DJALMA MARANHÃO,O QUIXOTE POTIGUAR
postado por O Santo Ofício | maio 18, 2012
Por Antenor Laurentino Ramos
Conheci Djalma Maranhão em Nova Cruz, quando eu era ainda estudante secundarista. Estava no ardor da mocidade. O grande político fora fazer uma palestra juntamente com Aldo Tinoco, o pai. Salatiel, George, Marcílio de Dr. Otacílio, Claudionor Soares, Raimundo Menezes e eu fôramos convidados por Eliezer Menezes, líder operário comunista da cidade. A reunião teria lugar no Cinema Éden, de Paulo Bezerra Souto, simpatizante também esquerdista também, da época.
Tempos depois, iria reencontrá-lo no seu exílio em Montevidéu. Já o conhecia de vista no Jornal de natal de sua propriedade. Via-o sempre, em conversa animada com meu irmão Afonso e Luis Maranhão Filho. Eu trabalhava, nesse tempo, no Diário de Natal. Como revisor.
Na viagem ao Uruguai, comemorávamos a conclusão de nosso curso, os Bacharéis de Direito de 1971, o Planex. Fazia parte dessa excursão 13 alunos, 6 homens e 7 mulheres. Entre eles relembro Lúcio Teixeira dos Santos, Andrier Abreu, Molina, Mizael Barreto, Elias Maciel, Cléa Bacurau, Lúcia Barbosa, Méssia Feitosa, Jandira, Nadja Lopes Cardoso, Salete do Ó Pacheco…
Foi uma longa e estafante viagem via terrestre. Saíramos de Natal, pernoitando no Rio, para retomarmos nossa viagem rumo às terras gaúchas. Chegamos mesmo a assistir em Porto Alegre a um jogo no Estádio Beira-Rio, Internacional versus Atlético Mineiro.
Na capital do Uruguai ficamos hospedados no Hotel Campeotti, Calle General Artigas. Após um demorado repouso, saíramos para o primeiro encontro com a bela cidade. Era uma das que nos tempos de estudante do Ginásio Natal desejava conhecer e o responsável por esse desejo o era meu saudoso professor de geografia.
Djalma já nos procurara à noite com Dona Dária, sua esposa. Trazíamos uma carta de seu filho, Marcus, nosso contemporâneo de Faculdade. Não chegamos a vê-lo nesse primeiro contato, Mizael e eu. Fôramos convidados por um amigo que fizéramos em Montevidéu a um passeio noturno pelo lugar com direito a vinho e cerveja.
No dia seguinte, lá estava Djalma de novo. Oferecera-se para ser nosso guia turístico e não largamos mais. Relembro o nosso primeiro contato, os colegas nos apresentaram a ele e a Dona Dária. Foi quando eu disse: “- Djalma, a gente já se viu em Nova Cruz. Eu era bem jovem. Depois, acostumei-me a vê-lo conversar com o meu irmão”. “- Quem é seu irmão?” “- Afonso Laurentino Ramos”. “- Não acredito, disse-me ele.
Desde ontem que eu pergunto a esses meninos se conhecem Afonso e deparo-me agora com o seu irmão!” “- Como vai ele? Namora ainda Lourdinha Alves, Diúda, irmã de Aluizio?” E notava em seu semblante, a alegria de saber notícias do Afonso! Maior surpresa, para mim, foi quando me perguntou: “- E Antonio Laurentino, seu pai?” “- E você conhece meu pai?” “- Ora, responde-me rindo: mas que a Afonso! Tomei muita cachaça e uísque com teu pai na praia da Redinha”. Sentia-me orgulhoso e emocionado por sabê-lo íntimo de meu pai e de meu querido irmão. Foi assim que vi Djalma Maranhão pela última vez.
Só falava em Natal; sentia-se nele a saudade do solo querido. Contou-nos muitas de suas peripécias após a prisão em Natal, a caminho do exílio. Que figura interessante e carismática, o Djalma! Um ano depois, voltava a Natal, não mais para retomar as suas atividades políticas que era a razão de ser de toda a sua história. Chegava morto e aplaudido pelo povo, com gritos de alegria e de lágrimas, ele que fora o maior prefeito de Natal de todos os tempos, o verdadeiro prefeito do povo!
Djalma era um político raro nos dias de hoje, uma espécie em extinção. Sentia Natal e o seu povo; confundia-se com ele, e a sua popularidade não era uma popularidade fabricada pela mídia, era natural, fruto da sua empatia com a gente potiguar. Tinha aquele que os franceses chamam de rapport, uma ligação afetiva que se estabelecia num primeiro momento com as massas.
Djalma merecia ser mais bem lembrado em Natal. O muito que se fizer em sua homenagem, é pouco pelo que para nós representou como líder e administrador. Revolucionou mesmo a administração da cidade. Foi, com Aluizio Alves, o exemplo maior, infelizmente não continuado, de excelência administrativa aliada a um idealismo sem par. Considero-me um privilegiado em ter com ele privado da sua convivência, do seu sonho de ser o redentor de sua terra. Grande Djalma, figura marcante, Dom Quixote mesmo, condestável de seu tempo em Natal! Salve!
40 ANOS DE RODA VIVA
postado por O Santo Ofício | maio 17, 2012
Por Franklin Jorge
Amigos e colegas de Cassiano Arruda Câmara cumprimentam-no pelos quarenta anos de Roda Viva, coluna que contém a alma e a política de Natal. Será às 9 horas no Novo Jornal, sua magna criação, praticando um jornalismo leve, como diria o Cardeal das Letras, Villaça. Moderno. sugestivo.
Cassiano merece todas as honras. Sobretudo por seu empreendedorismo que nos deu um jornal que caiu no gosto do leitor.
Tive a honra de, mais uma vez, trabalhar com Cassiano, participando dos primeiros meses de vida do seu jornal novo em tudo. No conceito e na meta.
Os 40 anos de um colunismo antenado com o Rio Grande do Norte, que agora se comemora, dá a medida da argúcia do repórter que, como as moscas, tem a visão multifacetada.
E-MAIL RECUPERADO
postado por O Santo Ofício | maio 16, 2012
Por Franklin Jorge
Na última segunda-feira tive problemas com o meu e-mail franklinjorge@yahoo.com.br, que ficou inacessível até esta quarta-feira.
Perdi minha agenda e algumas pastas, entre as quais, a de escritores baianos, cearenses, pernambucanos, goianos, fluminenses, mineiros, gaúchos, paraibanos etc, sobre os quais trabalhava, até recentemente, em projeto de consolidação dos livros (ainda inéditos) que escrevi sobre a cultura desses territórios.
Rogo a todos que me enviem cópias das informações que gentilmente me prestaram.
A todos, meus agradecimentos.
PARAFUSO GERAL
postado por O Santo Ofício | maio 16, 2012
Por Carlos Lúcio Gontijo
Normalmente, nossos folclores político, literário e musical acabam por nos mostrar a face psicológica e cultural da sociedade. Há no povo brasileiro uma forte determinação de driblar as leis. Até aqueles que têm o comando da economia e do capital nacional se acercam de assessores para estudar possíveis brechas, então chamadas legais, a fim de se beneficiar em seus negócios.
Há anos, assistimos ao governo brasileiro se utilizando das medidas provisórias, admitidas pela Constituição em caso de relevância e urgência. Mas, pelo visto, nunca vivemos tantas relevâncias nem tamanhas situações urgentíssimas, com o governo exagerando no uso do instrumento das medidas provisórias, visualizado por ele como tábua de salvação capaz de lhe proporcionar algum espaço de governabilidade, diante de um Congresso dividido, onde a base aliada age como se tivesse licença para fazer do fisiologismo político uma moeda de troca. Ou seja, no final das contas, o governo não pode contar nem com a oposição nem com os próprios aliados, criando a imagem surrealista em que o rabo abana o cachorro.
Há no folclore político mineiro um caso que bem situa nosso menosprezo, ou mesmo um inegável relacionamento de disputa com as leis. Contam que Raul Soares, à época presidente estadual de Minas Gerais (1922-1924 – morreu no exercício da função) e que foi o único civil a ocupar o cargo de ministro da Marinha no Brasil, viu-se obrigado a chamar até a capital mineira um de seus compadres, correligionário e coronel político, para uma acanhada advertência.
Olha compadre, dizia de forma estudada o governador, você está excedendo-se na região. Chegam-me constantes reclamações e vamos acabar usando os rigores da lei contra você, a fim de não prejudicar nossa imagem diante das pessoas e demais autoridades do Estado e do país.
Sem pestanejar nem vacilar, o simplório coronel do interior saiu-nos com essa pérola: “Uai, compadre Raul, usar a lei bem que você pode. Mas lei pra nós não é prego fixo na parede como você imagina na sua boa intenção de homem público. Lei pra nós é um parafuso: a gente torce pra lá, pra cá… como bem entender”. Despediu-se, foi embora e deixou Raul Soares perplexo com aquela maneira singela e até mesmo filosófica, mas irrefutável, de expor a realidade cultural e psicológica do relacionamento de nossa sociedade com as leis, sempre mais dependentes do senso comum (e moral) dos cidadãos que da capacidade e competência do legislador.
