximo, poderá servir feijão com arroz e mistura de ovo frito, acompanhados de prosaica salada de alfaces. O comezinho, enfim, que caracteriza a sua ação no âmbito das idéias. Não esperem um cardápio mais substancioso. Estamos sob o império da indigência intelectual.
LBL - Você em 2000 tentou colocar seu nome como candidato a eleição para vereador aqui em Natal, pelo Partido Verde. Primeiro, por que você desistiu? Segundo, você ainda pensa em candidatar-se algum dia, ou a experiência foi desanimadora? E, terceiro, você acha que política cai bem para um intelectual?
FJ – Primeiro, quis ser candidato a deputado federal pelo Partido Social Trabalhista e não vereador, mas renunciei à candidatura para não me tornar refém de uma quadrilha de malfeitores. Segundo: Deus me livre de tal. E, finalmente, esta terceira e última questão que você me colocou: nada cai melhor, num autêntico intelectual, do que a política. Ambos — o político e o escritor — lidam com idéias e ambos aspiram à ação. Maquiavel é um exemplo dessa complementaridade entre criação e idéia, entre o discutir e o fazer, entre o pensar e o agir que é a voz e a musculatura da política. Mas, sinceramente, mudei de idéia quanto a mandatos. Já tenho um, que resulta da minha ação de escritor e do que escrevo. Além disso, o escritor tem um mandato vitalício e soberano que não depende de conchavos e, no meu caso especifico que uso a tribuna do jornalismo impresso e virtual, permite-me influir sobre a opinião pública… Agora, só quero contribuir para melhorar o nível do debate e ajudar, dentro dos meus limites, a eleger os melhores.
LBL – Por fim, qual o conselho que você daria para alguém que quer se iniciar no ramo jornalístico e literário aqui em nosso Estado?
FJ – Que leia muito, observe e tenha colhões [no caso dos homens, claro, pois uma mulher de colhões seria uma aberração tremenda]. Porém só escreva se não puder deixar de fazê-lo [e sempre é possível deixar de fazê-lo...]. No mais, tenho dito.





20 Comentários
ROMAN CORTEZ on 6 de agosto de 2008 at 11:01.
PARABÉNS. ENFIM UM BLOG COM CONTEÚDO E ESTILO. SÓ POSSO DESEJAR QUE DEUS O GUARDE DA INVEJA ALHEIA.
Francisco Bittencourt on 6 de agosto de 2008 at 15:14.
Gostei e vou recomendar seu blog. São poucos os intelectuais do seu gabarito. Pensava que Natal só tinha geografia (estou hoje em Mossoró a caminho de Areia Branca, de férias). Agora sei que tem um dos gandes escritores da atualidade. Me chamou a atenção a sua foto. Quanto ao seu estilo, leve e profundo, dispensa comentários. Agarra simplesmente o leitor.
Bruno Gaudêncio on 6 de agosto de 2008 at 21:42.
Foi em entrevista como essas que eu descobri a importância deste escritor chamado Franklin Jorge. Já esta entre os meus favoritos no meu Blog. Parabéns!
MICHELE SOUZA on 7 de agosto de 2008 at 12:42.
Gostei muito dessa entrevista e de todo blog. A vontade que dá é comentar tudo, mas infelizmente não dá. Estou ansiosa para que entre no ar o site com tudo o que o Franklin Jorge promete fazer. Nao conhecia esse jornalista pois raramente leio jornais, mas navego muito na net e vi seu nome várias vezes, mas nunca acessei porque pensava que ele só escrevesse baboseiras que nao interessam. O que ele diz sobre jornalismo é a pura verdade. Penso a mesma coisa, mas nunca tive a oportunidade de falar a respeito. Parabéns, Franklin. Seu site, se for igual ao blog, vai bombar.
Ricardo Abrão on 7 de agosto de 2008 at 14:34.
Seu Blog´tem conteúdo e uma forma agradável e despojada. Mas o que me prende mesmo é a clareza do seu pensamento e a forma como bota o dedo na ferida. O que escreve sobre jornalismo deve ser estudado e discutido nos cursos de comunicaçao. É a pura verdade que até quem nao é do ramo entende e assina embaixo. Já o coloquei entre os meus Favoritos.
Valdivan on 7 de agosto de 2008 at 16:21.
Grande entrevista. O jornalista Laurence Bittencourt Leite está de parabéns por abrir esse canal do leitor com um dos nossos maiores escritores. É pena que o tempo seja curto, mas a vontade que dá, depois de ler cada página desse blogue, é comentar cada uma com o maior entusiasmo. Não sei se gosto mais do Franklin falando ou escrevendo.
