SAÚDE NÃO É CASO DE POLÍCIA
postado por O Santo Ofício | janeiro 28, 2012
Por Carlos Lúcio Gontijo
Sob a certeza de que ruim com ele, pior sem ele, temos o maior temor de, ao comentar sobre o sistema público de saúde brasileiro – o maior do mundo –, servirmos de catapulta para determinados setores da elite brasileira, que alimentam a ideia de detonar a assistência médico-hospitalar à população mais humilde sem deixar nada no lugar.
Os que andam nas ruas e mantêm contato com as pessoas simples ou comuns desse país, “sem dinheiro no banco nem amigos importantes”, sabem que o atendimento no campo da saúde pública, além de precário, passou anos a fio por um explícito sucateamento, como se a maioria da população brasileira tivesse condições de custear planos privados de assistência médico-hospitalar.
Era a onda neoliberal, que privatizou desenfreadamente, sob o comando da mesma elite dirigente que se apoderou do comando das estatais e que acabou ganhando duas vezes: primeiro sugando e aniquilando-as; depois, tirando proveito inconfessável da privatização, que terminou rotulada de “privataria” pelos analistas que detectaram o cheiro putrefato de escandalosa e desvairada corrupção, em prejuízo de setores importantes como saúde, educação, habitação e segurança pública. .
Diante desse quadro, profissionais da área de saúde que prestam serviço em hospitais e postos públicos vivem assustados e perplexos com o crescimento da violência e das agressões verbais e físicas, que têm sofrido por parte da clientela angustiada com as filas cada vez mais longas.
Todavia, a realidade contundente e indubitável é que, infelizmente, o cidadão destratado e abandonado à própria sorte por falta de políticas públicas eficientes (pobre intelectual e materialmente, por não ter tido acesso democrático a ensino de qualidade e não perceber salário suficiente) já chega aos hospitais e postos insatisfeito com a sua condição de vida e, portanto, sem disposição para enfrentar as demoradas filas, muitas vezes carregando filho doente nos braços.
Em vez de se tomar, como primeira providência, a iniciativa de tentar inibir a violência contra os profissionais de saúde com a solicitação de rondas policiais, a medida mais recomendada seria a elaboração de um processo de atendimento mais competente na área da assistência pública de saúde, capaz de contribuir para a aproximação de médicos e enfermeiros e atendentes às sofridas comunidades periféricas.
A bem da verdade, as autoridades responsáveis pela administração da saúde pública brasileira já deveriam ter engendrado um plano de efetiva assistência médica preventiva, da qual fizesse parte a visita rotineira de agentes de saúde aos lares humildes dessa nação marcada por tanta desigualdade.
Com toda a certeza, houvesse o Brasil investido mais profundamente no médico de família, aproximando os profissionais de saúde dos aglomerados necessitados, não assistiríamos às revoltantes (e desumanas) filas e teríamos construído as bases de uma assistência médico-hospitalar de caráter preventivo e, portanto, mais eficiente e humana, abrindo perspectiva para que profissionais de saúde e pacientes se respeitem e convivam amistosamente, distantes dos interesses político-partidários, que jamais têm a suprema vontade de resolver o problema, mas tão-somente o desejo descompromissado (e facínora) de tê-lo como fonte temática de palanque eleitoral.
.Carlos Lúcio Gontijo é poeta, escritor e jornalista
www.carlosluciogontijo.jor.br
RESPEITEM NIEMEYER
postado por O Santo Ofício | janeiro 27, 2012
Por Manoel Onofre Jr.
Darcy Ribeiro já disse que Oscar Niemeyer é o único brasileiro a ser lembrado, no mundo todo, daqui a mil anos. Desnecessário ressaltar a autoridade, o peso das palavras do mestre Darcy, especialista em brasilidade.
Acho que toda pessoa medianamente informada concordará com o famoso escritor e antropólogo. Pode ser que alguém junte ao nome do arquiteto o do compositor e maestro Villa-Lobos. Seria razoável. Mas, o que é fato é que ninguém contesta a enorme importância de Niemeyer.
Com cento e quatro anos de idade, e ainda em atividade, o grande artista das linhas curvas, como é mundialmente reconhecido, contribuiu de modo decisivo para renovação da arquitetura do século XX. Distingue-se sobretudo pelos edifícios públicos que projetou para Brasilia, mas numerosas outras obras de sua autoria espalham-se por diversos países.
Quase todas estas edificações, por serem verdadeiras jóias arquitetônicas, são muito bem cuidadas, e não poucas tornaram-se atrações turísticas. Há, no entanto, duas exceções. É triste dizer, caro leitor, mas estas se situam em nossa cidade. Refiro-me ao Parque “D. Nivaldo Monte” com a sua belíssima torre, e o monumento ao presépio, no bairro de Lagoa Nova. Desprezados pelos orgãos ditos competentes, acham-se em lastimável estado de conservação. Dá pena vê-los.
Qualquer outra cidade se orgulharia de contar com obras de arte admiráveis, como essas. Mas, Natal…
Urgem providências por quem de direito. É preciso dar um basta à desídia e à incultura.
Respeitem Niemeyer !
PS: Fato desconcertante: Não há nenhum presépio no monumento ao presépio. Apenas um painel de Dorian Gray sobre a natividade, aliás, muito bonito (criminosamente depredado).
Podia-se promover, ali, anualmente, por ocasião do Natal, um concurso de presépios. Os melhores seriam expostos em dependências existentes junto ao monumento.
.Manoel Onofre Jr. é escritor, critico literário e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras
O CENTENÁRIO DE GONZAGÃO
postado por O Santo Ofício | janeiro 27, 2012
Caros amigos,
Nascido em 13 de dezembro de 1912, se vivo estivesse, Luiz Gonzaga estaria completando em 2012 cem anos de vida. Portanto, este ano estaremos comemorando o centenário do “Rei do Baião”.
Visando contribuir com esta data emblemática para toda a região nordestina, entre outras atividades comemorativas que deverão ocorrer em todo o Brasil no transcorrer deste ano, estamos sugerindo a gravação de um CD e DVD marcando esta importante data. Para tanto, sugerimos que esta gravação ocorra durante as festas do São João em Caruaru-PE no mês de junho vindouro, e o seu lançamento aconteça com uma grande festa reunindo todos os cantores participantes, tendo como local o histórico Marco Zero em Recife no dia 13 de dezembro de 2012.
Sob a liderança de Pernambuco, estado natal de Luiz Gonzaga, pretendemos envolver e mobilizar todos os 09 (nove) estados do Nordeste. Para tanto, indicamos cantores de forró de todos estes estados. Como grande admirador do Rei do Baião, tomamos a liberdade de selecionar algumas de suas músicas e distribuí-las entre os intérpretes convidados. Sugerimos também, que ao final das apresentações, com a presença dos cantores no palco, todos os intérpretes cantem em coro a música “Canta Luiz”, composição de Dominguinhos e do Poeta Oliveira.
Solicitamos o empenho de todos no sentido de enviar esta ideia para os órgãos de financiamento: prefeituras, governos estaduais, Ministério da Cultura etc.
Forte abraço,
Mossoró-RN, 27 de janeiro de 2012.
Carlos Alberto Nascimento de Andrade
E-mail: carlos.potiguar@uol.com.br
PARTICIPANTES
ALAGOAS
Afrísio Acácio: Seu Januário
Eliezer Setton: Vem Morena
Clemilda: O Xote dos Cabeludos
BAHIA
Elomar: Boiadeiro
Gilberto Gil: Hora do Adeus
Xangai: Respeita Januário
CEARÁ
Alcymar Monteiro: Baião
Fágner: São João do Gonzagão
Santana: Estrada de Canindé
Waldonys: A Vida do Viajante
MARANHÃO
Zeca Baleiro: Súplica Cearense
Rita Ribeiro: Sabiá
PARAÍBA
Elba Ramalho: O Xote das Meninas
Flávio José: Numa Sala de Reboco
Glorinha Gadelha: Facilita
Zé Ramalho: A Volta da Asa Branca
PERNAMBUCO
Alceu Valença: Cintura Fina
Dominguinhos: Asa Branca
Geraldo Azevedo: Riacho do Navio
Jorge de Altinho: Oia Eu Aqui de Novo
Petrúcio Amorim: A Feira de Caruaru
PIAUÍ
Beto Brito: Pau de Arara
RIO GRANDE DO NORTE
Carlos André: Que Nem Jiló
Dorgival Dantas: Sanfona do Povo
Marina Elali: A Letra I
SERGIPE
Amorosa: Onde Tu Tá Neném
Casaca de Couro: ABC do Sertão
DO PRAZER DE ESTAR CONSIGO
postado por O Santo Ofício | janeiro 27, 2012
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Por Ivan Martins*
Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.
Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. “Saem com um sujeito lá e outro aqui”, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.
Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.
Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.
“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.
Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.
Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.
Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.
A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.
A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.
Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?
A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.
Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.
Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.
Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.
Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.
Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos.
Repasse para suas amigas, especialmente para as que sabem fazer sua “solidão contente!” e para seus amigos entenderem e valorizarem a riqueza interior de certas mulheres comparada à de muitos homens.
*Ivan Martins é editor-executivo de Época.
O FUTURO DOS E-BOOKS
postado por O Santo Ofício | janeiro 27, 2012
Por Antonio Martins
Duas das empresas que lançaram há algum tempo leitores de livros digitais anunciaram simultaneamente ontem a redução, nos Estados Unidos, dos preços de seus produtos.
O Kindle, da Amazon, passará a custar 189 dólares (e não mais US$ 259); o Nook, da Barnes & Noble, que custava o mesmo preço, caiu para US$ 199 (ou US$ 149, na versão que se conecta à internet em Wi-Fi, mas não em 3G).
As baixas são prenúncio de um enorme movimento na produção de livros eletrônicos. Entre as grandes mudanças dos próximos meses, estão a entrada em cena do Google Books (um site para baixar livros e, mais tarde, um leitor) e a possível queda do preço dos e-readers para abaixo dos US$ 100 (previu-se, ontem, que ocorrerá em menos de 12 meses).
As novidades repercutirão muito além da tecnologia. Para alimentar a reflexão sobre o tema, vale visitar (por enquanto, em inglês), dois textos profundos publicados pelo New York Review of Books.
Ambos estão abertos à leitura livre, na internet. O primeiro é um ensaio de Jason Epstein, um editor norte-americano veterano e premiado. Debate as transformações que o novo formato imporá à atividade editorial. Com a autoridade de quem fez carreira longa e bem-sucedida no ramo, Epstein adverte os que duvidam do advento dos livros eletrônicos. Para ele, a transição do papel para os bits é “tão inegociável como os terremotos” — e, além de tudo, muito benvinda. O artigo destaca, como principais vantagens, a popularização e a possível diversidade.