Dessa verdade cultural não fogem as pessoas mais humildes, as autoridades constituídas e presidentes. Pode-se dizer que a descoberta da ilegalidade nada mais é que pôr às claras a tentativa frustrada da tradição de se procurarem lacunas nos textos legais. Não foi à toa que a nossa Constituição desceu a níveis descritivos e terminou ostentando toda aquela extensão, pois sabiam os constituintes que a nossa sociedade é mestre em sair pela tangente e ludibriar títulos, artigos, parágrafos, incisos etc.. Todavia, quando pegos com a boca na botija, em plena prática de corrupção ou do famigerado levar vantagem em tudo, posamo-nos como inimputáveis e fazemos cara de menor de idade ou simplesmente não responsáveis por nossos atos e até desconhecedores da lei que ousamos desparafusar e torcer (e distorcer) segundo o nosso inconfessável desejo.
.CLG é poeta, escritor e jornalista e publica aqui aos sábados e quartas-feiras
www.carlosluciogontijo.jor.br
OS IMORAIS
postado por O Santo Ofício | maio 14, 2012
Por Tertuliano Pereira,de Parelhas
O que podemos dizer aos nossos jovens, crianças e estudantes, quando perguntarem se é mesmo verdade que dois desembargadores, dirigentes do Tribunal de Justiça do nosso Estado estão agindo como ladrões vagabundos, caras de pau e formaram uma quadrilha de marginais dentro da instituição, roubando milhões de reais misturados com papeis de processos, como se fosse dinheiro escondido na cueca ?
Haja educação para explicar isto!
VERDADE VERSUS ANÁLISE
postado por O Santo Ofício | maio 14, 2012
Nova coletânea de textos de Roberto Schwarz repõe em jogo a necessidade de pensar o Brasil a partir da politização da análise estética
Por Alexandre Pilati
Martinha versus Lucrécia (Cia das Letras, 2012), último livro do crítico literário Roberto Schwarz, chegou às livrarias mês passado e abasteceu os cadernos culturais de alguns de nossos periódicos com um saudável bafejo de polêmica, embora esta não tenha nem duração e nem aprofundamento garantidos, pois, nesses tempos pra lá de pós-modernos, de pauperização encefálica da grande imprensa, polemizar a sério é algo desconectado da fruição irrestrita do “curti/não-curti”, cada vez mais arraigada nos “melhores talentos” intelectuais brasileiros.
De qualquer forma, a polêmica se justificou basicamente por dois motivos: 1) pela análise cerrada do ambíguo livro Verdade Tropical de Caetano Veloso e 2) pela, segundo alguns, injustificada insistência do crítico em interpretar a experiência histórica brasileira a partir de suas experiências culturais, especialmente aquelas provindas do campo da literatura, atualmente muito combalida como atividade estética de escavação do real. Se desde o título o livro de Schwarz carrega a marca do acirramento do debate, em chave dialética, não haveríamos de esperar outra coisa. Talvez esteja aí um pouco do seu mérito.
Para além do inquietar do Narciso pop tropical (Caetano deu entrevistas e aproveitou o espaço na mídia como sói acontecer desde a Tropicália) e dos narcisos da intelligentsia conservadora tropicaleira (que usaram a imprensa para esbravejar contra o vitupério que é um crítico literário ousar pensar sobre o país de um ângulo diferente do dos proprietários), o livro carrega o desafio de manter em dia e em boa forma o olhar dialético e prenhe de negatividade de Schwarz, após uma década ou duas que o tornaram quase um clássico da crítica literária acadêmica no Brasil. Diga-se, aliás, que nada poderia ser mais contrário à sua disposição antimetódica do que tornar-se jargão universitário.
Esse é um dos motivos fortes para saudarmos a obra; motivo este que, é claro, o polemismo atacanhado dos últimos dias não captou nem de longe. Martinha versus Lucrécia dá ao leitor o velho crítico adorniano, em uma prosa amadurecida nos melhores exercícios da reflexão dialética. A sintaxe está elegante, irônica e alimentada impiedosamente pelas contradições, como se fosse uma chave que se adequa aos problemas novos que se impõem. A escolha dos textos contempla tanto a crítica literária, como entrevistas e “textos de intervenção” (prefácios, saudações, arguições). O painel é vário, mas a sua força está na unidade de disposição, que poderíamos resumir recorrendo a um meio de parágrafo do autor, em que se trata da tomada de partido histórica na análise da forma estética, a qual “seria um princípio ordenador individual, que tanto regula um universo imaginário como um aspecto da realidade exterior”.
No que se refere à crítica especificamente literária, o volume nos reconcilia com velhas “ideias fixas do crítico”, por meio da leitura de Machado de Assis em tratamento adensado noutro plano, pois que armado para o debate literário cosmopolita, como nos ensaios “Leituras em competição” e “A viravolta machadiana”. É basilar nesses dois textos a disposição para debater internacionalmente sobre a validade da obra machadiana, tentando fazer ver, em que medida radicalmente política, “os rearranjos em matéria e forma operados por Machado faziam que um universo ficcional modesto e de segunda mão subisse à complexidade da arte contemporânea mais avançada”. Com esses dois textos, Schwarz revisa Machado para o leitor de fora, escarafunchando um pouco os motivos falsos e frágeis de sua bela e recente aceitação no exterior. Mas revisando-o para o leitor estrangeiro, o crítico acaba por revisá-lo também para o leitor brasileiro, às vezes estranho ao Brasil, de tão emaranhado que está na mais nova moda crítica exógena.
É, todavia, o conjunto de textos que se segue à entrevista “Sobre Adorno” que esconde o detonador da polêmica que cercou saudação do livro. São três textos sobre literatura brasileira contemporânea, entre os quais o violento ensaio inédito sobre Verdade tropical. Por si só, o texto sobre o narrador volúvel de Caetano vale o ingresso e se sustenta sozinho. Contudo, bem pensado o seu lugar na economia do livro, ele funciona bem melhor quando se leem os dois ensaios que lhe fazem fila. Seria um despropósito pensar que os ensaios sobre O elefante, de Chico Alvim (“Um minimalismo enorme”), e sobre Leite derramado, de Chico Buarque (“Cetim laranja sobre fundo escuro”), estão colocados em sequencia como complementos críticos da análise sobre Verdade tropical? Creio que não, se pensarmos que nesses dois Chicos, Alvim e Buarque, paradigmas de um realismo vigente e furioso na literatura brasileira contemporânea, encontra-se uma correção em acorde negativo da mimese do contemporâneo diagnosticada por Schwarz na forma narrativa de Caetano. Se, no narrador deste, a posição de privilégio de classe atua em favor de uma postura narrativa que mescla diretrizes contrárias, em prejuízo da pesquisa estética das contradições da experiência (ou da verdade) tropical, naqueles, segundo o crítico, esta mesma posição se remonta, para ouvir e rearranjar, em ritmo derrisório e desencantado, as contradições brasileiras. Tudo engendrado a partir de uma perspectiva literária capaz de fender o sorriso ignóbil da farsa proprietária, tornando-o irremediavelmente escandaloso no país miserável do século XXI. Diria Chico Alvim: “Quer ver/ escuta”.
Com isso, estão ligadas “as duas pontas do novelo”: Machado e as letras do Brasil contemporâneo. A análise de Schwarz acerca do fenômeno machadiano baseia-se fortemente na capacidade que a viravolta formal dos romances de segunda-fase apresenta de dramatizar as contradições da perspectiva proprietária da história brasileira (e todas as suas implicações que tanto conhecemos intimamente). Não é difícil aproximar as leituras de Verdade tropical, O elefante e Leite derramado pois elas são faces da tendência do crítico a analisar a comédia de classes no Brasil a partir da equação literária da voz narrativa ou lírica dos protagonistas. Em Caetano, temos o bom e velho narrador conciliador, desejoso de ativar as potências e riquezas que jazem no Brasil atrasado, desde que isso não implique em democratização e socialização da cultura, pois seu ponto de vista dúbio caminha sempre a depender do sucesso de instauração de mecanismos intensificadores da indústria do espetáculo em terra periférica. De defensor da liberdade individual destinado a contar uma verdade (tropical?) a porta-voz refinado do neoliberalismo (é bom lembrar que o livro é de 1997) e da regressão artística, apresentada sempre em chave cínica de avanço e emancipação da arte tornada artigo pop: eis uma possível interpretação do caminho do narrador de Verdade tropical na perspectiva de Schwarz. O trocadilho é infame, mas irresistível – a verdade tropical é no fundo a verdade do-capital. Embora seja cáustico, não deixa de ser revelador da experiência brasileira pós-golpe. Assim se dá também no caso de Alvim e Buarque. Entretanto, as formas literárias aqui estão fazendo pouco do refinamento intelectual da nossa elite e reagindo à miséria periférica (aparatada com pseudomodernização), tornando problemáticas as próprias possibilidades de representação da história universal sob os mecanismos miméticos que essa mesma história legitimou e consolidou ao longo da formação brasileira. Sem verdade disponível, pois que ela está apropriada pelos impropérios da classe dominante, Buarque e Alvim buscam um mínimo, que no caso é enorme: como representar o irremediável da modernização à brasileira.
Monta-se assim o poliedro do duro problema da leitura do país a partir da literatura e vice-versa, com o selo da crítica dialética, comprometida com a materialidade das formas e da história, malgrado o pouco apreço de algumas “estrelas-alfa” (Bandeira em “Nova poética”) da nossa crítica. No ritmo da arenga criada por sua vinda a lume, a verdade dos proprietários literatizada vis-à-vis a análise da cultura brasileira interessada no conflito de classes, Martinha versus Lucrécia deve ser acolhido como ponto a favor desta; e com júbilo, por reativar, em diversos campos, algumas pulsões obscuras latentes no tropicalíssimo “legado de nossa miséria”.