MENDONÇA PIRES on 7 de agosto de 2008 at 16:44.
Seu Blog tem o que se ler e respeita a inteligência do leitor. Tem conteúdo. Tem estilo. Tem verve. Você, Franklin, é ao mesmo temppo uma biblioteca e uma artilharia. Desejo-lhe sucesso.
João Carlos on 8 de agosto de 2008 at 17:45.
Li todo o blogue e reli alguns artigos, como esta entrevista que é o diálogo entre dois intelectuais de talento; um sabendo perguntar e o outro respondendo com a cultura, o espirito e a lucidez que justificam a sua fama… Em nome dos seus leitores da Paraiba, que por algum tempo ilustrou com o seu talento, eu o saúdo, Franklin Jorge!
ELISA DE CAPIM MACIO on 8 de agosto de 2008 at 18:34.
A Internet é o meio que convém ao seu talento. Quem o acompanha desde os tempos em que escrevia na Tribuna, sempre na vanguarda de tudo e moendo com extrema delicadeza as vaidades provincianas, conhece sua cultura e capacidade para se tornar um dos grandes nomes das letras. Estou feliz por estar viva e puder vê-lo brilhar novamente, agora numa escala ilimitada, graças ao surgimento desse meio virtual a ser conquistado por quem tem cultura e repertório, como você gosta de dizer em seus artigos. Você tem, meu caro. De sobra, pra dar e vender. Há muitos blogues, mas poucos têm conteúdos como este com que você nos brinda. Espero que você publique muitas entrevistas, como “entrevistador de almas” que é. Colecionei muito do que você escreveu — aquelas séries sobre o seu povo do Açu, sobre os terremotos de João Câmara, sobre o seu convivio com os grandes nomes das letras e das artes, o seu famosíssimo “Diário do Rio”… Hoje vejo tanta gente escrevendo, mas ninguém com o seu refinamento. Ninguém com a sua destreza e profundidade. Digo sempre aos meus netos que Natal tem sido uma madrasta para você, que só a tem exaltado, como fez nessa obra-prima que tenho debaixo dos meus olhos, o “Spleen de Natal”. Desculpe-me tomar o seu tempo. Gostava tanto de tomar café no seu bistrô, com o meu neto João Miguel, ouvindo-o discorrer sobre os lugares e as pessoas que conheceu, a biblioteca que lhe foi criminosamente roubada, e tiro disto muitas lições. Aqui em casa todos os apreciam, admiram e torcem por você. Sei que você teve uma avó que o instruiu e adorava e isto me faz querê-lo ainda mais… Eu sou aquela velha que gostava de ouvi-lo e lhe pedia sempre aqueles bolinhos cobertos de sementes de papoula. Conte com esta velha admiradora de sempre.
ELISA DE CAPIM MACIO on 8 de agosto de 2008 at 18:37.
Não sou uma boa digitadora. Corrija-me os erros.
Alejandro on 8 de agosto de 2008 at 19:27.
Um colega meu de faculdade me recomendou seu blogue, dizendo que eu ia ter o que ler daqui pra frente. Gostei de tudo – do design, da limpeza visual e da profundidade e variedade dos assuntos abordados. Já li dois livros seus e acho que o senhor é um intelectual cosmopolita. Não sei o que veio fazer em Mossoró.
Gonçalo Dias on 8 de agosto de 2008 at 20:39.
Não sabia que o RN tem um intelectual dessa categoria. Nos eventos a que tenho ido em Natal, como agora, na Livraria Siciliano, e na leitura dos jornais a impressão é a de uma cultura atrasada, superficial e festeira. Essa entrevista de Franklin me faz pensar que há aqui outras pessoas de talento e que Natal não é o que parece ser: a carnatália que se mantém às custas do oba-oba e dos cofres públicos. Penso, ao escrever estas linhas, no tratamento que esse governo dispensou ao grande neurocientista Miguel Nicolelis, que deve ser o próximo Prêmio Nobel, a dar-se crédito aos noticiários especializados. Franklin Jorge é o Nicolelis das letras. Um talento a toda prova.
Lula on 8 de agosto de 2008 at 20:52.