Ao invés de cada vez mais concentrada, em poucas e gigantescas empresas, a edição de livros será, em breve, uma atividade acessível aos próprios escritores. Eles se beneficiarão do mesmo tipo de liberdade e alcance conquistado pelos músicos, que agora produzem álguns quase sem custo e os difundem em todo o mundo sem necessidade de uma gravadora.
Como riscos a ser evitados, Epstein aponta a possível destruição dos acervos bibliográficos por regimes autoritários (ele recomenda, para isso, que nunca se interrompa a impressão dos livros). Também condena a tentação fácil de acreditar que o futuro produzirá, também, “o escritor que não necessita comer” — desprezando a necessidade de remunerar os autores.
O segundo artigo é uma cuidadosa análise, escrita pela jornalista Sue Halpern, sobre o IPad, o leitor eletrônico lançado há poucas semanas pela Apple (com repercussão midiática mundial). Sue é profunda (chega a examinar os dois sistemas de “tinta eletrônica” que permitem o funcionamento dos dois modelos principais de e-reader) mas também crítica e mordaz.
Seu ensaio destaca algo quase ausente na mídia tradicional: o caráter proprietário do IPad — que tem inúmeras funções além da leitura de livros, mas só pode ser “abastecido” nas lojas virtuais da própria Apple.
“As utilidades do IPad podem ser ingênuas. Podem ser divertidas e atraentes. Podem ser úteis. Só não serão, jamais, livres do controle da Apple”, fustiga o texto. Em outro trecho, ela destaca: “A aposta da Apple é a antítese da abertura que despertou muito da criatividade e ingenuidade que definem e dirigem a internet.
Desde o lançamento do primeiro navegador, há 17 anos, ela tem sido campo aberto e irrestrito, acessível para todos. É graças a sua abertura que alguns governos a temem, que algumas companhias são ameaçadas por ela, que um cantor antes desconhecido pode vender um milhão de álbuns, que um garoto de Mumbai pode ajudar a construir um código de computador, agregando sua contribuição a um software desenvolvido em Amsterdam e distribuído em todo o mundo”.
. Antonio Martins é editor de Le Monde Diplomatique
PELA PIRATARIA NA INTERNET
postado por O Santo Ofício | janeiro 27, 2012
Por Wilton Cardoso
A internet é, por natureza, uma biblioteca composta pelos conteúdos digitais (e digitalizáveis) de todas as épocas e culturas. Uma biblioteca total, gratuita, interativa, livre de controles e acessível a quem quer que tenha um chip plugado na rede.
Esta pelo menos é a potência da internet, é no que ela pode facilmente se transformar num piscar de olhos. E o que impede a concretização desta potência? Basicamente interesses de mercado e do estado.
Internautas, artistas e programadores simpatizantes ou ativistas da cultura livre se debatem entre o velho e o novo mercado pop. Por um lado o velho mercado, formado por editoras, estúdios, gravadores e emissoras, deseja manter o status quo das rígidas leis de direitos autorais e de cópia (copyright) que o beneficia. Por outro lado, o novo mercado, formado por empresas telefônicas e sites de serviços e conteúdos como o Google, deseja a flexibilização das leis de direitos autorais e de copyright em nome de novos marcos legais que regularizem suas atividades baseadas na publicidade. Um artigo esclarecedor sobre o jogo do mercado na internet e a posição da cultura livre neste jogo pode ser lido aqui.
A crítica aos mercados não se trata de uma reclamação típica de esquerdistas frustrados e sonhadores. Vale ressaltar o quanto o novo mercado pop (ao que tudo indica, o que sairá vencedor na batalha dos mercados) coloca em risco a privacidade das pessoas, pois seu negócio é exatamente a armazenagem e o cruzamento de dados privados dos internautas para vendê-los à publicidade dirigida – e, eventualmente, entregá-los ao estado. Se o direito ao acesso livre e gratuito aos conteúdos é um assunto caro às “esquerdas”, o direito à privacidade, pelo que eu saiba, é muito estimado pelos liberais. O problema, portanto, é de todo mundo. Para saber mais sobre os riscos que o mercado e o estado trazem à privacidade do internauta, sugiro este artigo.
UM EXEMPLO CONCRETO
A internet trouxe problemas às leis de direitos autorais e de copyright pois é impossível impedir ou controlar a cópia de conteúdo na rede. Isto por vários motivos: a cópia de conteúdo digital não tem qualidade inferior ao “original”, seu custo é praticamente zero, é rápido e fácil copiar qualquer conteúdo.
Chaves de proteção são facilmente quebradas por hackers. Na verdade, a internet funciona, entre outras coisas, por meio da cópia de bytes – para ler esta página de blog, por exemplo, seu computador local está fazendo uma cópia temporária dela na memória.
A cópia de conteúdo pertence, portanto, à natureza da internet.Um bom exemplo de como a internet bagunça as leis do copyright é o caso da música.
Vamos aos fatos: já é possível baixar gratuitamente qualquer música por meio de torrents ou sites de armazenamento. Todo mundo baixa/ouve (vê o clipe da) música gratuitamente e sem o menor peso na consciência de estar lesando gravadoras, autores, músicos, técnicos etc…
Algumas gravadoras e artistas já entenderam que as pessoas não querem pagar por conteúdo digital/digitalizável (LPs esgotados também se tornam mp3 disponíveis para download) e disponibilizam as músicas gratuitamente para baixar. Vão ganhar o seu com shows e outros serviços, fora do ambiente da internet: veja o caso da Trama Musical.
Se for pra cobrar de alguém, a única chance é que se cobre das empresas de telecomunicações, sites de armazenamento, Youtube ou portais de torrents, que faturam com publicidade: o internauta não aceita pagar e já considera, mesmo que inconscientemente, que o acesso gratuito às músicas (a qualquer conteúdo) é um direito seu.
É altamente provável que os internautas não queiram nem mesmo se expor à publicidade para consumir música gratuitamente, pois isto significa literalmente vender sua privacidade, seus gostos, sonhos e desejos em troca de conteúdo.
Negociar a privacidade é como vender a alma ao mercado por intermédio do publicitário (este padre hedonista), um negócio pior que vendê-la ao diabo. Este pelo menos remunera o mortal com riquezas terrenas, já o mercado só retribui com contas a pagar. É que ainda não há alternativas na internet à publicidade: caso surja um espaço na rede que seja gratuito, sem publicidade e livre de controles de mercado e dos governos, certamente os internautas correriam pra lá sem pestanejar.
INTERNET: TERRITÓRIO EM DISPUTA
A internet se trata, portanto, de uma mídia técnica na qual se digladiam várias potências, várias vontades de poder, vários interesses conflituosos:
1. Os do velho mercado pop, que gostaria que a rede nunca tivesse nascido e que será, provavelmente, derrotado;
2. Os do estado, sempre acometido de paranóia e desejo de controle, ávido por saber os passos de cada cidadão seu. Neste aspecto, a internet é uma ferramenta muito poderosa, pois ela grava todos os eventos da rede e o cálculo computacional proporciona um cruzamento de dados que torna o universo de controle do filme 1984 uma brincadeira de criança;
3. Os do novo mercado pop, ávido pelos bancos de dados da alma de cada pessoa a fim de maximizar suas receitas publicitárias;
4. Os de artistas, programadores, hackers e internautas adeptos da cultura livre em geral, que veem na internet um espaço potencialmente livre dos controles do mercado e do estado, no qual a criatividade desenvolve toda a sua potência e a privacidade e o acesso gratuito ao conhecimento (aos conteúdos) é um direito.
É possível que outras forças surjam na internet, que algumas se extingam ou se transformem e outras permaneçam. Uma coisa é certa: a potência da rede como biblioteca total e gratuita, como espaço da cultura livre, faz parte de sua natureza maquínica e vai de encontro com o desejo das pessoas pelo acesso livre e gratuito ao conhecimento.
A adesão praticamente irrestrita da população internauta à pirataria digital confirma que as pessoas já escolheram o direito à informação em detrimento ao direito de propriedade intelectual.
Tacitamente as pessoas dizem:
“vamos copiar todos os conteúdos independente de leis ou vontades autorais, estatais ou mercadológicas em contrário, contra o autor, os produtores, distribuidores e o estado. Acessar, copiar e (usu)fruir gratuitamente todo e qualquer conteúdo digital ou digitalizável no ambiente da internet é legítimo, é um direito nosso. “
Por que não explicitar tal desejo coletivo numa declaração de princípios, trazendo-a para a consciência e exigindo leis que cumpram tais princípios?
CINCO PRINCÍPIOS DA CULTURA LIVRE NA INTERNET
Qualquer lei que atenda aos anseios por uma cultura livre na internet teria que se basear, pelo menos, nos seguintes princípios:
1. É direito do internauta que todo conteúdo digital/digitalizável seja disponibilizado gratuitamente na internet;
2. Todo conteúdo disponibilizado na internet poderá ser copiado de forma ilimitada;
3. É vedada a disponibilização de conteúdo com qualquer tipo de proteção contra cópias ou limitações ao uso gratuito (No máximo, poderá haver um “pague se quiser” ou “pague a mim, mas pode repassar gratuitamente”);
4. O conteúdo gratuito não pode sofrer restrições de acesso/download por conta de contratos publicitários.
Obs. 1: Por outras palavras, todos os conteúdos podem ser remixados para a retirada de publicidade ou disponibilizados em ambientes livres de publicidade.
Obs. 2: Este item é controverso, mas não acho que hackers, piratas e praticantes da cultura livre queiram abrir mão dele, pois é ele que dá direito ao internauta de escapar da nova indústria cultural que vive de publicidade, como o Google;
5. Se houver exploração comercial de um conteúdo na internet, o seu criador (ou criadores) terá direito de ser remunerado.
Obs.1: Por outro lado, o autor não tem direito à remuneração no caso do uso não comercial da obra.
Obs. 2: Outro ponto polêmico: o autor poderia criar obstáculos à fruição desinteressada de seu trabalho no ambiente da internet?
O direito ao conhecimento não se sobreporia ao direito de propriedade do autor sobre sua obra, pelo menos no espaço da biblioteca total que é a internet?
Isto valeria para vídeo, imagem, som, escrita, games, programas, etc. Tudo que seja digital…
Tenho certeza que tais princípios são moralmente concretos e tecnicamente factíveis de se atingir. Moralmente, eles já estão entranhados firmemente no espírito das pessoas e são, portanto, legítimos: as pessoas já escolheram privilegiar, em detrimento dos outros direitos, o direito irrestrito ao conhecimento e à informação.