.AP é professor de literatura brasileira da Universidade de Brasília, autor, entre outros, de A nação drummondiana (7Letras, 2009).
A ROSA NA RODA
postado por O Santo Ofício | maio 14, 2012
Por Stella Galvão
A Rosa anda onipresente. Desde que assumiu, está na boca dos potiguares conectados, gente que lê habitualmente blogs editados por jornalistas de toda espécie, e que usa as redes sociais. Na noite do domingo das mães, ao embarcar de volta à terra natalis no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, fiquei pasma com a constância da presença de tal personagem, inclusive fora do noticiário, ao topar com ao menos duas sósias da governadora eleita do RN. A primeira era tão idêntica à detentora do cargo que quase fiz uma mesura para cumprimentá-la. Os óculos e o cabelo cortado curto, escovado e penteado para um lado, certa complacência no olhar e um sorriso aberto em face de um grupo de pessoas, o que termina por expor uma dentição frontal ligeiramente saliente. Estas as características comuns.
Mas, naturalmente, todas aquelas mulheres se diriam pseudo rosas, ou se diriam rosas no sentido mais literal, sem o apelo do preâmbulo do nome próprio. Elas, claro, não protagonizaram a chamada batalha das rosas. Aquele episódio protagonizado, ao redor do Dia do Trabalho e via Twitter, por partidários e críticos ou desafetos do esquema político que elegeu a titular do governo.
Os contendores dedicaram-se a enaltecer a própria capacidade de levar o sim ou não à titular do cargo para o topo dos assuntos mais comentados. Inclusive mundialmente, ainda que por breves instantes. Uma sandice eletrônica que não alterou nem um milímetro, por exemplo, a situação de crônica penúria do Hospital Walfredo Gurgel, palco de um número de mortes no pronto socorro digno de um conflito em área conturbada no Oriente Médio. Por obra da batalha das rosas, no entanto, nenhum pacote de gaze ou um lote de seringa descartável foi acrescido ao estoque precário.
O episódio também rendeu desdobramentos práticos, ao menos para a dança das cadeiras, como a queda do secretário da Saúde e do responsável pela área de Comunicação do governo. No ar, ficaram as suspeitas de incúria e dificuldade para enfrentamento de crises institucionais. Uma culpa certamente a ser partilhada com o corpus do poder estadual.
Este é, aliás, outro aspecto do destaque sistemático obtido pela Rosa, cuja trajetória política em cargo executivo sugere que ela bebeu em algum momento uma porção que lhe confere invisibilidade. Culpam-lhe por ceder o poder ao marido, cujo papel nos governos daquela que desposou lhe conferiu a alcunha de Ravengar. Para os que desconhecem semelhante personagem, é uma mistura de bruxo, médico, astrólogo e hipnotizador, com influência sem limites na Corte, visto nas telas na novela “Que Rei Sou Eu?”, de 1989, que será agora reexibida pelo canal Viva (TV por assinatura). Ravengar, que deitava e rolava nas hostes do poder. Era quem mandava, realmente. Todos o temiam.
O marido da governadora é o mais assíduo cônjuge de mandatário de poder, na atualidade, a frequentar os gabinetes de Brasília, segundo registros do noticiário político da capital federal. Lá, há não muito tempo, diante do casal, o presidente recém-empossado da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marín, dirigiu-se à governadora, saudando-a como primeira dama. Nesse momento terão os estômagos dele e dela revirado por razões antagônicas? Ele intimamente exultante pelo reconhecimento público dos esforços para gerir o Estado que a esposa abocanhou nas urnas, esta envergonhada pela exposição de um fato já cantado em verso e prosa. Às favas, ou melhor, às pesquisas.
Pois não é que pouco mais de um ano de gestão assim compartilhada, conforme se ouve e lê amiúde, a Rosa foi tremendamente reprovada em pesquisa realizada pela Consult, sob encomenda de intituição privada? Reprovação que conseguiu o feito de superar os históricos índices negativos da alcaide Borboleta. A aproximação de ambas nesse quesito faz sentido inclusive se recorrermos aos apelidos que as identificam. A borboleta, afinal, se acerca das flores, rosas incluídas, até por questões de equilíbrio do ecossistema. Uma espécie animal contagiando um vegetal e vice-versa.
DE MEDALHAS, DITADORES E SAMBISTAS
postado por O Santo Ofício | maio 14, 2012
Por Carlos Lúcio Gontijo
Já confessei em meus artigos que fico surpreso com a quantidade de medalhas e diplomas que são distribuídos Brasil afora, gerando uma situação antagônica com tudo o que nos rodeia, onde a realidade cobra a presença de homens (e mulheres) capazes de imprimir trabalho administrativo dinâmico, progressista e sem a nódoa da corrupção e dos famosos 10/15% da famigerada propina, da qual se origina a simplista propagação do inaceitável “rouba, mas faz”.
Vivemos em tempo de democracia ajardinada por contornos ditatoriais, onde a intolerância, o preconceito e o ranço de autoritarismo podem ser detectados em praticamente todos os setores. Na política, por exemplo, as urnas do sufrágio eleitoral têm ungido administrações antidemocráticas e fechadas ao diálogo com a população, que ainda é vista como mera massa de manobra durante os períodos de eleição.
Não fosse assim, o governo mineiro não conviveria impassível com uma greve de professores estaduais dos ensinos fundamental e médio iniciada no dia 9 de junho de 2011. E, com toda a certeza, o governador do Ceará, Cid Gomes, irritado com o pedido de aumento de salário por parte dos professores de seu Estado, não cometeria o ousado desplante de dizer que “quem quer dar aula, faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado”.
Entretanto, a bem da verdade, a aversão ao diálogo não reside apenas nos poderes de comando do país, pois a própria sociedade se encontra metida no exercício do gosto pelo “prendo e arrebento”, principalmente se o preso e o arrebentado for o outro, que se dane o próximo! Em busca de tal constatação, basta passarmos pelos blogs e sites postados na internet, nos quais o que impera é a opinião radical de uma nota só, impedindo a existência de qualquer contraponto e contracanto. A nação se acha sob o signo do monólogo, para o qual contribuem até os grandes veículos de comunicação, que há muito abandonaram o princípio da isenção ou de pelo menos alguma demonstração de imparcialidade, optando por fazer dos fatos uma espécie de matéria-prima para desenvolver a edição de notícias com versões segundo os seus interesses econômicos e políticos sempre superiores aos da própria população, que espera algum dia ser homenageada com uma imprensa de verdade e voltada à constituição de uma nação menos injusta e mais determinada a formar cidadãos devidamente instrumentalizados e, portanto, mais capazes de cuidarem de si mesmos.
Como estamos distantes de alcançar o desejado patamar socioeconômico, coloco-me indignado perante o grande número de autoridades condecoradas e premiadas. Em solenidades como a da Inconfidência Mineira, é enorme o número de medalhas “cunhadas” e, quando qualquer figura do mundo político parte dessa vida, os necrológios se nos apresentam embebidos em elogios desmedidos e endeusamentos descabidos, propensos a uma quase canonização, fenômenos que me levam a não entender o porquê de socialmente nos engatinharmos desde o desembarque de Cabral em solo brasileiro.
Dito isso, a fim de quebrar o ambiente de amargor gráfico, recorro a duas histórias do mundo do samba: uma envolvendo Paulinho da Viola e a outra o também sambista Nelson Cavaquinho, mas que, no entanto, tiveram o mesmo desfecho. Ou seja, terminaram em samba e homenagem. Contam que Zé Keti e Helton Medeiros conheceram Paulinho da Viola ainda muito jovem e trabalhando como bancário.
Impressionados com o talento de Paulinho resolveram tramar contra a sua permanência como funcionário de banco. Decididos, eles iam todos os dias para a porta da agência bancária e ficavam gritando aos berros: “Vamos, Paulinho, sai daí. Isso não é serviço nem lugar para você!” E tanto atazanaram que o promissor sambista acabou demitido, para a sorte da música popular brasileira.
Mais ou menos a mesma coisa se deu com Nelson Cavaquinho, que era soldado do Batalhão de Cavalaria da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Certa feita, quando fazia habitual ronda policial pelas ruas cariocas, parou em aprazível boteco onde um grupo de conhecidos jogava baralho. Amarrou seu cavalo no tronco de uma árvore e se entregou às cartas. Já era tarde quando notou que o cavalo se havia soltado. Despediu-se apressadamente dos parceiros de jogatina e tomou a direção do quartel, ao qual o cavalo chegara primeiro, sem o relapso soldado cavaleiro à sela.
Em ambos os casos, os personagens foram demitidos. Mais tarde, experimentando as glórias da fama e do prestígio (cada um ao seu tempo) foram espontânea e merecidamente homenageados: Paulinho da Viola pelo banco; e Nelson Cavaquinho pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, logicamente não pelos bons serviços prestados à instituição, mas pela excelência do artesanato que teceu com a sonora crina do alazão dos acordes musicais.
.CLG é poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br
CINEMA LATINOAMERICANO NA UFRN
postado por O Santo Ofício | maio 14, 2012
Divulgação
O Departamento de Ciências Sociais, História e Línguas e Literaturas Estrangeiras Modernas (UFRN) promove mais uma sessão do ciclo “América Latina no Cinema”, com a exibição do filme chileno “Machuca”.
A exibição será no Auditório da Biblioteca Central Zila Mamede da UFRN, nesta terça-feira, dia 15/5, às 18h30. Depois do filme haverá sorteio de brindes e debate. A entrada é livre e tem entrega de certificado. O evento tem o apoio do Sindicato dos Bancários; PROEX (UFRN); CCSA/CCHLA (UFRN); Cine Clube Natal e DHnet.