Franklin, bastou você botar o seu Blogue no ar e as pessoas inteligentes começaram a sair do armário para mostrarem quanto você tem admiradores e leitores. Me comoveu o comentário dessa senhora de Capim Macio que ia comer bolinhos e tomar café em seu bistrô, um lugar fino e agradável que foi vitima de uma campanha insidiosa de um colunista balofo e amulherado. Você, um homem fino, um escritor e jornalista notáveis dá agora a volta por cima, escrevendo e falando o que todos querem ler e ouvir. Para comemorar este dia estou colocando amanhã no correio uma espátula de prata com a qual o meu avô abria as páginas dos livros que lia, numa modesta homenagem à sua cultura e ao seu talento.
Lúcia de Fátima on 8 de agosto de 2008 at 21:27.
Há muito não lia uma entrevista dessa categoria. Meus parabéns ao entrevistado e ao entrevistador, que soube extrair respostas interessantes que esclarecem ao leitor sobre os bastidores tortuosos da cultura local. Franklin, sou sua fã e daquele nunca jamais superado DN Revista que você criou e editou quando voltou da Amazônia, para onde foi porque não lhe davam emprego aqui… Precisamos de mais outros Franklin Jorge e Laurence Bittencourt para incrementarem as idéias.
Thiago on 9 de agosto de 2008 at 10:52.
Um talento desses é para ser caluniado, difamado, massacrado de todas formas… A inveja intelectual é a pior de todas e explica porque os medíocres daqui têm tanta raiva de você. Mas não dê bola para esses invejosos e maledicentes que passam pela vida sem nada produzir de valor. Nós sabemos o que é bom. Quero ser seu parceiro e ajudar o seu site financeiramente. Você não pode nos privar do prazer de sua leitura.
Ivã Damasceno on 10 de agosto de 2008 at 20:56.
Sua entrevista é um documento e um testemunho de quem conhece de perto os bastidores da nossa cultura. Não é de hoje que o leio. Ainda fazia faculdade e já o lia na Tribuna e noutros jornais. Agora é o meu filho que o lê com o mesmo entusiasmo que me despertava o que escrevia, vergastando os medíocres e nos chamando a atenção para os talentos verdadeiros. O tempo tem provado que tinha razão, quando mostrava a insuficiência de talento e de cultura de algumas sumidades coroadas, o arrivismo do poema processo, a inutilidade das instituições e o atraso dos governos -para usar uma expressão que o agradaria – “no âmbito da cultura”. Seu jornalismo e sua crítica foram a sua cátedra. Antes do seu surgimento, naqueles brilhantes anos setenta, ninguém ousava abrir a boca para avaliar a extensão da mediocridade dominante. Hoje, de vez em quando, aqui e ali, alguma pessoa ousa dizer alguma coisa que contraria interesses, mas antes era a sua voz solitária sobre as dunas desertas.Eu me lembro do que escreveu sobre Jomar Jackson, acusando-lhe a insignificância, coisa que ficou clara com o passar do tempo. O mesmo sobre o poeta Franco Jasiello, Francisco Sobreira, Bené Chaves… E a exaltação de Fernando Gurgel, Vicente Vitoriano, Erasmo, que tiveram o seu talento confirmado pelo tempo. Sempre que abria um jornal tinha a esperança de encontrar algum escrito seu. Nos últimos anos tivemos esse prazer poucas vezes, mas agora, com o seu site, vamos entrar na internet sabendo que há um sítio onde os seus escritos estarão prontos para a satisfaçao da nossa fome de cultura e novidade. Muito bom, também, como entrevistador esse jornalista e professor Laurence B. Leite. Sucesso!
Gerson Marcos on 10 de agosto de 2008 at 23:48.
Laurence soube provocar Franklin Jorge e extraiu dele um dos grandes momentos do jornalismo de idéias. Não é todo dia que podemos ler na imprensa do estado pérolas como estas que tenho debaixo da vista. O que Franklin diz sobre o papel do intelectual é muito sério e faz pensar quanto somos pobres de idéias e acanhados, intelectualmente, nossos literatos afeitos ao lugar comum.”Nada cai melhor, num autêntico intelectual, do que a politica”, diz Franklin e não podia dizer verdade melhor e mais oportuna. Pena que faltem à política intelectuais dessa categoria e à cultura, politicos que saibam que a musculatura da literatura se faz de idéias.
Emanoel Barreto on 28 de setembro de 2008 at 10:03.
Amigo Franklin,
O meu abraço. Continue a ser um plantador de uma tenda em cada estrela.
tertuliano on 8 de novembro de 2008 at 8:50.
para mi,nenhuma surpresa quanto aos elogios acima.sucesso! tertuliano
nininha on 23 de janeiro de 2009 at 21:00.
Franlin
que surpresa lhe encontrar por aqui
Entre em contato comigo
(nininha, irma de Ligia)