Tecnicamente não há o que comentar, a internet é, por natureza, uma biblioteca total de conteúdos digitais/digitalizáveis, gratuita e disponível a todos que tenham um chip conectado na rede: a única coisa que falta é fazer upload das obras ainda fora da rede e catalogar tudo com precisão, para evitar conteúdos em duplicidade e dificuldades na busca.
Não tenho ilusões que o mercado e o estado permitirão a aprovação de leis que atendam a estes princípios que, como disse, são legítimos e deveriam ser alçados à condição de direitos da população (global).
Uma lei assim só sairá do papel quando a pirataria for tão maciça, disseminada e incontrolável que o mercado e o estado não tenham nada mais a perder. E ela vai atingir tal estágio de virulência, estejam certos disso: se existe uma praga determinada, tenaz e invencível neste mundo do Deus Mercado, é a pirataria digital.
É ela, a pirataria digital, esta guerra suja empreendida pelos vagabundos da rede, que irá efetuar a potência máxima da internet, tornando-a efetivamente uma biblioteca total.
.Wilton Cardoso é editor de Vida Miúda
Por Ivan Lira de Carvalho*
Ainda no tempo de estudante ouvi uma preleção informal de Djalma Marinho (parlamentar que gravou com a conduta e com a coragem as mais respeitáveis páginas da Câmara dos Deputados do Brasil), acerca da palavra como ferramenta de trabalho do profissional do Direito. Dizia o experiente advogado e homem público que o manejo correto da palavra definia o sucesso de uma tese, assim como, pelo inverso, o seu mau uso poderia impor o malogro de uma causa.
Durante o exercício da advocacia, da magistratura e do magistério, pude comprovar, na prática, o elevado quilate de acerto daquela recomendação obtida na juventude. A cada dia tento burilar os meus escritos e as minhas locuções, no sentido de tornar mais eficiente essas partículas de comunicação, expondo-as da forma mais pura possível, despindo-as de adereços desnecessários. Quero-as como peças a serviço da veiculação de ideias e não como estrelas que atraiam para si somente as atenções, “esquecidas” do serviço que devem prestar ao texto, isto é, ao conjunto das suas iguais. Posso até não conseguir, mas tento!
Sem a pretensão de deitar lições aos que têm menos tempo de trabalho na área, arrisco algumas sugestões, na procura de estimular a aplicação eficiente da linguagem forense, que deve transitar equilibradamente entre o clássico e o informal, mas sempre distante do pedantismo e da vulgaridade.
Assim, um costume que é adquirido nos bancos acadêmicos e levado ao trabalho é o de inserir expressões ou palavras do latim, como se a falta delas desmerecesse a qualidade de um arrazoado ou de uma decisão. No Brasil, o latim jurídico, de inspiração romana, provém da formação educacional básica de todo o período antes da República, confiada quase integralmente aos colégios católicos. Mas não é exclusividade auriverde, pois em quase todos os ângulos do planeta existe esse hábito de “enfeitar” os textos com palavras ou bordões apanhados do idioma do Lácio.
Indaga-se: uma língua morta (não é mais adotada como idioma em nenhum país, mas somente na Cidade-Estado do Vaticano), necessita mesmo ser usada abundantemente em peças jurídicas escritas em português? A resposta é negativa, muito embora possa, aqui e acolá, oferecer certo charme ou apresentar destaque a uns poucos períodos.
Equívoco também é o uso de palavras arcaicas. Com efeito, não é razoável que um profissional jurídico discorra hoje em dia com expressões que estão muito bem agasalhadas, por exemplo, em “Ateneu”, de Raúl Pompéia, publicado em 1888, o último suspiro do barroco, como insinuou Mário de Andrade. Não sabia Mário que desatentos bacharéis não deixariam esse estilo fenecer…
Demonstrar erudição tem plateias e espaços próprios — as tertúlias. Pouco ou nada acresce em termos de objetividade, à atuação de agentes jurídicos do Século 21. Mais atrapalha que ajuda.
Outro pecado fatal é a produção de escritos imensos. Uma sentença que desnecessariamente ocupa laudas e mais laudas de papel está fadada a somente agredir os recursos naturais (papel e tinta), pois só será consultada a partir do “isto posto…”. A mesma sorte (o descaso) é reservada a um petitório delongado, maçante, que se põe em lugar de um texto enxuto, que poderia “dar o recado” em breves linhas.
A propósito das longas peças, recorda-se o caso real havido na Justiça do Trabalho do Rio Grande do Norte, no qual o advogado, em audiência, entregou uma contestação enorme, merecendo do magistrado irreverente, após manuseio rápido, o seguinte ditado ao escrevente, para registro na ata: “O reclamado apresentou uma contestação ‘tamanho família’, com setenta e duas páginas, que o juiz não vai ler…” Assim dito, assim escrito.
Se acima foi criticado o arcaísmo de certos textos, em outro extremo merece censura o uso de palavras chulas ou de expressões bem próprias de ambientes simplórios; nunca da sede das postulações, dos opinamentos ou das decisões forenses. Por vezes, talvez entusiasmados pelo tema posto em análise, até mesmo magistrados — que devem oficiar como guardiões do equilíbrio na utilização do verbo — descambam da compostura e tisnam as suas sentenças com arremedos de gracejos que conduzem o seu decisório ao campo do ridículo. É rigorosamente inadequada a fulanização dos argumentos ou a adjetivização das partes (e mesmo de terceiros alheios à lide), como ocorreu recentemente em caso de repercussão na imprensa especializada, quando um juiz, ao decidir demanda de cunho consumerista envolvendo um aparelho de televisão, ingressou em observações acerca da plástica de mulheres participantes de um reality show. Impertinente em alto grau.
Também risco que não se deve correr é o da adoção desmedida dos formulários, mesmo em nome da celeridade processual. Além de atrofiar a capacidade criativa dos agentes jurídicos, induzem ao pecado da não observância dos fatos e dos argumentos da questão com a detença que merecem. Isto não significa que juízes, advogados e membros do Ministério Público tenham que retornar à era dos manuscritos ou da datilografia. Postula-se, sim, por moderação no uso das praticidades geradas pela informática, em tempos de processo judicial eletrônico.
Não se prega aqui a desvalorização da cultura clássica e nem o desdouro de estilos que fizeram e fazem o prestígio da língua portuguesa. O que se deseja é chamar a atenção para a eficiência que a contextualização das palavras pode e deve gerar no trabalho forense.
Destaque-se: a elegância e a objetividade na aplicação das palavras há que ser o norte para o sucesso da atividade jurídica, independentemente da seara onde seja exercida. Alcançar esse ponto de proporcionalidade não é tarefa indene de esforço; reclama perícia e perseverança, além de razoável dose de humildade para rever os próprios equívocos e para aceitar quando esses lhe são apontados por outrem. Nesse exercício de modéstia, é sempre bom ter em mente a lição de Mário Moacyr Porto: “É fácil escrever difícil; difícil é escrever fácil.”
*Ivan Lira de Carvalho, juiz federal e doutor em Direito, é professor da UFRN na graduação e no mestrado em Direito.
CARDÁPIO DE IMPRENSA
postado por O Santo Ofício | janeiro 26, 2012
[Do Bar de Ferreirinha, Caicó 23 de janeiro de 2012]
Por Heraldo Palmeira
.Estudo realizado nos Estados Unidos apresentou uma revelação assustadora: diante da perda de um ente querido, aumentam 21 vezes as chances de qualquer pessoa sofrer um infarto no dia seguinte. Durante a primeira semana as chances permanecem altas, seis vezes maiores que o normal. A situação só tende a normalizar ao fim do primeiro mês.
.De uma hora para outra, e de forma muito estranha, o Poder Judiciário entrou em batalha contra o CNJ-Conselho Nacional de Justiça. No centro da questão, o desejo de muitos magistrados de que suspeitos de toga não sejam alcançados. Pouco importam as denúncias de diversos tipos que cercam juízes e feudos judiciários. No TRT do Rio de Janeiro, por exemplo, um único servidor movimentou R$ 289,9 milhões em 2002.
.O secretário Duvanier Ferreira, do Ministério do Planejamento, morreu de ataque cardíaco, em Brasília. Antes, peregrinou por três hospitais sem merecer o devido socorro. Além de sofrer recusa ao plano de saúde do qual participava, em um dos hospitais, o Santa Luzia, o ministro e sua mulher foram barrados. Porque eram negros, segundo denuncia o ministro da Saúde Alexandre Padilha.
.As eleições municipais deste ano escondem bastidores complexos. O PT tentará formar a maior bancada de prefeitos de todos os tempos, mas os demais partidos começam a se mobilizar. Afinal, não existem inocentes na política e todos pressentem o perigo do domínio exclusivo do poder, tão caro aos petistas.
.Com uma gestão marcada por vexames à frente do Ministério da Educação, números imóveis na parte inferior das intenções de voto e desânimo da militância, a candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo segue uma incógnita. O resultado da próxima pesquisa pode soar com tábua de salvação ou atestado de óbito dessa aventura patrocinada por Lula da Silva.
.Celso Daniel, então prefeito de Santo André (SP), comandava o sistema de arrecadação financeira do PT e já estava escolhido ministro da Fazenda para o primeiro mandato de Lula da Silva. Seu assassinato completou dez anos e representa um dos maiores mistérios do petismo: oito testemunhas do crime morreram, algumas em condições muito estranhas. Já o delegado Romeu Tuma Jr., que supostamente desvendou o crime, segue em desgraça.
.A Construtora OK, de propriedade do ex-senador cassado Luiz Estevão, ostenta dívida tributária de cerca de R$ 300 milhões junto à Receita Federal. Pois bem, sabe-se lá por que cargas d’água, a construtora constava inscrita no Simples Nacional. Beneficiada por renegociação especial, garantida para empresas desse segmento, pagava míseros R$ 200 – isso mesmo, duzentos reais! – mensais de amortização da dívida. Nessa pisada, a quitação se daria em um prazo, digamos generoso, de 1.250 anos.
.Agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional resolveu recorrer e começou a confusão. A construtora já não tem sede no endereço cadastrado na Receita, revelando indícios de “processo de dissolução irregular, confusão patrimonial, abuso de personalidade jurídica, manobras fraudulentas e ocultação patrimonial praticados pela devedora”. No site do STJ o caso foi noticiado sem citar o nome da empresa e o número do processo, sob alegação de “segredo de Justiça”. Felizmente, a página da PGFN batiza o fulano.