Na coordenação o professor Gabriel E. Vitullo, do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da UFRN.
Para saber mais: http://americalatinanocinemaufrn.blogspot.com
PROGRAMAÇÃO COMPLETA
15/5 – Biblioteca Central Zila Mamede (UFRN)
Machuca (Chile, 2004)
22/5 – Biblioteca Central Zila Mamede (UFRN)
Estómago (Brasil, 2007)
29/5 – Biblioteca Central Zila Mamede (UFRN)
A que distância (Equador, 2006)
5/6 – Biblioteca Central Zila Mamede (UFRN)
A cidade e os cachorros (Peru, 1985)
12/6 – Auditório do NEPSA, no Goiabão (UFRN)
Nove Rainhas (Argentina, 2000)
19/6 – Biblioteca Central Zila Mamede (UFRN)
Clube da Lua (Argentina, 2004)
PAU DOS FERROS: UERN EM LUTA
postado por O Santo Ofício | maio 14, 2012
CONVOCAÇÃO
Na próxima terça, 15, os professores e técnico-administrativos da UERN realizarão uma caminhada com panfletagem pelas ruas do centro de Pau dos Ferros. A atividade é mais uma ação do Comando Unificado de Greve para informar a população sobre o momento da greve dos servidores da UERN, que exigem o cumprimento do acordo da pauta de reivindicação da campanha salarial do ano passado. A marcha terá início às 9h30.
A caminhada será precedida por uma reunião às 8h30 no Campus da UERN (CAMEAM). De lá, partiremos em carreata até o local da concentração que acontecerá na Avenida Getúlio Vargas (Em frente ao Restaurante Popular), quando seguiremos em caminhada pelas ruas do centro da cidade.
É fundamental a adesão e participação de todos nesta caminhada. Precisamos defender os direitos e a valorização do profissional da educação.
8h30 – Reunião no CAMEAM
9h – Carreata até a Av. Getúlio Vargas
9h30 – Início da Caminhada
LEMBRANÇAS DO PASSADO
postado por O Santo Ofício | maio 14, 2012
Por João Bosco Leal em seu blog
Residindo perto do Pantanal Sul Mato Grossense, de belezas naturais deslumbrantes e muitos animais silvestres, resolvi convidar uma amiga de juventude para passar um feriado prolongado em minha casa e assim nos reveríamos e ela conheceria o pantanal.
Pretendia mostrar locais que conheço sem nenhuma programação previamente agendada, passeando, parando, tirando fotos, mostrando o que lhe era desconhecido, sem nenhum compromisso de horários, mas como chovia e fazia frio quando a aeronave que a trazia pousou, percebi que a programação teria que ser alterada.
Como duas pessoas que não se viam ou tiveram qualquer tipo de contato há trinta e sete anos, fomos almoçar e começar a conversar sobre o que ocorreu em nossas vidas nesse período e também sobre o que ela gostaria de fazer já que com aquele tempo a programação anterior não seria aconselhável.
Durante essa conversa, por algumas declarações e comportamentos, já percebi que meu convite talvez não tivesse sido uma boa ideia. Notei que havíamos vivido em mundos e culturas diferentes por um período demasiado longo, o que tinha nos transformado em duas pessoas com uma quantidade enorme de diferenças.
Morando só e já próximo dos sessenta, nada mais lógico e esperado que possuísse algumas ou muitas manias, mas tentei colocar minha convidada muito à vontade, mostrando-lhe seus aposentos e onde encontraria tudo o que pudesse necessitar, desde alimentos, bebidas, pratos, talheres e como funcionava a máquina de café.
Por simples bom senso e educação que se espera de quem possui um grau cultural elevado, ou até mesmo por conhecimento prático adquirido durante a vida, imaginei que alguns comportamentos não ocorreriam por serem inesperados para quem se hospeda em casa alheia, independentemente das manias adquiridas por quem está acostumado a viver só como eu.
Morando só no interior do Paraná logo notei que acostumada a viver em casa, não tinha noção do que seria viver em um prédio de apartamentos, mas diversas atitudes comportamentais por mim inesperadas confirmavam minha primeira impressão: éramos pessoas totalmente desconhecidas.
Como o clima frio e chuvoso não a estimulavam sequer a sair do quarto por longos períodos, solicitei a presença de outra amiga e demos algumas voltas pela cidade, visitando locais interessantes e pontos turísticos, mas foi tudo o que conseguimos, pois no dia seguinte o tempo melhorou e o sol voltou a brilhar, mas ela não se interessou pelo passeio turístico que eu havia programado para o Pantanal alegando que preferia permanecer quieta, dentro de casa.
Pensei então sobre todo o período que estivemos longe, morando em ruas, cidades e estados diferentes, estudando em escolas e cursos, tendo amigos e relacionamentos mais ou menos profundos ou duradouros, com idades e em épocas distintas.
Com todas essas variações de estilos, meios e modos de vida, realmente não poderíamos mais ser o que éramos e pensar ou agir como costumávamos fazer.
Uma pena, pois a intenção era a melhor possível e ao invés de reaproximar, certamente acabou afastando mais ainda duas pessoas que já não se viam há décadas, mas que mantinham lembranças de um tempo diferente, quando éramos jovens e que infelizmente nunca voltará.
Tentar reviver o passado pode fazer perder lembranças que na mente se mantinham bonitas e por isso lá deveriam permanecer.
ATIRANDO PELA CULATRA
postado por O Santo Ofício | maio 14, 2012
Por Edilson Alves de França
Diante da ampla divulgação de uma das mais recentes e inovadoras iniciativas judiciais da União, sou levado a confirmar o acerto da velha admoestação popular, posta no sentido de que não se deve “catucar o cão com vara curta”. Refiro-me às ações reparatórias que vêm sendo ajuizadas pelo mencionado ente público, na tentativa de reaver os gastos dispendidos com a realização de eleições suplementares, quando decorrentes de uma posterior cassação do registro ou do diploma do candidato anteriormente eleito.
Evidente que o conteúdo moral dessas iniciativas processuais propiciou certo apoio popular. Ocorre que, tanto do ponto de vista prático, como estritamente técnico, essa divulgada aventura judicial poderá custar caro à malbaratada “viúva”. É que, como defendi no recente encontro de presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais e, logo depois, decidiu o TRF da 5ª Região, para o sucesso dessas ações reparatórias, se faz imperiosa a prova da efetiva culpa do candidato, além da presença do intrincado nexo causal entre a alegada ação ilícita e o dano eleitoral cogitado.
Sendo assim, não se afigura difícil presumir que o açodado ajuizamento dessas ações, certamente ricocheteará em desfavor do próprio órgão demandante. Até porque as despesas com as eleições suplementares não serão acrescidas, apenas, da verba sucumbencial (custas e honorários), a que se refere a decisão do TRF. Segundo tenho observado, a ampla divulgação dessa abrangente idéia indenizatória tem animado os escritórios de advocacia. Estes, atiçados, estão abrindo suas portas para o significativo contingente de cidadãos que sofreram danos atribuídos ao poder público. Agora, mais do que antes, a lição de que todo dano vinculado a uma ação ou omissão culposa deve ser reparado, toma corpo e cresce geometricamente.
E a razão é simples: ninguém é mais ofendido, surrupiado, vulnerado, agredido e danado do que o cidadão. E se a União tem o direito de cogitar de compensação financeira quando lhe advém um prejuízo supostamente causado por uma candidatura malfadada, como no caso, o que não dizer quando o dano é causado ao cidadão? A conclusão só pode ser uma. Ou seja, esse mesmo contribuinte, seguramente, poderá reivindicar reparação similar àquela da qual a União cogita. Basta que a lesão sofrida em detrimento do seu patrimônio moral ou material, decorra, por exemplo, da incúria, da incompetência, do descaso, da omissão, ou mesmo, de ações ilícitas ou abusivas praticadas por qualquer agente estatal.
O que muitos não entendem é que o incerto pipocar de ações propostas pela União, funciona como chamativo, como paradigma a orientar o contribuinte no mesmo sentido. O fato é que, muitas dessas ações soam como sirenes, convocando a todos para o festim judicial. Até porque, se antes o cidadão sabia que também poderia bater às portas do judiciário, pedindo reparação por danos que, comissiva ou omissivamente, o poder público lhe causasse, agora, ele está aprendendo a arriscar. Aliás, com uma vantagem legal preciosa, já que, ao contrário do que ocorre nas atuais incursões da União, o cidadão não precisará provar a culpa do ente público acionado.
O fato é que, quanto mais ousadas e propaladas sejam as iniciativas reparatórias adotadas pelo Estado, mais se estará assinalando para o cidadão, lembrando-lhe que, por mais humilde que seja, também poderá acionar qualquer ente público, com todo o vigor e abrangência que, expressamente, lhe permite o art. 37, § 6º, da Constituição. Não só quando tiver seu lar destruído ou inundado por rotineiras e sucessivas enchentes, desmoronamentos ou outros eventos previstos, anunciados e negligenciados pelo poder público. Mais que isso. Considerando que, nos últimos anos, o leque de possibilidades tem se multiplicado na mesma proporção em que definha a capacidade administrativa do Estado, é de se convir que as hipóteses indenizatórias se infinitizam.
