ERA NOVA
Por O Santo Ofício | 1 agosto, 2008
Por Paulo Franchetti
Professor e diretor da editora Unicamp
A web veio para ficar. Um dos seus maiores trunfos é a ausência de barreiras alfandegárias. O recorte da distribuição dos textos não é mais geográfico, mas lingüístico. Com os programas de inclusão digital patrocinados pelas empresas e pelos governos, o acesso à web tende a se tornar tão generalizado quanto a instrução básica.
Já agora, o baixo custo da publicação, a facilidade do acesso à informação, a mensurabilidade da resposta dos leitores, a precisão dos mecanismos de pesquisa e a voracidade por novos conteúdos que caracterizam a web têm causado impacto na produção, na circulação e no consumo de textos literários.
Uma grande massa de textos invade as caixas postais e transborda de blogs, listas de discussão e sites pessoais. A vida literária experimenta uma nova era: grupos, revistas, fofocas, rivalidades, polêmicas, o marketing dos amigos, o automarketing — tudo se projeta fácil e eficientemente no hiperespaço.
Constroem-se identidades literárias puramente virtuais. O plágio corre solto. Nasce a “erudição de internet”, na criação como na crítica. Modas e autores surgem e somem como bolhas. Ao mesmo tempo, a web ocupa o lugar deixado vago ou recusado pela mídia impressa ou pela TV: um grande poeta dá uma entrevista a um site e uma geração inteira pode ouvir e ver o que já não se ouve nem se vê na televisão, nem nos grandes veículos da imprensa de massa; poemas notáveis e textos críticos de peso aparecem já primeiro no espaço virtual para só depois conhecerem o gosto do papel; romances e poemas de autores de várias épocas se oferecem gratuitamente em várias línguas; textos críticos do passado ficam ao alcance dos dedos; tradutores on-line facilitam a leitura dos estrangeiros.
Como, frente a essa enorme multiplicidade de facetas e eventos, não pensar seriamente o significado da web para o presente e o futuro da literatura? E, sobretudo, como ter uma opinião simples e unívoca? Como ser apenas eufórico, face a uma mudança cujas conseqüências podem ser terríveis para o mundo da cultura, tal como o conhecemos? Como, em suma, relegar a urgência dessa reflexão, em nome da nostalgia de um tempo em que o mundo da cultura era de papel, de pedra e de tinta?
Não há retorno. Este texto mesmo nasceu para a web e nela vai circular em primeira mão.




1 Comentário
Fco. Nóbrega on 1 de agosto de 2008 at 16:50.
Grande Franklin, parabéns pelo Blog, está muito bom, vindo de você não podia ser diferente, tenho certeza que será um sucesso.
grande abraço
Fco. Nóbrega