.Desde que o governador goiano Marconi Perillo ganhou ares de presidenciável no PSDB, muitos tucanos passaram a pressionar o senador Aécio Neves a assumir formalmente sua condição de candidato à presidência. A maioria dos membros do partido entende que José Serra já não é um candidato viável ao Planalto, e por isso vem sendo empurrado à disputa municipal paulistana. E muitos lembram que Aécio já afirmou que disputaria sem receio com Dilma Rousseff ou Lula da Silva.
Durante uma suposta visita secreta do médium goiano João de Deus ao apartamento de Lula da Silva, o ex-presidente teria feito uma promessa: caso se cure do câncer e tenha a voz integralmente preservada, jamais voltará a se candidatar a qualquer cargo eletivo.
.Contrariando os prognósticos fatalistas, o cinema não desapareceu com a chegada de novas tecnologias – assim como acontece com o rádio, a televisão, o livro, o jornal impresso… Na verdade, a chamada Sétima Arte vem experimentando crescimento robusto no mundo inteiro e 2011 foi ano de gordas bilheterias – no Brasil arrecadaram R$ 1,41 bilhão.
.Em 2011 o lendário Larry King deixou sua bancada de entrevistas na CNN Internacional, para se dedicar somente a matérias especiais. Mas King tem um fã muito especial, Carlos Slim, o homem mais rico do mundo (fortuna estimada em US$ 63 bilhões). Por isso, o bilionário está propondo ao ídolo uma parceria no ramo da mídia, que poderá se tornar um canal internacional de notícias.
.De olho na visibilidade das Olimpíadas de 2016, a Nike está trabalhando nos bastidores para substituir a brasileira Olympikus como fornecedora oficial de material esportivo para o Comitê Olímpico Brasileiro – uma parceria estabelecida desde 1999.
.A Rede Globo acaba de adquirir o direito de transmissão dos jogos da Série C do Brasileirão. Tudo porque o Sportv terá agora três canais e vai exigir mais conteúdo. Assim, a emissora domina agora as três séries principais do futebol brasileiro.
A Rede Record está pregando economia nos gastos. Tanto que a ordem é não renovar diversos contratos de atores e jornalistas quando vencerem.
.O ano de 1942 trouxe ao mundo grandes nomes da música brasileira, que completam 70 anos ao longo de 2012: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Milton Nascimento, Nei Lopes e Paulinho da Viola. A saudosa Nara Leão também nasceu naquele ano abençoado para o nosso cancioneiro popular.
.Este deverá ser o último ano em que Pedro Bial apresenta o BBB. Para 2013, a Globo pretende entregar o posto a Tiago Leifert, que ainda se mantém muito resistente à ideia de sair da área de esportes.
.Apesar do novo disco produzido pelo compadre Caetano Veloso (que compôs um belo conjunto de músicas e trouxe um ambiente tecnológico para álbum), numa tentativa de garantir sobrevida à carreira da amiga Gal Costa, ela não demonstra qualquer ânimo – chega a parecer aborrecida – nos lugares em que os dois aparecem para divulgar Recanto. Muito distante daquela Gal encantadora que explodiu com dengo tropical nos anos 60.
.Finalmente, tudo voltou ao normal. Agora, lê-se novamente Magazine Luiza, desde que Luiza voltou do Canadá.
O festival de ignorância segue firme em sua turnê mundial. Dia desses, uma moça com diploma universitário passeava de carro pela orla carioca, quando passou diante do Copacabana Palace. Deslumbrada, percebeu, ao lado do famoso hotel, o também imponente edifício Chopin – residência de celebridades. Talvez porque o andar térreo é ocupado por algumas lojas elegantes, nossa turista revelou sua indignação: “Hoje em dia, as pessoas não respeitam mais o idioma. Escrevem ‘shopping’ de tudo quanto é jeito: com um pê, com dois pês… Mas assim, c-h-o-p-i-n, eu nunca tinha visto!”. Santo Deus!
“O diabo é quem quer esse disco, vendo Caetano tocar com nojo e Gal cantar com aquela cara de abuso.”
Zé Prativai, impressionado com aquele jeitão (de nojo, segundo observação venenosa do cantor Lobão) de Caetano Veloso ao tocar violão, e a antipatia de Gal Costa nas aparições públicas que a dupla vem fazendo para divulgar Recanto, novo CD dela.
ALARIDO
“Duvanier e sua mulher foram barrados no hospital porque eram negros!”
(Alexandre Padilha, ministro da Saúde, comentando com o jornalista Jorge Bastos Moreno a ultrajante omissão de socorro e posterior morte do secretário Duvanier Ferreira, do Ministério do Planejamento)
“Posso lhe dizer que estamos mais, bem mais avançados (na Rússia). Diria ainda que temos mais problemas no momento no Brasil.”
(Joseph Blatter, presidente da Fifa, em visita à Rússia, comparando os estágios das obras para as copas de 2014 e 2018)
“O Brasil é o país que ganhou cinco vezes a Copa, aí vocês acham que podem pedir, pedir e pedir.”
(Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, diante das dificuldades que o Brasil tem criado para aceitar algumas condições da dona da bola)
“Vou dormir çedo, saio çedinho.”
(André Vargas, deputado federal e secretário Nacional de Comunicassão do PT, no Twitter, certamente saindo tão cedo que nem havia ainda qualquer çinal de çol)
“Reforma só existe na cabeça da imprensa.”
(Dilma Rousseff, confirmando o que já era mais do que sabido: não haverá reforma ministerial alguma, ainda mais em ano de eleição)
“A dificuldade de mexer no primeiro escalão é que aquilo não é um Ministério, mas um castelo de cartas. Mexeu com uma, mexeu com todas.”
(De um experiente político, que prefere o anonimato, falando da tal reforma ministerial que nunca acontece)
“Pouco profundo e meio apelativo.”
(Stephen Holden, crítico de cinema do jornal The New York Times, a respeito do filme Lula, o filho do Brasil, que estreou nos Estados Unidos)
“Finalmente, um reforço! Ficamos livres do Thiago Neves!”
(Ruy Castro, jornalista, flamenguista, ao saber da transferência do jogador para o Fluminense)
“A mulher está para o homem para o que der e vier. Já o homem, infelizmente, está com a mulher que vier e der.”
(Eliano Pellini, médico, ginecologista que participa do programa Mulheres, da TV Gazeta)
“O amor é lindo!”
(Pedro Bial, apresentador do programa, comentando no ar as cenas do suposto estupro no BBB)
“Esse caso é uma oportunidade para rever o péssimo exemplo qlue esse programa tem dado.”
(Janaina Paschoal, advogada criminalista, a respeito da mesma cena)
“Nunca investiria em um programa que escolhe a dedo pessoas esquisitas só para embriagá-las e depois vê-las criar situações constrangedoras.”
(José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, ex-diretor de Operações da Rede Globo e pai de Boninho, o diretor do BBB)
TUCANO COM ‘AQUILO ROXO’
postado por O Santo Ofício | janeiro 25, 2012
Para se opor ao PT, só mesmo um presidente tucano interino.
Esta é a Nota Oficial do PSDB, em resposta às acusações do Coveiro do PT, aquele encarregado de combinar versões com acusados do Caso Celso Daniel. Do blogue Coturno Noturno
É deplorável a intromissão do governo federal, através do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, no processo de reintegração de posse da área invadida do Pinheirinho, em São José dos Campos. Ao politizar um assunto que se transformou em drama que sensibiliza a todos nós, mas sobre o qual nunca procurou encontrar uma solução, o ministro ignorou o princípio da separação entre os poderes e a autonomia dos entes federativos. Mais: ao dizer que o “método” do governo federal não é esse, sugeriu à nação que não se acatem decisões judiciais. Fato grave quando a atitude vem de um ministro que tem a obrigação de zelar pela Constituição.
O método do ministro e de seu governo é conhecido. O cumprimento da decisão judicial fez com que o PT movimentasse todos seus tentáculos políticos e sua máquina de desinformação, com o intuito de atingir três metas: culpar o Governo do Estado pelo fato, caracterizar como de extrema violência a intervenção policial no local e se apresentar como paladino da justiça social, fazendo falsas promessas e criando expectativas irreais para os moradores do local. Criaram, o ministro e seu partido, nos moradores do Pinheirinho, uma falsa expectativa, nunca concretizada, de resolver a questão. Ao invés de fazer proselitismo político, o Governo Federal poderia ter publicado decreto de desapropriação da área, mas não o fez.
É temerário que, mal se tenha iniciado o processo eleitoral deste ano, o PT já disponha de uma fábrica tão ampla de mentiras. Pior ainda é ver esse projeto de poder ser traçado às custas da ordem democrática e do sofrimento de pessoas que os petistas, hipocritamente, fingem confortar. O governo de São Paulo agiu em cumprimento de determinação do Judiciário, e a operação foi comandada diretamente pela Presidência do Tribunal de Justiça paulista. Enquanto o governo federal só agride, o governo paulista e a prefeitura do município providenciam a ajuda necessária para minorar o sofrimento das famílias desalojadas.
Brasília, 24 de Janeiro de 2012
ALBERTO GOLDMAN
Presidente Interino – Comissão Executiva Nacional
Vale a Pena Ler de Novo
postado por O Santo Ofício | janeiro 25, 2012
BIG BROTHER BRASIL, UM PROGRAMA IMBECIL

Publicado em O SANTO OFÍCIO | 26 SETEMBRO, 2011
Por Antonio Barreto*
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.
*Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.
1 COMENTÁRIO • POLÊMICA
.Katia De Fatima Leite on 25 de janeiro de 2012 at 13:10.
Se eu tivesse que dar uma nota para este Cordel, não haveria zeros o suficiente para colocar na frente no nº 1.
Expetacular!!!
É exatamente o que acha, todos aqueles que temos um mínimo de cultura e decência. Pena que o povo brasileiro se contenta com tão pouco e adora chafurdar na pocilga global.
É realmente latismável.
Chego a sentir náuseas.
O ATIVISTA ROGÉRIO DIAS
postado por O Santo Ofício | janeiro 24, 2012
Por Franklin Jorge
Há pouco recebi de Rogério Dias, atento leitor das idiossincrasias midiáticas e governamentais, especialmente nas áreas da cultura e do meio ambiente, como o ativista ecológico que é, em permanente defesa de Mossoró e do Rio Grande do Norte, ao perseverar em sua utopia.