Também por isso, é perfeitamente admissível ao cidadão concluir que, quando um desses viadutos superfaturados desabar sobre sua cabeça, quando a buraqueira, a falta de sinalização ou de boa técnica na construção de uma rodovia causar danos ao seu veículo (ou até mesmo a sua morte), ele ou seus herdeiros poderão acionar o ente público responsável. Da mesma forma, o povo já começa a ser acertado para o fato de que essa obrigação reparatória também emerge diante da falta de atendimento ou da assistência médico-hospitalar que tem levado inúmeras pessoas à morte e ao infortúnio.
Por outro lado, nas salas de aula, já se faz pacífico que a bala perdida e a incompetência no trato com a segurança pública, não só desmoralizam muitas promessas de campanha, como revelam a dimensão desse corredor da morte, por onde a teoria do risco vem acenando. Nesse campo, oportuno lembrar, cresce o entendimento de que o poder público deve responder civilmente no âmbito desse terreno minado pela corrupção e pela incompetência. Tudo leva a crer, portanto, que essa incompreensível ânsia da União, no sentido de romper o cosmo da obrigação reparatória, tende a despertar o cidadão que, comodamente, costuma dormir no buraco negro do desconhecimento.
Com efeito, como bem revelou a decisão proferida pelo TRF da 5ª Região, os estampidos dessa indenização eleitoral divulgada pelo Brasil afora, em verdade, correspondem a tiros disparados (no escuro) contra o próprio pé. Por isso mesmo, ao comentar a condenação da União na verba sucumbencial, certa figura de Caetés (terra do candidato que se pretendeu responsabilizar), foi irônica ao observar que: “o tiro saiu pela culatra”. É isso mesmo Cambento. Resta saber quem irá pagar a bala…
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O MENSALÃO NA BERLINDA
postado por O Santo Ofício | maio 13, 2012
Antonio Fernando de Souza foi o procurador-geral da República que, em 2006, transformou 40 petistas e aliados em réus. Hoje, ele afirma que qualquer tentativa de dizer que os “fatos (do mensalão) não existiram é brigar com a realidade”
Da VEJA
Em 2006, o então procurador- geral da República Antonio Fernando de Souza transformou em réus 40 petistas e aliados. Eles operavam o que foi caracterizado na denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal de “sofisticada organização criminosa”, encabeçada pelo ex-ministro José Dirceu. Agora, com a proximidade do julgamento, o ex-chefe do Ministério Público afirma que a tentativa de negar a existência do mensalão é uma afronta à democracia.
O senhor sofreu pressão para não apresentar a denúncia do mensalão?
Não. Minha postura reservada sempre inibiu qualquer atitude desse tipo. Nunca assumi nenhum compromisso com as autoridades que me procuraram. Fiz meu trabalho da forma mais precisa e célere possível. Tinha 100% de convicção formada. Conseguimos fazer a relação entre os fatos e montamos o quebra-cabeça do esquema, tudo em cima de documentos, de provas consistentes.
O PT tem se dedicado a difundir a versão de que o mensalão não passa de uma farsa…
Chamar esse episódio de farsa é acusar o procurador-geral e os ministros do Supremo de farsantes. Dizer que aqueles fatos não existiram é brigar com a realidade, é querer apagar a história. Esse discurso não produzirá nenhum efeito no STF. Os ministros vão julgar o processo com base nos autos. E há inúmeras provas de tudo o que foi afirmado na denúncia. Depoimentos, extratos bancários, pessoas que foram retirar dinheiro e deixaram sua assinatura.
O senhor se sente incomodado com isso?
Na democracia, todas as pessoas estão sujeitas à fiscalização, ao controle, à responsabilização, e há órgãos dispostos a isso. Não serão os partidos políticos nem seus dirigentes que vão dizer o que é crime e o que não é crime. Quando eles querem transmitir um ar de que não aconteceu nada, estão indo para o reino da fantasia. Negar a existência do mensalão é uma afronta à democracia.
Como o senhor vê as afirmações do atual procurador-geral, Roberto Gurgel, de que está sofrendo ataques de mensaleiros com medo do julgamento?
Se ele fez essa acusação, preciso admitir que tem elementos para justificá-la. A CPI está se preocupando com um assunto que não tem relevância para o seu trabalho. O procurador-geral avaliou que a Operação Vegas não produziu evidências suficientes para pedir indiciamentos, mas não arquivou o inquérito — inclusive a pedido da Polícia Federal — para não prejudicar o andamento das investigações da Operação Monte Carlo. E a estratégia se mostrou bem-sucedida.
Está comprovado que o PT utilizou dinheiro público no mensalão?
Quem vai fazer esse juízo é o Supremo. Da perspectiva de quem fez a denúncia e acompanhou o processo até 2009, digo que existe prova pericial mostrando que dinheiro público foi utilizado. Repito: há prova pericial disso. E o Supremo, quando recebeu a denúncia, considerou que esses fatos têm consistência.
O ex-ministro José Dirceu afirma que o senhor o apontou como chefe de uma organização criminosa para se vingar do fato de ele nunca tê-lo recebido na Casa Civil.
Nunca tive nenhum interesse em falar com ele. A minha escolha como procurador-geral foi feita pelo presidente da República. Uma denúncia é formalizada somente se há elementos probatórios sobre uma conduta criminosa. Sentimentos pessoais não entram em jogo. Tudo o que se fala em relação à conduta dessa pessoa tem se revelado verdadeiro na prática. Reduzir uma denúncia dessa gravidade a uma rusga do procurador-geral é quase risível.
Como o senhor vê essa tentativa de usar a CPI para desviar o foco do julgamento do mensalão?
É normal que quem está denunciado fique tenso às vésperas do julgamento. O julgamento no Supremo Tribunal Federal é uma decisão definitiva. Vivemos num país democrático, num estado de direito. O Supremo jamais faria um justiçamento, vai fazer um julgamento. Tem prova, tem condenação; não tem prova, não tem condenação.
O que o senhor achou da iniciativa de alguns parlamentares de tentar usar uma CPI para investigar a imprensa?
A imprensa não faz processo penal, a imprensa dá a notícia, dá a informação. Parece mais um meio de desviar a atenção do inquérito fundamental.
Os acusados tentam reduzir o caso a um crime eleitoral. É uma boa estratégia?
A referência que fazem é que a movimentação de dinheiro tinha origem em caixa dois de campanha. Do ponto de vista ético e jurídico, isso não altera nada. Quando há apropriação do dinheiro público, não é a sua finalidade que vai descaracterizar o crime. No processo do mensalão, temos imputação de crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva, ativa, peculato, evasão de divisas, quadrilha, falsidade ideológica. Crimes assumidamente confessados. Eles não podem deixar de admitir.
O governo passado indicou a maioria dos ministros que, agora, vão julgar muitos de seus aliados. Isso pode influir de alguma maneira no resultado?
Uma pessoa, quando aceita ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, sabe das responsabilidades que tem e vai cumpri-las. Toda a sociedade espera um julgamento justo e correto. Que esse processo sirva para o amadurecimento da democracia.
POMPEIA E O VESÚVIO
postado por O Santo Ofício | maio 13, 2012
Por Antenor Laurentino Ramos
Saímos em direção a Pompeia num dia de sábado chuvoso. Hospedáramos no Augustea Hotel, Via Nazionale, Roma, procedentes de Paris e Londres. Estávamos agora na cidade-berço da cultura latina.
Naquele dia, era nosso destino a cidade destruída pelo vulcão Vesúvio em 79 depois de Cristo. Saíramos de ônibus. De brasileiros, só três pessoas: Rui, professor de educação física no Rio de Janeiro, seu irmão Rafael e eu. Os demais passageiros eram constituídos de diversas nacionalidades, americanos do norte, japoneses, italianos, argentinos e um coreano que, sentindo-se isolado, agregou-se ao nosso pequenino grupo de filhos da terra de Cabral.
Passaríamos por Nápoles, antes, a terceira cidade mais importante da Itália, depois Sorrento e Capo de Monte, senão nos falha a lembrança, a terra do tenor Caruso. Por todo o território da Itália, terrenos de origem vulcânica. Percorríamos, alegres, terras banhadas pelo mar Mediterrâneo, e tudo era novidade ara os nossos olhos, sedentos de descobertas.
O guia turístico, napolitano, cantava para os viajantes, canções clássicas como Sole mio, Santa Lucia e Volare. Era divertido! O coreano, ao nosso lado, sem saber nada de inglês, nem espanhol e nem francês, comunicava-se conosco por mímica. Tínhamos pena dele e de tudo fazíamos para que nos entendesse e fossemos por ele entendidos, nem me lembro mais de seu nome.
Com pouco mais, chegávamos a Pompeia. A cidade é cercada de muros, nela só se penetra com permissão. É uma espécie de museu e há uma outra cidade que ali surgiu em seu redor. Já tínhamos os ingressos que estavam incluídos no pacote que compráramos.
Depois do almoço, num restaurante próximo, começamos a nossa visita àquele Mundo Antigo e com ele, a tragédia que lhe pôs fim.
As casas, os monumentos, todos de pé. Pompeia não foi, na verdade, destruída. As lavas do Vesúvio cobriram-na e por tempos e tempos, fora tida desaparecida, até que os pesquisadores encontraram-na de novo. Cada pedra, cada logradouro, fala-nos de uma catástrofe de fim de mundo que até hoje espanta-nos por sua destruição. São coisas como estas que nos fazem sentir bem a nossa fragilidade e a nossa finitude. Parecia um relato bíblico de Sodoma e Gomorra, a visita a Pompeia! Quantas pessoas ali, agora, reduzidas a pó, sonhavam e ambicionavam glorias de riqueza e poder! Vale a pena conhecer Pompeia.