Ele escreve o jornal virtual permanente, interativo, instigando os questionamentos, como, há pouco, reivindicou e vindicou por aquilo que, achando legitimo o reconhecimento de uma data comemorativa, propagou uma corrente convocando os cidadãos a reparar o descaso da prefeitura para com o centenário de Marieta Lima, uma mulher notável de Mossoró, professora de gerações de mossoroenses. Uma ação justa e inadiável.
Agora, no recebimento de mais um elo desta corrente comunicativa, quando Rogério repassa ao tirocínio do leitor, duas interessantes propostas explosivas. A publicação – dessas que circulam na internet – toca, de maneira crua, uma obviedade. Se, por lei, os maços de cigarros já fazem essa conhecida contrapropaganda, por que não ampliá-la?
Reproduzo, a seguir, o e-mail na íntegra:
“Já que colocam fotos de gente morta nos maços de cigarros, por que não colocar também: de gente obesa em pacotes de batata frita, de animais torturados nos cosméticos, de acidentes de trânsito nas garrafas e latas de bebidas alcoólicas, de gente sem teto nas contas de água e luz, e de políticos corruptos nas guias de recolhimento de impostos?”
Como critico do governo de Rosalba Ciarlini e da cultura oficial, quis o reconhecimento público da contribuição de Marieta Lima, aos cem anos, às artes plásticas. Um presente precioso, mas teria que ser feito pela cidade, numa consagração a paciência e a constância com que se dedicou a ensinar a técnica da pintura a centenas de mossoroenses.
Eis, em síntese, Rogério Dias. A quem agradeço a difusão permanente que faz deste O Santo Ofício através de sua numerosa rede social.
O POETA JOÃO LINS CALDAS
postado por O Santo Ofício | janeiro 24, 2012
Por Franklin Jorge
O poeta João Lins Caldas já era uma lenda viva no Assu quando, menino, o conheci.
Magro, fisicamente parecido com Ezra Pound [notaria depois, na sequencia], seu nome corria de boca em boca, sempre de uma maneira fantasiosa ou equivocada.
Era considerado um gênio excêntrico e um altíssimo poeta que, no Rio de Janeiro, em sua mocidade, privara com os mais brilhantes intelectuais da época.
Dizia-se que matara um homem no Rio de Janeiro ou em São Paulo e que o escritor José Geraldo Vieira se inspirara nele para criar o personagem Cássio Murtinho do romance à clef “Território Humano”, uma obra basilar da moderna prosa brasileira.
Amigo de Padrinho – meu avô torto -, algumas vezes Seu Caldas parava em nossa casa, no número 89 da Rua Moisés Soares, quando demorava-se em extensa conversa sobre Trotski, Lênin, Stálin, Getúlio Vargas e Nietsche.Conversavam durante um expediente.
Quase somente ossos e rugas, Seu Caldas vestia sempre o mesmo terno desbotado, entre azul água e cinza.
Não dispensava a gravata escura mal atada em torno do pescoço cheio de dobras. Ocasionalmente trazia um embornal encardido e a espingarda à tiracolo, que depositava no chão, atrás da porta. Apesar da fragilidade física, deixava transparecer uma certa paixão juvenil que desautorizava os sinais da velhice. Usava chapéu de massa.
Certamente Padrinho simpatizava com as idéias do poeta, que pertencia ao patriciado local. É possível que lhe dedicasse até algum afeto, pois na intimidade da família exaltava os seus dons, louvando-lhe a inteligência visionária e a lucidez dos seus sonhos ecológicos, numa época em que esta palavra ainda não fazia parte do vocabulário cotidiano. A mídia ainda não a inventara.
Dudé, moça de Jucurutu, ajudante nos trabalhos domésticos da casa, nossa querida companheira de brinquedos e arteirices, tinha a obrigação regular de olhar por mim. Quando se aborrecia, Dudé [Maria José] costumava invocar o nome do poeta quando desejava chantagear a mim ou a minha irmã. Assustados ficávamos e, as vezes eu subia na meia parede que separava sala e corredor, e, daquelas alturas, examinava, cheio de curiosidade infantil, o velho Caldas, estranhamente vestido, o longo pescoço e a pele inteiramente encarquilhados, um tipo pontiagudo e longilíneo, magérrimo, de mãos longas e dedos longos, muito cortês e atencioso para com todos nós.
Somente muitos anos depois eu saberia que a mãe do poeta morara naquela mesma rua e talvez morresse num daqueles velhos casarões construídos num tempo em que esta ainda era a Rua das Hortas, historicamente a mais antiga da cidade.
Dona Fefa, a mãe do poeta, era homeopata e dava seus remédios à população. Talvez seu Caldas a evocasse nesse trânsito vespertino, porém não creio que o fizesse, dada a sua extrema discrição no que se referia aos assuntos de família. Em casa, nunca ouvi nada a respeito.
O momento político o interessava muitíssimo, juntamente com os assuntos agrícolas. Como Padrinho, Seu Caldas embriagava-se com o áspero e delicioso sabor da terra. Possuía um sítio chamado “Frutilândia”, nas cercanias da cidade onde costumava passar o dia, absorto na leitura da natureza sobrenatural.
Quando moço, ia e vinha de Ipanguaçu, a pé, após atravessar as águas do rio Assu. Amando seminalmente a terra, o velho poeta espremia o caju com as mesmas mãos angulosas com que acariciava as árvores, os bichos e as palavras.
Morte de auxiliar da presidente Dilma retrata a saúde pública do PT
O secretário de recursos humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, morreu às 5h30 do último dia 19, aos 56 anos. Após sofrer um infarto agudo do miocárdio quando estava em casa, na capital federal, ele teria sido levado aos hospitais Santa Lúcia e Santa Luzia. Mas, sem um talão de cheques em mãos, teria tido o atendimento negado. Ele era conveniado da Geap, plano não coberto pelos dois hospitais, segundo as centrais de atendimento.
Quando chegou ao Hospital Planalto – o terceiro na busca por uma emergência -, o quadro já estava avançado e os médicos não conseguiram reanimá-lo. Duvanier era o responsável pela gestão de pessoas dos servidores públicos federais e o homem forte da presidente Dilma Roussef para liderar as negociações com sindicatos e demais entidades representantes do funcionalismo.
Procurado pelo jornal Estado de Minas, o Hospital Santa Lúcia informou que o caso estava sendo avaliado pelo seu Departamento Jurídico. O Santa Luzia assegurou não ter qualquer registro da entrada de Duvanier na emergência. “Iniciamos um levantamento para verificar o assunto”, assegurou Marisa Makiyama, diretora técnico-assistencial do estabelecimento. O Hospital Planalto ressaltou que não se pronunciaria devido ao fim do expediente das pessoas responsáveis.
O infarto ocorreu em plena campanha salarial de 2012, em um ano que os servidores ameaçam fazer uma greve generalizada de todas as categorias. Enquanto o governo bate o pé que o orçamento não comporta mais reajustes como os que foram oferecidos ao longo do segundo mandato do presidente Lula, quando vários sindicatos obtiveram ganhos acima da inflação, o funcionalismo não se conforma em ficar de mãos vazias. Em meio ao fogo cruzado, Duvanier era considerado pelos dois lados como o homem ideal para comandar as negociações.
“É uma perda irreparável, tanto para a gestão pública como para o sindicalismo”, desabafou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Artur Henrique da Silva. Antes de entrar para o Ministério do Planejamento, Duvanier foi dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (Sindsaúde-SP), diretor da CUT estadual de São Paulo e assessor da Secretaria Geral da CUT nacional. No cargo de secretário de formação da CUT-SP, fundou e coordenou a Escola Sindical de São Paulo. Foi também chefe de gabinete da Secretaria de Gestão Pública da Prefeitura de São Paulo e assessorou a presidência da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).
Ele iniciou a carreira no governo em junho de 2007, a convite de Lula, e foi reconduzido ao cargo na gestão de Dilma Rousseff. Em nota, a presidente ressaltou que Duvanier teve uma trajetória política destacada. “Sua inteligência, dedicação e capacidade de trabalho farão muita falta à nossa administração”, afirmou ela. Muito abalada, a ministra do Planejamento , Miriam Belchior, lembrou que Duvanier simbolizava a política de recursos humanos do governo federal. O corpo foi velado no mesmo dia, no cemitério Campo da Esperança. No fim da tarde, foi transportado a São Paulo, onde foi enterrado, no Cemitério de Congonhas.
Inquérito
A Polícia Civil do Distrito Federal abrirá inquérito para apurar as condições e o atendimento recebido por Duvanier Paiva nos hospitais. Se comprovado que houve negligência, os responsáveis poderão ser punidos.
A exigência de cheque, cartão ou outros valores a título de caução, para pacientes que alegam possuir plano de saúde é expressamente ilegal, de acordo com o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor.
Além disso, “o Código Civil protege o cidadão das cobranças abusivas no que é classificado como Estado de Perigo, que são essas situações extremas na qual o sujeito está defendendo a própria vida, como quando ele chega a um hospital buscando atendimento de emergência”, enfatizou Joana Cruz, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).
Fonte: Sindijufe-MT
DEU NA TRIBUNA DO NORTE
postado por O Santo Ofício | janeiro 24, 2012
OPERAÇÃO IMPACTO: 16 RÉUS CONDENADOS POR CORRUPÇÃO
[Natal, 23 de Janeiro de 2012]O juiz da 4ª Vara Criminal de Natal, Raimundo Carlyle de Oliveira, condenou 16 dos réus da Operação Impacto por corrupção ativa e passiva durante a votação do Plano Diretor de Natal (PDN), em 2007. Dos 21 denunciados pelo Ministério Público Estadual foram integralmente absolvidos o presidente da Câmara Municipal de Natal (CMN), Edivan Martins, e o ex-vereador Sid Fonseca. Todos os condenados poderão recorrer em liberdade. Confira a íntegra da sentença aqui.
Os (parlamentares e ex-parlamentares) Emilson Medeiros e Dickson Nasser, Geraldo Neto, Renato Dantas, Adenúbio Melo, Edson Siqueira, Aluísio Machado, Júlio Protásio, Aquino Neto, Salatiel de Souza e Carlos Santos foram condenados por corrupção passiva nas penas do art. 317, caput, e § 1º do Código Penal (solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem). Adão Eridan também foi condenado, no entanto, apenas pelo caput do art. 317 do CP.
No caso de Dickson e Emilson a punição é agravada porque ambos respondem também pelo art. 62 do mesmo código, que dispõe que a pena será agravada em razão de agente que promove ou organiza a cooperação no crime.
O empresário Ricardo Abreu, além de José Pereira Cabral, João Francisco Hernandes e Joseilton Fonseca foram absolvidos das imputações previstas no art. 1º , inciso V, da lei 9.613/98 (lei que trata dos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores). No entanto, Abreu foi condenado pelas penas do crime de corrupção ativa (art. 333).
Os ex-funcionários da CMN Klaus Charlie, Francisco de Assis Jorge e Hermes da Fonseca foram culpados nas penas do art. 317, caput, e § 1º, c/c os artigos 29 e 327, § 2º, todos do Código Penal (corrupção passiva).
Perda de Mandato
Emilson Medeiros, Dickson Nasser, Geraldo Neto, Renato Dantas, Adenúbio Melo, Edson Siqueira, Aluísio Machado, Júlio Protásio, Aquino Neto, Salatiel de Souza, Carlos Santos, Adão Eridan, Klaus Charlie, Francisco de Assis Jorge e Hermes da Fonseca foram condenados a perda do cargo, função pública ou mandato eletivo.
“Verificado que, pela extensão da gravidade dos crimes praticados, é absolutamente incompatível a permanência dos aludidos réus em atividades ligadas à administração pública”, destacou o magistrado.
Ele determinou ainda, após transitada em julgado a sentença, que seja oficiado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para fim de suspender os direitos políticos dos condenados. Além disso, deverá ser expedido pela Secretaria Judiciária os competentes mandados de prisão dos condenados e, efetuadas as prisões, as respectivas guias de execução penal à Vara das Execuções para que instaure o devido processo executório das penas.
Devolução de recursos públicos
O Ministério Público requereu a perda em favor do Estado, do dinheiro apreendido em poder dos réus Geraldo Neto (R$.77.312,00), Emilson Medeiros (R$.12.400,00) e Edson Siqueira (R$.6.119,00), depositado judicialmente (fls. 17, 18 e 19 – vol. 11), como valores auferidos pelos agentes com a prática de fatos criminosos, totalizando R$.95.831,00.
“Sendo efeito da condenação a perda em favor da União do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso, decreto a referida perda, apreendida nos autos, conforme dispõe o artigo 91, inciso II, alínea “b”, do Código Penal”.
Além disso, o magistrado entendeu ser necessária a fixação de indenização, em virtude dos danos à Administração Pública, aferidos como a descrença do povo eleitor em seus representantes municipais e, no próprio sistema democrático, no caso representado pelo funcionamento do legislativo municipal, “não pode ser eficazmente mensurável em quantia financeira, porém deve ser fixado um mínimo que seja à título de indenização”, disse ele.
O montante deverá ser revertido ao Fundo Único do Meio Ambiente do Município de Natal, criado pela Lei nº 4.100, de 19.6.1992, regulamentado pelo Decreto nº 7.560, de 11.1.2005.
Das penas
O empresário Ricardo Abreu foi condenado a pena de seis anos e oito meses de reclusão em regime semi-aberto e ao pagamento da multa de 750 salários mínimos; Emilson Medeiros e Dickson Nasser devem cumprir o período de sete anos e nove meses em regime semi-aberto e ao pagamento de 150 salários minimos; os demais vereadores e ex-vereadores foram condenados à pena definitiva de seis anos e oito meses e ao pagamento 150 salários-mínimos.
Já o vereador Adão Eridan foi condenado à pena definitiva de cinco anos de reclusão e ao pagamento de 150 salários mínimos; os ex-funcionários da CMN, por sua vez, cumprirão pena de seis anos de reclusão.
Entenda o caso
“Como ficou provado que os condenados pagaram (Ricardo Cabral Abreu), solicitaram (Adão Eridan de Andrade), facilitaram (Klaus Charlie Nogueira Serafim de Melo, Francisco de Assis Jorge de Souza e Hermes Soares da Fonseca) e auferiram (os demais condenados), indevidamente, importância financeira (ou em bens) não quantificada completamente até o momento, fixo tal valor mínimo da indenização à Administração Pública em R$ 200 mil”, definiu. A verba deve ser revertida
O Ministério Público apresentou denúncia alegando que, no curso do processo legislativo de elaboração do novo Plano Diretor do Município de Natal, durante o primeiro semestre e início do segundo semestre do ano de 2007, os denunciados havia aceitado, para si, promessa de vantagem indevida, para que, no exercício dos mandatos de vereador do município de Natal, votassem conforme os interesses de um grupo de empresários do ramo imobiliário e da construção civil, que se formou para corromper, mediante pagamento de dinheiro, as consciências dos representantes do povo natalense.
Os denunciados, vereadores do Município de Natal, estimulados pelo oferecimento e a promessa da vantagem indevida, em valores iguais ou superiores a R$ 30 mil para cada um deles, obedecendo a uma tabela previamente escalonada de valores, formaram um grupo coeso que se articulou entre si durante todo o processo legislativo mencionado sob a promoção, organização e direção do denunciado Emilson Medeiros, em face das suas relações pessoais com empresários dos ramos da construção civil e imobiliário.
O denunciado Dickson Nasser, igualmente, em posição inferior apenas a do denunciado Emilson Medeiros, promoveu e organizou a cooperação no crime e dirigiu a atividade dos demais agentes, valendo-se inclusive da qualidade de presidente da Câmara Municipal de Natal para sustar o pagamento do subsídio do denunciado Sid Fonseca, para obrigá-lo a votar conforme os interesses do grupo de vereadores integrantes do grupo contratado pelos corruptores.
Em razão da aceitação da promessa da vantagem indevida, os então vereadores denunciados votaram, com êxito, conforme acertado com os empresários corruptores, pela rejeição dos vetos do Chefe do Executivo às emendas parlamentares ao Plano Diretor de Natal, na sessão da Câmara Municipal do dia 03.07.2007, assim praticando ato de ofício com infração de dever funcional.
Confira abaixo as condenações de cada um dos envolvidos:
Ricardo Abreu: condenado a 6 anos e 8 meses de prisão em regime semi-aberto por corrupção ativa e pagamento de 750 salários mínimos de multa.
Emílson Medeiros: condenado a 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão em regime semi-aberto e pagamento de 150 salários mínimos de multa.
Dickson Nasser: condenado a 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão em regime semi-aberto e pagamento de 150 salários mínimos de multa.
Aluísio Machado, Sargento Siqueira, Geraldo Neto, Renato Dantas, Carlos Santos, Salatiel de Souza, Júlio Protásio, Adenúbio Melo, Aquino Neto: condenados 6 anos e 8 meses de prisão em regime semi-aberto e pagamento de 150 salários mínimos de multa.
Adão Eridan: condenado 6 anos de prisão em regime semi-aberto e pagamento de 150 salários mínimos de multa.
Hermes Fonseca, Klaus Charlie e Francisco de Assis Jorge: condenados a 6 anos de prisão e multa.
Leia a sentença na íntegra, aqui.
Com informações do TJRN
É ‘CANTORA TOFU’, TÔ FORA
postado por O Santo Ofício | janeiro 23, 2012
Por Walter Carrilho*
Para mim só existem dois tipos de comida: a gostosa e a ruim. Picanha é gostosa. Jiló é ruim. Não importa qual é mais nutritiva. Se a comida não dá prazer não é comida. É “alimento”.
Mas tem comidas que ficam no meio termo. É o caso do tofu. Os chineses já inventaram um monte de coisa legal (seda e papel, preciso dizer mais?), mas tofu não é uma delas. É um tipo de queijo sem graça feito de soja, sem sabor ou cheiro. Não é ruim, mas não é gostoso. É nutritivo, mas não dá prazer de comer.
Tem cantora brasileira que é como tofu: não tem sabor nem cheiro. Elis Regina é Picanha. Tati Quebra Barraco é Jiló. E gente como Marisa Monte, para mim, sinceramente, é Tofu. Não é ruim, dá para engolir. Mas não tem graça.
Marisa Monte não está sozinha. As “Cantoras Tofu” são a maioria. Tem Maria Gadu. Tem Adriana Calcanhoto. Na verdade existem dezenas de Cantoras Tofu. E elas estão sempre armando alguma parceria com Arnaldo Antunes ou Carlinhos Brown.
Se fosse a MPB um rodízio, eu diria que as Cantoras Tofu estão tirando o lugar da costela e do carré de cordeiro. Você não passa fome. Mas não se satisfaz. Fica um vazio no estômago e na alma.
Todas as Cantoras Tofu se parecem muito. Seus discos têm nomes supostamente sensíveis e misteriosos. O novo de Marisa chama-se O que você quer saber de verdade e tem uma faixa com o nome de “Nada tudo”. O novo da Céu foi intitulado de “Caravana Sereia” ou algo assim. Todas elas adoram falar de amor, mas é sempre com aquelas rimas banais: “amor” com “ardor”. “Paixão” com “coração”. O amor das Cantoras Tofu não tem pimenta, não tem tesão. Deve ser complicado ir para a cama com uma delas.
As Cantoras Tofu dizem “optar pela simplicidade”, o que costuma ser um ótimo eufemismo para “falta de imaginação” e “preguiça”. Uma Cantora Tofu não ousa. Quando quer surpreender, ela pede para colocar um berimbau na 5ª faixa. Só para fingir que fez uma “pesquisa de sonoridades”. Ou então elas citam Almodóvar e Frida Kahlo para mostrar que tem repertório cultural.
Você não ouve Cantoras Tofu quando está apaixonado. Ou puto. Nem mesmo quando está deprê. As Cantoras Tofu não provocam emoções. Elas são úteis para você ouvir quando está largado no sofá, pensando se vai ou não comprar uma samambaia para colocar ao lado do quadro do Romero Brito. Elas são a trilha ideal para a seção de hortifruti do supermercado. (“Amor, não esqueça de comprar o meu alface orgânico!”)
É assim mesmo: as Cantoras Tofu não querem atrapalhar. Elas só querem ficar ali, dedilhando o violãozinho e fazendo a 26ª versão de alguma música manjada do Tom Jobim ou do Cartola. Adaptações anestésicas que sufocam todas as emoções presentes nas músicas originais. É para isso que servem as Cantoras Tofu: para agradar gente que precisa de “música elegante”. De música conformista, daquelas que não atrapalhe a festinha com vinhos e queijos identificados por bandeirinhas.
Talvez você ache absurdo um texto como esse. Você deve achar mais justo falar mal de Calypso. Na verdade, você provavelmente tem um ou mais discos de Cantoras Tofu no iPod e deve estar querendo matar o autor desse texto. Mas Calypso é como jiló. Se eu morder, vou achar ruim e acabar cuspindo. Com Marisa Monte e Maria Gadu é diferente. Eu mordo, mastigo, mastigo e não consigo achar o sabor. Fica um gosto esquisito na boca. Normalmente só passa quando eu ouço Bezerra da Silva.