Lá estava o prédio do Senado, a Rua Principal e a vinte quilômetros de distancia, a visão e temida e respeitável do Vesúvio! Éramos, naquele momento, personagens também da inesquecível tragédia. A morada de Cláudio, figura destacada, e no portão, a frase em latim: “Vade cane” – cão feroz -. A seguir, numa das salas de uma das casas, restos de comida, espinhas de peixe, pedaços de pão, petrificados. A casa dos irmãos mercadores, a mais suntuosa, intacta; nada sofreu. Era ali que eles, solteirões disputados, reuniam os importantes da cidade e celebravam orgias, farras intermináveis. Na sala de jantar, os pisos com desenhos que parecem de hoje. Não havia, nesse tempo, mesas; os convivas sentavam em almofadas. Arrodeando a sala toda, espécies de regos, onde os empanturrados de comida e bebida, vomitavam. Na entrada do prédio, um guerreiro, que, em vez de uma lança, empunhava um pênis enorme. Na Sala do Amor, os desenhos pornográficos convidavam-nos a presenciar cenas de sexo explícito, as mais variadas possíveis. Mais adiante, uma casa de prostituição, espécie de cabaré, em cujo frontispício, visualizava-se um membro viril. E todo aquele cenário nos levava a refletir sobre a devassidão e decadência moral de um povo que, em algum momento de sua história, pensava ser eterno. É difícil, repito, não nos sentirmos frágeis, diante das forças incomensuráveis da natureza, o mesmo que dizer, de Deus. Aqueles gestos dos habitantes, paralisados por uma morte repentina e não esperada bem que poderia servir-nos de lição sobre o que ali era-nos dado observar. Até os animais faziam parte da cena destruidora. Um cão que, na hora da fuga, coberto pelas lavas, congelava para sempre o seu gesto, a cabeça virada para trás, na certa, a fugir de algo ameaçador. Diziam que diante de um temor comum, a luta pela sobrevivência, pessoas e feras se misturavam, inofensivas, umas para com as outras. Só o medo as guiava.
O guia deixava, parece que a propósito, para o fim, a visita à sauna, destinada nos tempos passados aos pompeianos ricos e de classe média. Quando os habitares do lugar, convictos do perigo que os ameaçava, começaram a fugir, muitos não tiveram a menor chance de isso fazer.
Lá podíamos ver, uma mulher com um bracelete caríssimo, morta, asfixiadas pelos gases que o Vesúvio exalava. Tivesse sido menos ambiciosa, na certa, teria escapado. Bem perto, uma mãe e um filho adolescente, abraçados em meio da agonia de uma morte certa. Nos seus corpos, as marcas da roupa que vestiam e em alguns casos, seus crânios facilmente a vista. Pareciam bonecos de barro. São visões inesquecíveis estas! E em contraste com o drama que estes povos tiveram, a natureza indiferente, a vegetação insistindo em permanecer e o Mar Mediterrâneo, ao longe, como um pano de fundo, pareciam zombar de nós, pobres viventes, iludidos por uma soberba e falsa sensação de poder.
Onde estavam agora aquelas vozes, aquelas pessoas, aqueles sonhos por elas tão nutridos de eternidade e glória sem fim! Tudo se fora nua fração de segundo. Parece até que Pompeia ali estava para nos servir de alerta. Sempre que alguém por ali for, há de passar por essa mesma sensação, a de nossa impotência perante a força e o desígnio de um princípio inteligente maior.
E não era só a tragédia de Pompeia e de Herculano que ali nos ensinava esta sábia lição. Para nós, brasileiros, em particular, havia o fato que ocorrera com o famoso republicano, Silva Jardim. Num relato vivo e marcante, que através do livro de sua filha e biógrafa Laurita, o presidente Epitácio Pessoa nos deixou, é nos dado saber dos instantes dramáticos que ali viveu o brilhante tribuno defensor da República que no seu tempo se iniciava.
É bom visitar Pompeia! Cala fundo em todos nós. Meu pai sempre me dizia, ele que gostava muito de ler, que se um dia eu fosse ao Velho Mundo não deixasse de visitar a célebre cidade, vitima das iras do Vesúvio. Vejo hoje que ele é que tinha razão. Reverencio aqui a sua memória.
UM ESTRANHO NA HORA CERTA
postado por O Santo Ofício | maio 13, 2012
Desconhecido, com ficha criminal quilométrica e contraditório: eis a testemunha considerada perfeita pelos petistas para a burlesca “Comissão da Verdade”.
Por Felipe Melo
As coisas estão realmente indo de vento em popa para nosso governo e sua famigerada Comissão da Verdade. Além de se utilizar de malabaristas jurídicos que sequer viveram o período do Regime Militar (muito menos buscaram estudar de maneira séria e pormenorizada o período em questão), agora a turma revanchista está comemorando o lançamento do livro “Memórias de uma Guerra Suja”, do ex-delegado Cláudio Antonio Guerra. Hoje pastor evangélico, o ex-delegado Guerra gosta de se apresentar como ex-maçom e uma pessoa que “teve uma experiência com o Senhor Jesus (Conversão), sendo batizado em 7 de Agosto de 2007 no presídio em Viana, a partir daí passou a trabalhar para o Senhor Jesus, o Senhor dos Senhores” (sic).
A ficha do Sr. Guerra não é das mais limpas: pesam contra ele acusações formação de quadrilha, roubo de armas, tráfico de drogas, tortura, homicídios (incluindo o de sua própria mulher), além de chefiar a seção capixaba da Scuderie Detetive Le Cocq, organização que funcionava como esquadrão de morte. Mesmo após a sua conversão, o Sr. Guerra não deixou se afastou de problemas com o judiciário: desde fevereiro deste ano, foi envolvido em um processo que investiga o desvio de dízimos da igreja Assembleia de Deus Serra-Sede.
Convenientemente, o livro é lançado no exato momento em que as discussões acerca da Comissão da Verdade e dos supostos crimes cometidos por agentes de Estado durante o Regime Militar estão num nível bastante alto. A ministra Maria do Rosário disse em entrevista recente que os relatos do livro “são graves e trazem a público métodos comparáveis ao nazismo”. Ainda que a própria ministra tenha admitido não ter lido uma única linha dos relatos em questão, o livro pode ser usado como base de diligências e investigações não apenas da Comissão da Verdade, mas também do Grupo de Trabalho Justiça de Transição do Ministério Público Federal (GTJT/MPF), responsável pela recente denúncia contra o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra – caso que analisamos recentemente. Quem garante isso é uma pessoa tão ilibada quanto o Sr. Guerra: José Dirceu, o ex-ministro da Casa Civil a quem a Procuradoria-Geral da República chama de “chefe de quadrilha” no caso do mensalão e que, durante o Regime Militar, recebeu treinamento militar em Cuba e atuou na guerrilha comunista brasileira. Paulo Vanucchi, outro militante comunista que atuou em grupos armados e que, durante o governo Lula, era um dos amigos das FARC no Brasil (além do já citado José Dirceu), também defendeu que os relatos pautem investigações da Comissão da Verdade.
No entanto, cabe a pergunta: em que medida o relato de alguém como o Sr. Guerra pode ser tido como verdadeiro? Trata-se de alguém com uma ficha criminal extensa, a quem recaem suspeitas de diversos crimes. O livro em questão contradiz informações prestadas pelo próprio Sr. Guerra em uma biografia autorizada a seu respeito. Além disso, a alegação de que atuou como agente de Estado durante o Regime Militar é, no mínimo, suspeita: nem militares que atuaram na época, nem grupos de esquerda (como o Tortura Nunca Mais, que conta com financiamento internacional), possuem informações sobre as atividades do Sr. Guerra.
Estamos diante de um desconhecido personagem, controverso, e surgido das sombras no exato momento em que a Comissão da Verdade necessita de cada vez mais embasamentos para que a acusação de ilegitimidade seja mantida o mais longe possível, e que traz em suas costas uma série de acusações que nem de longe se referem ao período do Regime Militar. Tudo isso forma um quadro muito estranho, cheio de lacunas e incógnitas, e que suscita muitas dúvidas. A maior delas é esta: a quem interessa as revelações incongruentes dessa figura de credibilidade duvidosa? A resposta encontra-se em uma declaração do próprio Sr. Guerra: “Encaro como positiva e acertada a decisão da presidente Dilma Rousseff de criar a Comissão da Verdade, e estou à disposição das autoridades para ajudar.”
.Felipe Melo edita o blog da Juventude Conservadora da UnB.
A ARROGÂNCIA DO PT
postado por O Santo Ofício | maio 13, 2012
O que vemos é que o PT finalmente rasgou a Carta ao Povo Brasileiro, estando muito à vontade para implantar a sua agenda revolucionária.
Por Nivaldo Cordeiro |Mídia Sem Máscara
Temos visto nos últimos dias um festival de truculência do partido governante, o PT, capitaneado pela presidente Dilma Rousseff, que mesmo na época da ditadura militar foi desconhecido. Alguns fatos são muito visíveis, como a reformulação da política econômica e a transformação dos banqueiros em bodes expiatórios. A redução abrupta e unilateral das taxas de juros só prova que a motivação revolucionária anticapitalista do partido governante não arrefeceu.
Não que os juros cobrados no Brasil estivessem em nível razoável. O problema é que há muitas maneiras de resolver o problema e o governo escolheu a via autoritária, carnavalesca. O pedido de Dilma Rousseff (uma ordem, na verdade), para que a Febraban se retratasse da nota escrita pelo economista Rubens Sardemberg foi um ponto culminante de arrogância. O documento estava sensato e o economista apenas escreveu o óbvio, que os bancos não têm poder sobre a demanda de crédito. A presidente parece ter-se sentido pessoalmente ofendida com essa opinião, em si técnica e correta.
A retratação da Febraban mostrou que mesmo este segmento empresarial, tão poderoso, está subjugado de forma impiedosa pelo partido governante.
O ímpeto autoritário, todavia, está em outras manchetes de jornais. O teatrinho ridículo, pelo qual algumas personalidades midiáticas passaram a pedir em público o veto integral do novo Código Florestal, mostra que a presidente já decidiu fazer o veto, um desrespeito ao Congresso Nacional e à maioria ali constituída. Passa por cima, impiedosa, sobre a divisão de poderes.
Mas nada é mais preocupante do que o circo armado em torno da CPI do Cachoeira. Veja-se que todo fundamento do escândalo são as gravações telefônicas solertes, perpetradas pela Polícia Federal, que dessa forma passou a ser um agente político de primeira grandeza, a influir antecipadamente nos resultados das eleições deste ano (e na de 2014). A Polícia Federal assim tornou-se uma polícia política, a serviço do partido governante. É evidente o viés seletivo das investigações, quando se sabe que pior fazem os membros do governo.
Sem prejuízo da culpabilidade dos investigados, salta aos olhos a motivação eleitoreira do caso. Não é à toa que o ex-presidente Lula, desde a primeira hora, foi um entusiasta da divulgação do escândalo e um apoiador da instalação da CPI. Ele percebeu o que toda gente percebe: o alto valor eleitoral desse escândalo, com poder de destruição profundo sobre alguns de seus adversários políticos mais notórios.
O que vemos é que o PT finalmente rasgou a Carta ao Povo Brasileiro, estando muito à vontade para implantar a sua agenda revolucionária. E não apenas no âmbito do Poder Executivo. Basta ver as recentes decisões do Supremo Tribunal Federal, que tem exorbitado e legislado em assuntos da competência do Congresso Nacional, avançando na agenda revolucionária no âmbito do marxismo cultural.
O surpreendente é o destemor e a pressa com que as “reformas” estão caminhando. O PT tem pressa e se sente à vontade para fazer cumprir o seu programa. Parece não haver, nem nos partido políticos e nem na sociedade civil, força capaz de segurar o ímpeto revolucionário. O PT considera que já acumulou forças suficientes para fazer valer sua vontade. Os fatos provam que a avaliação está correta.
DILMA SE ABORRECE COM O PT
postado por O Santo Ofício | maio 13, 2012
Por João Bosco Rabello l estadao.com.br
Duas sessões secretas foram suficientes para dar visibilidade ao conflito que separa o governo e o maior partido da base aliada, o PT, em relação à CPI do Cachoeira – desde a iniciativa de sua criação até a condução manipuladora de seus líderes elegendo réus e alvos segundo os interesses de uma pauta própria.
Do pouco que se conseguiu apurar das quase 16 horas de depoimentos dos delegados responsáveis pelas operações Vegas e Monte Carlo sobressai o esforço vão do PT em sentar o Judiciário e a mídia no banco dos réus. Menos por convicção no êxito da causa e mais para, a ela dando curso, minar a credibilidade do primeiro e alimentar a tese inconstitucional de controle da segunda.
Ao dar caráter institucional à estratégia, o presidente do PT, Rui Falcão, entrou em rota de colisão com a presidente Dilma Rousseff, que não esconde sua contrariedade com a criação da CPI, com o discurso contra a liberdade de imprensa e com a guerra aberta ao Judiciário. A mais de um interlocutor, Dilma considerou que Falcão foi além de sua função de dirigente partidário passando a ideia de falar pelo governo.
A leitura expõe a frustração do PT com a inesperada autonomia da presidente Dilma Rousseff, cuja eleição criara em alas radicais do partido a expectativa de maior influência no seu governo do que na era Lula. Foi esse o discurso do ex-ministro José Dirceu, no sindicato dos Petroleiros, ao comemorar sua vitória nas urnas: ‘Agora vai começar o verdadeiro governo do PT’.
A surpresa sobre a qual a presidente cala foi o estímulo ao ambiente de radicalismo pelo ex-presidente Lula, ao defender uma CPI com fins políticos.
Declaração de guerra
A reação do procurador-geral, Roberto Gurgel, atribuindo a tentativa de convocá-lo para depor na CPI ao medo de réus do mensalão, surpreendeu governo e parlamentares. O tom acusatório e indignado de Gurgel, respaldado pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), indica que o Judiciário recebeu a iniciativa como uma declaração de guerra. Petistas influentes temem que o episódio produza efeito contrário, ou seja, agrave a situação dos réus no processo. E alguns, dentro e fora do governo, já admitem avaliar o diagnóstico do empresário Emilio Odebrecht, pelo qual Lula pode ter cometido um erro político ao estimular uma CPI no melhor momento da presidente Dilma Rousseff.
Mais pólvora
O senador Sérgio Souza (PMDB-PR) – suplente da ministra Gleisi Hoffmann – requereu a quebra de sigilo telefônico da esposa de Gurgel, a subprocuradora Cláudia Sampaio, por considerar insuficiente o relatório da Operação Vegas em 2009.
Ligações perigosas
Na sessão reservada da CPI que investiga as relações de Carlos Cachoeira com políticos, o delegado da PF Matheus Rodrigues, da Operação Monte Carlo, disse que o nome do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), foi citado 58 vezes por integrantes da quadrilha do contraventor em conversas telefônicas. Já o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), é recordista: foi citado 237 vezes.
Vaga nova
A nova cobiça do PMDB é pelo lugar de Jorge Zelada, diretor da área
internacional da Petrobrás, cuja saída é dada como certa. Renan Calheiros (AL), Gim Argello (DF) e Henrique Eduardo Alves (RN) pressionam pela indicação. Desde que Maria das Graças Foster assumiu, cinco novos diretores foram nomeados. Do quadro antigo, restam Zelada e o diretor financeiro, Almir Barbassa.
CPI: PETISTAS ‘TREMEM NAS BASES’
postado por O Santo Ofício | maio 12, 2012
Há 2 ligações entre Policarpo e Cachoeira, não 200! Leiam o que dizem dois delegados da Polícia Federal e papel do ex-”caçador de marajás”
Por Reinaldo Azevedo l Veja Online
A quadrilha do mensalão estava mentindo. A quadrilha da Internet estava mentindo. A verdade vem à tona de forma clara, cristalina, inequívoca.
Lembram-se da Operação Monte Carlo e das supostas 200 ligações trocadas entre Carlinhos Cachoeira e Policarpo Júnior, um dos redatores-chefes da VEJA e chefe da Sucursal de Brasília? NÃO ERAM, NÃO SÃO E NUNCA FORAM 200! ERAM, SÃO E SEMPRE FORAM DUAS!!!
A canalha resolveu multiplicar o número por 100 para ver se conseguia dar ares de crime ao trabalho normal de um jornalista. Os que se dedicaram a espalhar a mentira nunca quiseram, como vocês sabem, apurar as ligações do grupo de Cachoeira com os políticos e com o Estado brasileiro. Queriam, isto sim, desmoralizar os fundamentos de uma democracia, a saber:
– a oposição (ela só existe em países democráticos);
a Procuradoria-Geral da República (ela só é independente em países democráticos);
– a Justiça (ela só é isenta em países democráticos);
– a imprensa (ela só é livre em países democráticos).
Mas atenção! Ainda que houvesse mesmo 200 conversas ou que, sei lá, surjam outras 198 do éter, o que o número, por si só, provaria? Nada! Policarpo estaria, como estava, em busca de informações que colaboraram para a demissão de pessoas que não zelavam pelo interesse público. E quem as demitiu, repito, foi Dilma Rousseff. Não consta que esteja pensando em recontratá-las.
OS MENSALEIROS E SEUS BRAÇOS DE ALUGUEL TENTARAM SEQUESTRAR AS INVESTIGAÇÕES DO CASO CACHOEIRA E A PRÓPRIA CPI PARA, DESMORALIZANDO TODAS AS INSTÂNCIAS DO ESTADO DE DIREITO, PROTEGER BANDIDOS, QUADRILHEIROS, VIGARISTAS E SOCIOPATAS.
Bastaram, no entanto, duas sessões da CPI para que ficasse claro quem é quem e quem quer o quê. Policarpo é citado, dados todos os grampos da Operação Monte Carlo, 46 vezes nos grampos. Os homens de Cachoeira e o próprio se referem, em suas conversas, a mais de 80 pessoas — inclusive a presidente Dilma Rousseff. Em algumas dessas citações, por exemplo, o contraventor e o senador Demóstenes estão é combinando uma forma de abafar a repercussão de uma reportagem publicada pela VEJA em maio do ano passado e que apontava o suspeito crescimento da… DELTA! Eis a VEJA que alguns vigaristas queriam criminalizar. E foi a VEJA, diga-se, o primeiro veículo impresso a tornar públicas as relações de Demóstenes com Cachoeira — na edição que começou a chegar aos leitores no dia 3 de março!No depoimento prestado à CPI no dia 8, indagado pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), hoje a voz mais extremista contra a imprensa na CPI, o delegado Raul Souza foi claro, inequívoco, para decepção daquele que começou caçando marajás e, vivendo o seu ocaso, tenta caçar jornalistas e cassar a imprensa livre: as conversas de Policarpo com Cachoeira, afirmou, eram diálogos normais entre um repórter e uma fonte, sem qualquer evidência de troca de favores.