*WC é, na verdade, o pseudônimo de um jornalista que prefere manter o anonimato para poder falar tudo aquilo que você adoraria falar, mas não fala porque, sei lá, não pintou o clima, saca? Ele escreve no Jornalismo Boçal.
O BRASIL VISTO DE FORA
postado por O Santo Ofício | janeiro 23, 2012
ONG acusa Brasil de ter ‘visão ideológica’ em sua política externa

Por BBC Brasil
A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) criticou nesta segunda-feira o que classificou como visão ‘ideológica’ da política externa brasileira, assim como abusos policiais e as ‘graves’ condições carcerárias no país.
As críticas foram feitas durante o lançamento do relatório mundial sobre direitos humanos da ONG, em Washington.
‘Acreditamos que o Brasil tem lamentavelmente uma visão mais ideológica do que deveria ser uma política externa baseada no respeito universal aos direitos fundamentais’, disse o diretor da HRW para as Américas, José Miguel Vivanco, ao apresentar o relatório, em Washington.
No entanto, Vivanco diz que a política externa de Dilma Rousseff ‘melhorou notavelmente’ em comparação ao governo de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.
Procurado pela BBC Brasil, o Itamaraty não quis comentar as declarações de Vivanco ou o relatório.
Segundo o relatório da HRW, ‘o Brasil se destacou como voz importante e influente em debates na ONU sobre medidas internacionais contra violações de direitos humanos’.
O documento cita votações no Conselho de Direitos Humanos da ONU entre julho de 2010 e junho de 2011, nas quais o Brasil se posicionou favoravelmente a resoluções sobre países como Sudão, Coreia do Norte, Irã e Síria.
Apesar desses avanços, a HRW critica a postura brasileira em casos como o da violência do governo da Síria contra manifestantes.
‘Entretanto, na reunião do Conselho de Segurança da ONU em outubro de 2011, o Brasil não apoiou uma resolução condenando a violência patrocinada pelo governo da Síria’, diz o relatório.
A vice-diretora da ONG em Washington, Maria McFarland, considera ‘lamentável’ que democracias como o Brasil não tenham apoiado movimentos democráticos em outros países, como a Síria.
OEA
Vivanco também criticou a postura recente do Brasil em relação à OEA (Organização dos Estados Americanos), após Comissão Interamericana de Direitos Humanos ter pedido a suspensão das obras na usina de Belo Monte.
‘Isso gerou uma reação feroz do governo do Brasil, com retirada com embaixador (na OEA) e suspensão de pagamentos’, diz Vivanco.
O diretor da HRW afirma que a reação deu maior peso às críticas ‘injustificadas’ de outros países à comissão de direitos humanos, referindo-se à pressão de alguns governos que criticam as medidas cautelares emitidas pela comissão e que defendem que sua estrutura seja modificada.
‘Em países como o Brasil ou o Peru, por causa de apenas um caso, o apoio ao sistema (interamericano) foi abalado. Porque não estão dispostos a jogar com regras permanentes’, diz Vivanco.
‘Acreditamos que isso reflete uma falta de compromisso e uma falta de maturidade de alguns Estados frente a suas obrigações internacionais em matéria de direitos humanos, que é preocupante.’
Segurança pública
Assim como em anos anteriores, o relatório volta a criticar a superlotação e casos de tortura nos presídios brasileiros. Diz ainda que abusos policiais são ‘um problema crônico’, principalmente nos Estados de São Paulo e Rio.
No entanto, a HRW afirma que houve avanços em São Paulo, com a investigação de supostos abusos policiais por uma unidade especial do Ministério Público.
‘Ainda assim as cifras de abusos (em São Paulo) são altas. Cifras de homicídios em enfrentamentos são altíssimas’, afirma Vivanco.
‘A realidade no Rio de Janeiro é mais grave. Não me refiro somente ao narcotráfico nas favelas, mas também as cifras de violência policial’, diz.
Vivanco destaca, porém, iniciativas positivas por parte do governo do Rio, como a implantação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) em favelas e a oferta de incentivos econômicos para policiais entregarem os criminosos com vida.
MUSEU PRA SACOLEIRO QUE SE PREZA
postado por O Santo Ofício | janeiro 23, 2012
- De Marketing na Cozinha

Acho que já podemos dizer que a modinha das ecobags já passou, certo? Qualquer empresa que aparecer agora com uma nova coleção de bolsas descoladas e ecologicamente corretas está no mínimo atrasada, pra não dizer queimando filme.
Já podemos dizer também que estamos evoluindo, estamos usando mais embalagens retornáveis do que recicláveis. E vamos concordar, se é pra usar uma sacola a vida inteira que ela seja legal.
Então, pra te inspirar na sua próxima ida ao supermercado, visite o Museum of Bags. Óbvio que por ser um museu, tem sacola de tudo quanto é tipo, e por isso vale um click.
A VIA CRUCIS DO PT MOSSOROENSE
postado por O Santo Ofício | janeiro 23, 2012
Por César Santos, do Jornal de Fato
Quando decidiu interromper um confronto histórico com a família Rosado, aliando-se a uma de suas alas nas eleições de 2008, o PT projetou iniciar uma nova fase na política mossoroense. Dois pontos primordiais: 1 – enterrar de vez a imagem de partido que não dialogava com outras tendências, acompanhando os ensinamentos do seu líder maior, ex-presidente Lula, que fez acordos com todas as cores e facções para se eleger mandatário maior da Nação; 2 – Ao se aliar ao rosadismo, indicando o vice na chapa encabeçada pela deputada Larissa Rosado (PSB), estaria ajudando a derrotar o Dem em sua “cidadela” e, por consequência, chegaria ao topo do poder municipal, mesmo como apêndice do grupo liderado pela deputada Sandra Rosado.
O PT cumpriu o seu objetivo, em parte. Desmitificou a imagem de partido fechado, porém não conseguiu ascender a uma condição de destaque no cenário local, com a derrota nas urnas. Dois anos depois, viu a parceria com o rosadismo ser desrespeitada, quando Sandra decidiu apoiar a reeleição do senador Garibaldi Filho (PMDB), que estava aliado ao DEM da governadora Rosalba Ciarlini, em detrimento de Hugo Manso, seu candidato ao Senado. Agora, à beira de novas eleições, os companheiros estão diante de um dilema, que coloca em confronto os que defendem candidatura própria contra os que querem repetir a aliança de 2008 com o rosadismo.
Em meio ao debate, existem os interesses individuais, políticos e de grupos – leiam-se correntes. A ADS, que luta para o PT voltar aos braços do rosadismo, tem o controle do Incra no Estado e depende da simpatia de Sandra para continuar com a pasta. A negociação com o rosadismo é feita via Paulo Sidney, ex-PT, hoje namorado da prefeitável Larissa Rosado.
Outras duas correntes fecham punho em defesa da candidatura própria. Entendem que a única forma de o partido eleger pelo menos dois vereadores e voltar a ter representantes na Câmara Municipal. A quarta corrente, que recebe orientação da deputada Fátima Bezerra, está indecisa, à espera de orientação da parlamentar. Fátima sonha com o apoio do rosadismo ao projeto de disputar o Senado em 2014. E, diante da via crucis do PT, está o reitor Josivan Barbosa, prefeitável hoje; amanhã, talvez.
A GUERRA VIRTUAL
postado por O Santo Ofício | janeiro 23, 2012
Castells, sobre Internet e Rebelião: “É só o começo”
Por Jordi Rovira, Universitad Oberta de Catalunya | Tradução: Cauê Seigne Ameni
Os meios de comunicação passaram semanas centrando sua atenção na Tunísia no Egito. As insurreições populares que se desenvolveram após o sacrifício do jovem tunisiano Mohamed Bouazizi, terminaram em poucos dias com a ditadura de Bem Ali e na sequência, como peças enfileiradas de dominó, com a “presidência” de Hosni Mubarack. Abriram-se processos democráticos em ambos os países. Manifestantes também saem às ruas árabes na Líbia, Iêmen, Argélia, Jordânia, Bahrain e Omã.
Em todos esse processos, as novas tecnologias jogam um papel chave primordial — em especial, as redes sociais, que permitem superar a censura. Ante esse desfecho histórico, Manuel Castells, catedrático sociólogo e diretor do Instituto Interdisciplinar sobre Internet, na Universitat Oberta de Catalunya, aprofunda a reflexão sobre o que se passa e oferece chaves para entender um movimento cidadão que tira o máximo proveito dos novos canais de comunicação ao seu alcance.
Os movimentos sociais espontâneos na Tunísia e Egito pegaram desprevenidos os analistas políticos. Como sociólogo e estudioso da Comunicação, você foi surpreendido pela ação da sociedade-rede destes países, em sua mobilização?
Na verdade não. No meu livro Comunicação e Poder, dediquei muitas paginas para explicar, a partir de uma base empírica, como a transformação das tecnologias de comunicação cria novas possibilidades para a auto-organização e a auto-mobilização da sociedade, superando as barreras da censura e repressão impostas pelo Estado. Claro que não depende apenas da tecnologia. A internet é uma condição necessária, mas não suficiente.
As raízes da rebelião estão na exploração, opressão e humilhação. Entretanto, a possibilidade de rebelar-se sem ser esmagado de imediato dependeu da densidade e rapidez da mobilização e isto relaciona se com a capacidade criada pelas tecnologias do que chamei de “auto-comunicação de massas”.
Poderíamos considerar estas insurreições populares um novo ponto de inflexão na história e evolução da internet? Ou teríamos que analisá-las como conseqüência lógica, ainda de grande envergadura, da implantação da rede no mundo?
As insurreições populares no mundo árabe são um ponto de inflexão na história social e política da humanidade. E talvez a mais importante das muitas transformações que a internet induziu e facilitou, em todos os âmbitos da vida, sociedade, economia e cultura. Estamos apenas começando, porque o movimento se acelera, embora a internet seja uma tecnologia antiga, implantada pela primeira vez em 1969.
A juventude egípcia desempenhou um papel chave nas insurreições populares, graças ao uso das novas tecnologias. No entanto, segundo os cálculos de Issandr El Amrani, analista político independente no Cairo, apenas uma pequena parte da população egípcia dispõem de acesso a internet. Pensa que esta situação pode criar uma brecha – usando suas próprias palavras, entre “conectados” e “desconectados” – ainda maior que a que se da nos países desenvolvidos?