Mas Collor, os mais maduros se lembram, é uma alma obsessiva. Quando presidente, a gente olhava pra ele, com os olhos sempre estalados, e desconfiava da existência de algum espírito obsessor (Deus nos livre!). Deu no que deu. Tendo sido fragorosamente malsucedido na operação que lhe encomendou a ala sectária do PT — José Dirceu, Rui Falcão e outras lorpas da democracia —, ele voltou à carga no depoimento de outro delegado, Matheus Rodrigues. Enquanto alguns parlamentares tentavam apurar os vínculos entre Cachoeira e políticos, o atual Caçador de Jornalistas seguia firme no seu intento de tentar criminalizar a imprensa. E mergulhou, definitivamente, no patético.
O diálogo com Matheus
Este blog ouviu um relato sobre a espantosa conversa do senador com o delegado Rodrigues. Fiquem frios. Logo surge uma gravação clandestina na praça. Consta que o homem foi ficando irritado à medida que via as suas ilações e suspeitas indo por água abaixo.
Collor iniciou a sua intervenção lembrando que a CPI havia sido instalada para investigar as ações criminosas de Cachoeira e de agentes públicos e privados que com este teriam colaborado. E partiu pra cima de Policarpo e da VEJA. Perguntou se o jornalista era coautor de um algum crime. Detestou a resposta:
“Não, excelência! Eu já falei e vou insistir”.
A excelência não se conformou. Tentou obrigar o delegado a acusar Policarpo de algum crime. Como não realizasse o seu intento, este gigante do pensamento jurídico, este monstro sagrado da lógica — que é sócio de jornal e de emissora de televisão!!! — queria saber se Cachoeira havia passado a Policarpo alguma informação que tivesse obtido com escutas ilegais. Outra negativa e a fala inequívoca: havia entre Policarpo e Cachoeira ”uma relação de informante, de passar uma informação como fonte”.
Roxo de raiva
Collor, vocês se lembram, era dado a refletir com as pernas. Quando ficava com vontade pensar, saía correndo. Certo dia, abusando de sua cultura filosófica, declarou que tinha “aquilo roxo”. Como o segundo delegado ouvido também não disse o que ele queria ouvir, roxo de raiva, decidiu partir para a peroração solitária. Acusou VEJA de obter “ganhos pecuniários” com as reportagens que publicou. Bem se vê que este senhor nunca administrou as empresas da família. Só pega mesmo a grana na condição de acionista. A ilação é estúpida de várias maneiras:
1) assuntos políticos (especialmente notícias ruins, envolvendo corruptos) não são os que mais vendem revistas, como sabem todas as pessoas que são do ramo;
2) se uma revista quisesse apenas vender mais, daria só boas notícias. Ocorre que o jornalismo que se preza tem compromissos com a moralidade pública e a com ética. Se isso implicar publicar as más notícias, elas serão publicadas;
3) se a tese estúpida do senador fizesse algum sentido, jornais e revistas teriam de distribuir gratuitamente as edições que são obrigadas a relatar tragédias — só assim não seriam acusados de lucrar com a desgraça alheia;
4) veículos que se prezam, que têm vergonha na cara, que não são financiados com dinheiro público, têm a maior parte — ESMAGADORA!!! — de sua receita oriunda de anunciantes privados. Não raro, o preço de capa de uma revista é inferior a seu custo como produto;
5) a maior parcela da receita derivada da venda de jornais e revistas vem das assinaturas, não da venda em banca. Logo, se há ou não notícia de escândalo, isso é irrelevante. O leitor, como todas as pessoas moralmente saudáveis do mundo, prefere a boa notícia.
Se errou na moral, se errou na ética, se errou no alvo — se errou, obrigo-me a dizer, na vida, já que é o único presidente impichado (só não houve o impeachment formal porque renunciou) da história do Brasil —, errou também ao fazer digressões tolas sobre o setor de revistas.
Vinte anos depois da capa histórica de VEJA, em que Pedro Collor chutou o mastro do circo do irmão, o agora senador tenta se vingar da revista. Quebraram todos a cara — ele e a ala extremista do PT da qual aceitou o triste papel de laranja.
Reportagens de VEJA, algumas feitas por Policarpo Júnior, ajudaram a pôr para fora da Esplanada dos Ministérios pessoas que estavam lá descumprindo o juramento que fizeram ao povo. Como ajudaram, há 20 anos, a depor um outro bufão, que também tomava a sua comédia pessoal como parte da história universal.
Collor não vai conseguir o “impeachment” jornalístico da VEJA porque a revista é limpa! Ponto.
Espalhem a verdade. Porque VEJA revela na edição desta semana quem está por trás da indústria da mentira na Internet e como ela opera (ver abaixo):
Da Agência Senado: (…) O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, afirmou hoje que está em curso uma “tentativa de desvirtuamento” da CPI do Cachoeira. Em nota, o tucano afirma que o objetivo é prejudicar o julgamento do mensalão, com vazamentos seletivos, blindagem de autoridades envolvidas com Cachoeira, e tentativa de calar a imprensa. Ele também aponta a negociação da empreiteira Delta, que teria ligações com o contraventor por meio de seu diretor no Centro-Oeste.
Guerra qualifica a operação de venda da empreiteira como tendo “transparência duvidosa e com o apoio do governo federal”. “Trata não apenas de favorecimento à referida blindagem, mas é também de interesse de seus acionistas, que deveriam estar expostos à devida investigação. Em dura crítica aos petistas, Guerra afirma que está “clara” a estratégia de atentar contra a liberdade de imprensa, para proteger os envolvidos no mensalão.
“Na CPMI, os propósitos dos petistas são rigorosamente de tumultuar o julgamento — que, aliás, o povo faz fez e que a imprensa, certamente, o fará também — deste deplorável episódio do mensalão, que é a marca de práticas condenáveis e são a síntese da ação desestruturante e antidemocrática do PT”, afirmou Guerra, em nota divulgada nesta sexta-feira.
O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), saiu em defesa do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e disse que a legislação proíbe sua convocação.
“Querer convocá-lo é uma tentativa de desgastá-lo. É da lei, ele não pode comparecer. Isso é afrontar a legislação. Seria demiti-lo da função de denunciar os criminosos que estão sendo acusados agora”, disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), que se encontrou recentemente com Gurgel.
O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) defendeu também, no Senado, que Gurgel não pode ser chamado a depor. Para ele, o pedido é uma “manobra para desviar as atenções do foco principal da CPI e em relação ao julgamento do Mensalão, que se aproxima”. De acordo com Aloysio Nunes, se, em 2009, o processo fosse aberto, Cachoeira e seu grupo poderiam ter conhecimento de que os aparelhos Nextel por eles utilizados eram vulneráveis ao monitoramento da policia, e imediatamente teriam buscado outro meio de comunicação. Com isso, não haveria o desdobramento da operação que hoje trouxe a público o esquema montado em torno do jogo ilegal.
(Reinaldo Azevedo)
MACACOS GORILAS E MICOS
postado por O Santo Ofício | maio 12, 2012
Por Nelson Motta l O Globo
Quando um pagodeiro, um jogador de futebol e um funkeiro, fantasiados de gorilas e cercados por popozudas de biquíni à beira de uma piscina, se divertem em um clip do pagode “Kong”, e são acusados de racismo e sexismo pelo Ministério Público Federal em Uberlândia por “unir artistas e atletas em um conjunto de estereótipos contra a sociedade, comprometendo o trabalho contra o preconceito”, a coisa tá preta.
Alexandre Pires não é só um pagodeiro, é cantor romântico milionário, com carreira internacional, queridíssimo do público. Funkeiro é só um pouco de Mr. Catra, figuraça da cena musical carioca, rapper famoso nacionalmente por suas letras contundentes e suas paródias. E não é só um jogador de futebol: é Neymar. Não por acaso, uns mais e outros menos, são todos negros, ricos e famosos por seu talento, ídolos das novas gerações do Brasil mestiço. Já o procurador é branco, preocupado em proteger os negros para que não façam mal a eles mesmos. Assim como a beleza, o preconceito também está nos olhos de quem vê.
Quem ousaria associar o genial Neymar, o galã Alexandre e o marrentíssimo Mr. Catra a macacos? Só um racista invejoso. Quem se incomoda com piadas e brincadeiras com jogadores de futebol, pagodeiros, funkeiros e marias-chuteiras? Logo vão proibir o Criolo de usar o seu nome artístico. O procurador ficou especialmente incomodado quando Mr. Catra, vestido de gorila, cercado por gostosonas louras, ruivas e morenas e feliz como pinto no lixo, diz ter “instinto de leão com pegada de gorila”. Seria uma sugestão preconceituosa da potência sexual afrodescendente. Epa! Elogio não é crime. O clipe já teve mais de 3 milhões de acessos no YouTube, é muito engraçado e bagaceiro, com produção e fantasias bem vagabundas, trash brasileiro.
Dá até para sentir o cheiro de churrasco. As mulheres, com seus peitões e bundões, são o sonho de consumo sexual de milhões de brasileiros e, sem preconceito, de brasileiras. Freud explica: quando João fala de Pedro, está falando mais de João do que de Pedro. Nas falhas, defeitos e intenções que um atribui ao outro, revela-se mais de si do que do outro.






Viva voz