O dado já está antiquado. De acordo com uma pesquisa recente (2010), da empresa informação Ovum, cerca de 40% dos egípcios maiores de 16 anos estão conectados à internet — se levarmos em conta não apenas as ligações domiciliares, mas também os cibercafés e os centros de estudo. Entre os jovens urbanos, as taxas chegam a 70%.
Além disso, segundo dados recentes, 80% da população adulta urbana esta conectada por celulares. E de qualquer maneira, estamos falando de um país com 80 milhões de habitantes. Ainda que apenas um quarto deles estivessem conectados, já poderia haver milhões de pessoas nas ruas. Nem todo o Egito se manifestou, mas uma número de cidadãos suficiente para que se sentissem unidos, e pudessem derrotar o ditador.
A história da brecha digital em termos de acesso é velha, falsa hoje em dia e rabugenta. Parte de uma predisposição ideológica de certos intelectuais interessados em minimizar a importância da internet. Há 2 bilhões de internautas no planeta, bilhões de usuários de celulares. Os pobres também têm telefones móveis e existem ainda outras formas de acessar a internet. A verdadeira diferença se dá na banda e na qualidade de conexão, não no acesso em si, que está se difundindo com rapidez maior que qualquer outra tecnologia na história.
Até que ponto o poder dispõe de ferramentas necessárias para sufocar as insurreições promovidas desde a rede?
Não as tem. No Egito, inclusive, tentaram desconectar toda a rede e não conseguiram. Houve mil formas, incluindo conexões fixas de telefone a numero no exterior, que transformavam automaticamente as mensagens em twetts e fax no país. E o custo econômico e funcional da desconexão da internet é tão alta que tiveram que restaurá-la rapidamente.
Hoje em dia, um apagão da rede é como um elétrico. Bem Ali não caii tão rápido, houve um mês de manifestações e massacres. O Irã não pode se desconectar a rede: os manifestantes estiveram sempre comunicando-se e expondo suas ações em vídeos no Youtube. A diferença é que ali, politicamente, o regime teve força para reprimir selvagemente sem que interviesse o exército. Porém as sementes da rebelião estão plantadas e os jovens iranianos, 70% da população, estão agora maciçamente contra o regime. É questão de tempo.
A mobilização popular através dos meios digitais criou heróis da cibernéticos no Egito — como Weal Ghonim, o jovem executivo do Google. Que papel podem desempenhar esses novos lideres no futuro de seus países?
O importante das “wikirrevoluções” (as que se auto-geram e se auto-organizam) é que as lideranças não contam, são puros símbolos.
Símbolos que não mandam nada, pois ninguém os obedeceria, eles tampouco tentariam impor-se. Pode ser que, uma vez institucionalizada, a revolução coopte se algumas destas pessoas como símbolos de mudanças — ainda que eu duvide muito que Ghonim queira ser político. Cohn Bendit era também um símbolo, não um líder. Foi estudante e amigo meu em 68, ele era um autêntico anarquista: Rechaçava as decisões dos líderes e utilizava seu carisma (foi o primeiro a ser reprimido) para ajudar a mobilização espontânea.
Walesa foi diferente, um vaticanista do aparato sindical. Por isso, tornou-se político rapidamente. Cohn Bendit tardou muito mais e ainda assim é, fundamentalmente um verde, que mantém valores de respeito às origens dos movimentos sociais.
A aliança entre meios de comunicação convencional e novas tecnologias é o caminho a seguir no futuro, para enfrentar com êxito os grandes desafios?
Os grande meios de comunicação não têm escolha. Ou aliam-se com a internet e com o jornalismo cidadão, ou irão se marginalizando e tornando-se economicamente insustentáveis. Mas hoje, essa aliança ainda é decisiva para a mudança social. Sem Al Jazeera não teria havido revolução na Tunísia.
Em um artigo intitulado “Comunicação e Revolução”, você recordou que em 5 de fevereiro a China havia proibido a palavra Egito na Internet. Acredita que existem condições para que possa ocorrer, no gigante asiático, um movimento popular parecido com o que esta percorrendo o mundo árabe?
Não, porque 72% do chineses apoiam seu governo. A classe média urbana, sobretudo os jovens, estão muito ocupados enriquecendo-se. Os verdadeiros problemas do campesinato e operários — ou seja, os verdadeiros problemas sociais da China — encontram se muito longe. O governo resguarda-se demais, porque a censura antagoniza muita gente que não está realmente contra o regime. Na China, a democracia não é, hoje, um problema para a maioria das pessoas, diferente do que ocorria na Tunísia e no Egito.
Esse novo tipo de comunicação, globalizada, atomizada e que se nutre se da colaboração de milhões de usuários, pode chegar a transformar nossa maneira de entender a comunicação interpessoal? Ou é apenas uma ferramenta potente a mais, à nossa disposição?
Já tranformou. Ninguém que está inserido diariamente nas rede sociais (este é o caso de 700 dos 1,2 milhões de usuários) segue sendo a mesma pessoa. Mas não é um mundo exotérico: há uma inter-relação online/off-line.
Como esta comunicação mudou, e muda a cada dia, é uma questão que se deve responder por meio de investigação acadêmica, não através de especialistas em fofocas. E por isso empreendemos o Projeto Internet Catalunha na UOC.
Podemos dizer que os ciber-ataques serão a guerra do futuro?
Na realidade, esta guerra já faz parte do presente. Os Estados Unidos consideram prioritária a ciberguerra. Destinaram a este tama um orçamento dez vezes maior que todos os demais países juntos. Na Espanha, as Forças Armadas também estão se equipando rapidamente na mesma direção. A internet é o espaço do poder e da felicidade, da paz e da guerra.
É o espaço social do nosso mundo, um lugar hibrido, construído na interface entre a experiência direta e a mediada pela comunicação, e sobretudo, pela comunicação na internet.
O LEGADO LULALÁ
postado por O Santo Ofício | janeiro 22, 2012
Uma nova classe média ou multidões de consumidores endividados?
Por Rinaldo Barros
O resultado do Censo 2010 indica 190.732.694 pessoas para a população brasileira em 1º de agosto, data de referência (IBGE – http://www.ibge.gov.br/). Se considerarmos que, em 2011, houve o mesmo crescimento da média da última década, tivemos um incremento populacional de 2 milhões de almas, nestes 12 meses pós Censo. Formamos hoje, portanto, um contingente de 192.732.694 brasileiros.
Ora, o Datafolha constatou em pesquisa recente que o Brasil possui 90 milhões na badalada “nova classe média” (os que vivem com mais de 3 salários mínimos, e têm acesso ao crédito para comprar eletrodomésticos e carros populares, com prestações a perder de vista).
Se somos 193 milhões, a maioria – mais de 100 milhões – ainda continua sem ter certeza se vai almoçar amanhã, ainda se encontra mergulhada na pobreza e na miséria.
Não dá pra afirmar– como exagerou o Datafolha – que “o Brasil é de classe média”.
Até há pouco tempo classificados como pobres ou muito pobres, esses 90 milhões de “novos consumidores” melhoraram de vida e começaram a usufruir vários confortos típicos de classe média. Sua ascensão social revela uma novidade: pela primeira vez na História, esses segmentos crescem sua capacidade de consumo no Brasil. São hoje 47% da população (eram 44% em 2002), conforme estudo da FGV.
Sem dúvida, essa população emergente, com seu desejo de continuar a consumir e seu foco no progresso pessoal, é um sintoma de que o Brasil está melhorando. Em todos os países que alcançaram um alto grau de desenvolvimento econômico e social, a maioria dos habitantes pertence às camadas médias.
Conhecer este fenômeno é, portanto, fundamental para entender o futuro do Brasil. Quem são essas pessoas? Como melhoraram de vida? Que impacto podem provocar? Quais desafios trazem para o país?
A população brasileira aumentou, mudou do ponto de vista educacional e atravessou uma revolução demográfica que reduziu o tamanho da família. Essa dinâmica cria a possibilidade de expansão da economia, movimenta o mercado interno e põe mais gente no elevador social.
Todavia, é importante compreender que a expansão da classe média e a redução da desigualdade de renda não é fenômeno ocorrido apenas no Brasil. Ele vem ocorrendo simultaneamente – e de forma acelerada – em todas as economias emergentes, sobretudo na China e na Índia.
A explosão da classe média teve início há cerca de dez anos, ainda não atingiu seu pico e, se a crise deixar, deve durar pelo menos mais dez anos. Um estudo recente do banco de investimento Goldman Sachs – intitulado O Meio que Cresce – estima que, até 2030, 2 bilhões de pessoas terão se juntado à “classe média mundial”, conceito que, para o Goldman Sachs, inclui pessoas (e não famílias) com “rendimento pessoal mensal” entre US$ 500 e US$ 2.500 (no Brasil isso seria entre R$900,00 e R$4.500,00).
Por sua vez, os analistas Dominic Wilson e Raluca Dragusanu, que assinam o relatório, estimam que, em 20 anos, essa classe média, bem mais restrita que a descrita pelos otimistas cálculos brasileiros, será 30% da população mundial.
De outro ponto de vista, constatamos que o mundo inteiro é diariamente marcado por manifestações que refletem a insatisfação popular contra a ordem econômica, a qual se contrapõe aos interesses da maioria da população.
Da Tunísia ao Egito, passando por Espanha e Chile. Esse sentimento é canalizado pelo movimento “Ocupe Wall Street”, são protestos anticapitalistas que se espalham por várias cidades estadunidenses, e culminou com o Dia de Ação Global (outubro de 2011), que mobilizou centenas de milhares de pessoas em 900 cidades de 82 países.
Essas manifestações podem ser sintetizadas pelo slogan “Nós somos os 99%”, com a máscara do “V” de Vingança simbolizando que a maioria da população se sente oprimida por uma pequena e privilegiada elite política e financeira. Menos no patropi, é claro, onde todo dia jorra leite e mel e o sabiá canta maviosamente.
Aqui, no patropi, como sói acontecer, há uma tendência de forçar a barra para construir um novo “conceito técnico”, a partir da “renda familiar” de R$1.500,00 em diante, aliada ao endividamento no médio prazo; redesenhando o perfil dos consumidores de bens e serviços, e tentando fazer acreditar – quase irresponsavelmente – que a economia vai continuar em crescimento contínuo e sem crise ad perpetuam rei memoriam.
Tudo com um objetivo pragmático muito claro: longe de fundar uma nova classe média; pretende a atual elite política e financeira brasileira, isso sim, continuar anestesiando a plebe ignara e enganando os incautos – endividados – até as próximas eleições.
.Rinaldo Barros é professor e pesquisador
E-mail:rb@opiniaopolitica.com/www.opiniãopolitica.com




Viva voz